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"Orgulho"

Sinto uma mistura de orgulho e admiração que mal consigo traduzir em palavras. A mente do meu filho é simplesmente maravilhosa: ágil, perspicaz, treinada na lógica, e com uma criatividade que se desdobra de formas inesperadas. Na ciência, navega com segurança, claro, sem hesitações, mas sempre capaz de acrescentar uma perspectiva nova, uma ideia que ilumina o raciocínio como se cada conceito fosse uma estrela que ele acende ao toque. Hoje, ao almoço, aconteceu algo que me fez sorrir até à lágrima. Veio debater comigo, com a intensidade de quem sente responsabilidade e a curiosidade de quem não se contenta com superficialidades, sobre o primeiro trabalho que tem de apresentar. Era precisamente da disciplina que menos aprecia, mas que domina com a profundidade de quem conhece cada nuance: Português. E ali estava ele, a falar com segurança, mas com abertura para escutar, questionar e reformular, como se cada palavra minha fosse uma semente para germinar novas ideias. Fiquei maravilhada co...

"Hoje domingo em família: Fé, Família e Amor em Equilíbrio"

 Hoje, domingo, permaneço em casa, no seio da família, como quem reencontra o centro do mundo. Ontem participei na eucaristia, a missa vespertina de sábado, e ainda sinto a vibração serena desse momento. Foi mais do que um rito: foi uma respiração partilhada, uma pausa do tempo que me recorda que a fé, quando vivida com liberdade e verdade, não aprisiona, mas liberta. Não regresso da igreja como quem cumpre uma obrigação, mas como quem reencontra uma fonte — discreta, constante, misteriosamente generosa. Durante o mês de julho, agosto e o início de setembro tem sido assim. Vou ao sábado e o domingo passo com a família e amigos. Pois é. O equilíbrio o saber distinguir fé de fanatismo. Hoje descansei, sem peso nem culpa, porque o descanso também é sagrado. Observei a minha filha e o seu amigo, ambos lançados nessa aventura da política autárquica, e vi ali uma energia que não partilho inteiramente, mas que respeito. Não concordo com todas as escolhas, é certo, mas acompanho. A materni...

"Um coração de 10 anos"

 Hoje, 13 de setembro, o dia foi simplesmente fenomenal. Desde a manhã que o telemóvel não parava — o meu e o do meu filho — mensagens, chamadas, abraços virtuais. E cada vez que um amigo meu me ligava para me dar os parabéns pelo nascimento do meu filho, eu comover-me-ia, porque percebia que sabiam, no fundo, o quanto os meus filhos são a minha vida. Os amigos dele — não todos, mas os mais próximos — adoraram festejar o aniversário. Os pais estavam felizes, cúmplices, e quem ficou verdadeiramente surpreendida fui eu. Surpreendida pela generosidade, pela comunhão, pelo modo como este dia se desenhou sem que eu o tivesse planeado ao detalhe. Escrevo já, agora, para que fique aqui registado, porque sei que a memória às vezes falha mas a escrita permanece. Nunca imaginei que, na sua tenra idade, na sua suposta imaturidade, o meu filho fosse já tão maduro. Hoje, nos seus 10 anos, mostrou-me um coração que vai para além da idade. A festa realizou-se na casa de uma amiga que, generosamen...

" O menino do abraço faz 10 anos"

Hoje é dia 13 de setembro. Na cronologia portuguesa, este dia tem memórias, marcos, efemérides: foi a 13 de setembro de 1759 que, sob o peso das intrigas políticas e da mão férrea do Marquês de Pombal, os Jesuítas foram expulsos do território português; é também data que ecoa no calendário litúrgico, dia de São João Crisóstomo, a “boca de ouro”, mestre da palavra e da reflexão espiritual; e no calendário civil, tantas vezes serve de cenário a regressos às aulas, à azáfama das rotinas que renascem após o verão. Mas há ainda um marco que transcende a História e se inscreve na fé: a 13 de setembro de 1917, em Fátima, os pastorinhos receberam uma das aparições de Nossa Senhora, testemunhada por milhares que, na sua simplicidade, acreditaram no milagre da presença. E no entanto, para mim, acima de qualquer peso histórico, cultural ou religioso, o dia 13 de setembro é o dia do amor, é o dia da dádiva que me foi confiada: o nascimento do meu filho. O meu menino nasceu nesse 13 de setembro, e ...

"💫 Amor Infinito"

 Hoje a manhã trouxe-me um daqueles instantes raros, quase secretos, que se guardam no cofre da alma. Acordei sem pressa, entregue ao silêncio repousado de quem acredita que o tempo, por uma vez, se dignou a abrandar. Foi então que o meu filho entrou no quarto, com a naturalidade desarmante das crianças que ainda não aprenderam os disfarces do mundo, e disse-me: “Mãe, sabias que eu te amo infinito?” Sorri. Respondi-lhe com a mesma medida sem medida: “Sei, meu amor. E tu sabes que a mãe também te ama infinito.” Deitei-me ao lado dele, e nesse gesto simples coube todo o universo. Abraçou-me e, no abrigo do meu corpo, adormeceu. Fiquei a contemplá-lo, na serenidade de quem testemunha o mistério de um milagre. Perguntei-me em silêncio: quanto tempo mais terei isto? Não sei, ninguém sabe. Mas sei que cada vez que este ritual se repete, o mundo ganha uma espessura de eternidade. Ele está prestes a entrar no território incerto da adolescência, esse limiar onde tantas vezes a inocência se ...

"Silêncio e Arrumação"

 Hoje, finalmente, estou de folga. Folga relativa, porque a vida raramente nos dá intervalos absolutos. Não fui trabalhar, não saí com a família, não combinei nada com amigos, nem levei a minha cadela a passear. Comecei a manhã com um café tranquilo, desses que sabem melhor porque não há relógio a empurrar. Arrumei a casa e terminei um dos livros que me acompanhava há dias. Quando fechei a última página, dei por mim a olhar para o relógio e a pensar: e agora? É curioso como passamos tanto tempo a desejar tempo livre e, quando o conquistamos, não sabemos o que lhe fazer. Mas eu gosto do silêncio. O silêncio não me pesa. Ele é o lugar onde me volto a encontrar. Não preciso de o preencher a todo o custo, como quem tem medo de se ouvir. O silêncio, para mim, é música discreta que afina a alma. Ainda assim, decidi ir até à lojinha com a minha madrinha de crisma. Não porque quisesse fugir do silêncio, mas porque havia que arrumar. E arrumar, para mim, é também um gesto espiritual. Organi...

"Coragem, Paz e Autenticidade"

 Eu costumo dizer que não tenho medo de ninguém. Não é heroísmo de catálogo, é higiene mental. O medo existe; não o nego, não o romantizo. Engulo-o — mesmo quando sabe a ferrugem e vinagre — e avanço. A coragem, na minha gramática, é metabolismo: transformar pânico em passo, tremor em decisão. Contudo, a minha saúde ensinou-me um capítulo que a literatura da valentia costuma censurar: há batalhas que são, simplesmente, perda de glóbulos brancos. Fujo, sim. Evito, sim. Afasto-me sem remorso de certas pessoas e ambientes. Não por preconceito: por paz. Quem me acusa de fuga confunde teimosia com bravura e martírio com sentido. Eu escolho viver — e viver em paz dá trabalho. Sou mãe. Educo pelo exemplo, porque descobri que a moral sem musculatura quotidiana é monólogo inútil. Os meus filhos não são o porta-estandarte de um manual de perfeição — que ideia risível —; são a prova quotidiana de que autenticidade, sinceridade, respeito, partilha, paciência e altruísmo são competências treiná...