"Palavras... Atitudes"

 Ao longo da minha vida, tenho constatado que as palavras, quando proferidas de forma precipitada ou mal interpretadas, se tornam verdadeiras armas nas mãos de quem, com superficialidade, se apressa a julgar. As pessoas, por vezes, envolvem-se numa teia de preconceitos e juízos de valor, ignorando a profundidade dos factos que lhes são desconhecidos, limitando-se a avaliar com base em meras suposições ou em fugazes impressões.

Sei bem o que é ser alvo desses julgamentos frívolos. Com frequência, percebo olhares enviesados e ouço comentários sussurrados, proferidos por quem se acha no direito de julgar o meu carácter e as minhas intenções unicamente pelo que digo ou pelo modo como escolho expressar-me. Contudo, não me iludo com essas manifestações exteriores, pois aprendi, ao longo da minha existência, que aqueles que se apressam a julgar pelos discursos são, muitas vezes, os menos capazes de compreender as subtilezas das acções.

Se julgam que podem definir quem sou pelas palavras que proferi, enganam-se profundamente. Sou daquelas que acredita que o verdadeiro carácter de uma pessoa se revela, não nas palavras que escolhe, mas nos actos que pratica. E é precisamente nessa arena – a das acções – que me esforço por provar o meu valor. Não me limito ao discurso, nem à retórica brilhante que tantos usam como escudo ou máscara. Prefiro, de forma silenciosa, demonstrar o meu valor e a minha verdade através de atitudes concretas, pois considero que são elas que verdadeiramente definem quem somos.

As palavras, por mais eloquentes que sejam, podem ser facilmente manipuladas, distorcidas ou mal interpretadas. É nas acções que reside a verdadeira integridade, a coerência que ultrapassa as fronteiras do verbal e se traduz numa prática consistente e alinhada com os valores que defendo. Por isso, quando sou confrontada com críticas e julgamentos infundados, opto, muitas vezes, pelo silêncio. Esse silêncio não é, contudo, um sinal de resignação ou de fraqueza; pelo contrário, é uma escolha consciente e ponderada de quem sabe que a verdade se revelará, inexoravelmente, através das atitudes.

Não nego que, por vezes, essa escolha é difícil. Existe uma tentação natural de responder à altura, de argumentar, de rebater com veemência os julgamentos alheios. No entanto, ao longo do tempo, apercebi-me de que esse tipo de confronto verbal, longe de esclarecer, muitas vezes apenas agrava o mal-entendido. E é aí que reside a minha maior força: na paciência de esperar que os meus actos falem por si, que a consistência das minhas escolhas e a integridade das minhas acções desarmem, por fim, aqueles que me julgavam precipitadamente.

É um caminho solitário, sem dúvida. Poucos são aqueles que têm a capacidade de reconhecer, de imediato, a verdade que não se diz, mas se pratica. E muitos persistem em agarrar-se às primeiras impressões, recusando-se a admitir que estavam errados. Contudo, não busco a aprovação fácil nem o reconhecimento imediato. O meu objectivo não é calar as bocas alheias com palavras afiadas, mas sim através da evidência irrefutável das minhas atitudes. Só essas têm o poder de dissipar os equívocos e revelar, de forma indelével, a verdade sobre quem realmente sou.

Assim, continuo o meu caminho, segura daquilo que sou e do que acredito. Se me julgam pelas palavras, deixo que o façam. Sei que o tempo, implacável, revelará a incoerência desses julgamentos, e que as minhas acções, pautadas pela honestidade, pela justiça e pela coerência, acabarão por falar mais alto do que qualquer palavra que possa proferir. E, no final, é isso que me importa: saber que vivo de acordo com os meus princípios, que não me deixo abalar pelas opiniões alheias e que a verdade, inquestionável, reside nos meus actos, não nas interpretações superficiais dos outros.

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