"Saquetas"
Pós-parto, onde cada nova surpresa parece ter sido elaborada por um comediante de stand-up especializado em humor negro. A última grande comédia do hospital é, sem dúvida, a resposta à pergunta crucial: "A senhora já evacuou?" E se a resposta é negativa, então a diversão está apenas a começar.
Imagina a cena: acabaste de passar por um parto que te deixou a sentir como se tivesses sido atropelada por um comboio. A enfermeira entra no quarto, com aquele ar de "já te disse mil vezes", e pergunta com um tom clínico: "A senhora já evacuou?" E tu, com a dignidade já a fazer uma viagem sem bilhete, respondes com um “não” resignado.
Sem perder tempo, a enfermeira agarra em algumas saquetas de um pó chamado Lavolac – o supremo campeão dos laxantes hospitalares. O objetivo? Fazer com que os teus intestinos voltem ao trabalho, ou pelo menos tentar. Ela entrega-te as saquetas com um sorriso que diz "isto vai fazer maravilhas" e sai, deixando-te sozinha com a tua nova "dieta".
Lá estás tu, a abrir a saqueta com uma esperança quase infantil de que este pó mágico vá funcionar. Porém, o que acontece é um festival de gases que não só revoluciona o teu próprio conforto, mas também o dos teus colegas de quarto. Pensa bem: estás numa sala com três mulheres, todas a lutar para manter a dignidade enquanto os ventos internos se tornam uma verdadeira sinfonia.
Cada uma de nós, sentadas nas camas, a fazer um esforço monumental para não explodir, partilha o mesmo pensamento: "Quando é que isto vai acabar? Se eu não conseguir ir ao banheiro em breve, talvez eu possa sair pela janela a flutuar com o vento!" É quase como se a situação se transformasse numa competição de quem consegue manter a compostura por mais tempo antes de se tornar uma bola de gás ambulante.
O melhor de tudo é a viagem ao refeitório do hospital – um evento que se torna digno de um reality show. Lá estás tu, empurrando aquele carrinho de soro e medição para as dores, agora transformado em um "veículo de gases". Cada empurrão parece provocar uma nova onda de ventos, fazendo com que te sintas como uma espécie de balão de festa. E os teus colegas de quarto, movidas também a ar, não conseguem evitar a troca de olhares cúmplices que dizem: "Sim, eu também estou a flutuar. Vamos só tentar sair daqui antes de o refeitório implodir."
A ida ao refeitório é uma experiência que fica gravada na memória. Imaginas-te a tentar controlar a situação enquanto a tua condição cria um efeito de vento que quase faz desviar o carrinho. E, enquanto esperas que os gases se dissipem e a dignidade volte, só te resta rir da situação absurda que se desenrola à tua frente.
No final, o Lavolac pode não ter cumprido totalmente o seu objetivo, mas definitivamente conseguiu proporcionar momentos de pura comédia. Aquela sala do hospital, com todas as suas peripécias e surpresas, transforma-se numa verdadeira peça de teatro onde o humor negro é o protagonista e o riso, mesmo que nervoso, torna-se o melhor remédio.
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