"O dever chama"
Hoje tenho de abrir a loja e, como se não bastasse, ainda temos aquela reunião na igreja. Não é que eu tenha algo contra, claro, mas reuniões comunitárias, especialmente com apresentações... não é bem a minha praia. Não sou do tipo que se entusiasma em frente de um grupo, a falar sobre tarefas, metas e tudo o mais. Prefiro estar nos bastidores, a organizar, a dar apoio sem grandes alardes.
Os voluntários, no entanto, têm todos apresentações programadas, cada um a desfiar as suas tarefas e conquistas. Admiro a dedicação deles, não me interpretem mal, mas fico sempre com a sensação de que estou numa versão comunitária daquelas reuniões intermináveis de trabalho, onde todos se esforçam para mostrar que estão a dar o seu melhor... ou pelo menos a tentar. E, como sempre, vou estar lá, sorriso no rosto, porque, convenhamos, faz parte.
A loja, por outro lado, essa sim é o meu terreno. Lá, sei o que estou a fazer, sem precisar de me explicar, sem plateia, sem discursos. Apenas eu e o meu trabalho. No entanto, lá vou eu, mais uma vez, dividir-me entre o que gosto e o que "deve ser feito". Vamos ver se, com um pouco de sorte, consigo passar por esta reunião sem que me peçam para fazer uma dessas apresentações... Porque isso, realmente, seria o cúmulo.
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