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"Recados na caixa do correio: a minha fé não cabe em papel"

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Era para escrever sobre o meu filho, sobre o início desta nova etapa da vida que nele floresce e em mim se renova. Porque cada passo dele é também um passo meu, cada horizonte que se abre diante dos olhos dele reconfigura o meu próprio horizonte. A vida, quando se desdobra em gerações, é como uma oração contínua: o que semeei em silêncio, ele leva agora em canto. Há ternura e há coragem nessa passagem. E eu, como mãe, assisto com assombro à beleza de ver alguém a quem dei o ser a conquistar o próprio lugar no mundo. Mas antes, tenho de escrever sobre recados. Sim, recados. Os recados que são falados no café, para que transmitam mesmo que eu não queira saber, dobrados e deixados ao acaso. Os recados que agora encontro na caixa de correio, com insistência quase obsessiva. Eu agradeço a preocupação com o meu bem-estar espiritual — agradeço de verdade, até com certo humor. Mas não me iludo: começa a cheirar mal. Já recebi emails carregados de insultos, ameaças, fotografias inconvenientes, ...

"Poder do Perdão."

  Não é esquecer. É escolher ser livre. Há muito tempo que compreendi — ou talvez deva confessar que apenas comecei a compreender — que o perdão não é um gesto súbito e milagroso que resolve a dor e a converte em esquecimento. Não, o perdão não é um apagador divino que risca da memória o traço de quem me feriu. É antes um caminho, um exercício de consciência, uma respiração contínua que me devolve a mim mesma. Descobri que perdoar é escolher não ser eternamente definida pela ferida, não permitir que a cicatriz dite a arquitectura secreta da minha alma. Não controlo o que o outro fez, nem nunca o poderei refazer. A história aconteceu, gravou-se, impregnou-se de uma tal forma que mesmo a minha biologia carrega os ecos da ofensa — porque a dor tem corpo e a memória tem cheiro. Mas se nada posso quanto ao passado, tudo me cabe quanto ao modo como o transporto em mim. O perdão, nesse sentido, não é caridade oferecida ao outro; é a minha libertação. É a recusa firme de respirar eternamen...