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"A minha sede de aprender"

Há em mim uma força que não me deixa ficar imóvel — uma inquietude doce e incandescente que me empurra, sempre, para o conhecimento. Não sei estar parada quando sinto que há mais para compreender. É como se o próprio mundo me chamasse, em murmúrios e silêncios, a mergulhar nas suas camadas invisíveis. Estudar, para mim, não é uma obrigação; é uma forma de respirar, uma forma de existir com mais consciência e verdade. Comecei com um estudo bíblico. Pensei, no início, que talvez bastasse — que aquele mergulho espiritual me traria o repouso interior que tantas vezes procuro. Mas à medida que avançava, mais perguntas surgiam. O coração não se saciou, o espírito não se deu por satisfeito. Senti a necessidade de ir além, de compreender melhor, de me aproximar das origens — e foi assim que iniciei o estudo do Antigo Testamento. Não o faço por ritual, nem por curiosidade superficial. Faço-o porque quero entender as raízes da fé, as histórias antigas que ainda respiram dentro de nós, os símbolo...

"Intimidade"

Intimidade. Que palavra imensa, que palavra maltratada, tantas vezes reduzida a um gesto apressado, a um instante carnal onde o corpo se entrega mas a alma permanece oculta. Eu sei, porque também já acreditei que intimidade era o despojamento da roupa, o roçar de pele com pele, a vulnerabilidade física diante de alguém. Mas hoje, com a vida a ensinar-me pela dor e pela ternura, compreendo que essa é apenas a superfície. A nudez do corpo é simples, banal, quase mecânica. A nudez da alma, essa sim, é rara, é difícil, é preciosa. A intimidade verdadeira não é tirar nada, é dar tudo. Não é expor o corpo, é revelar o coração. É permitir que o outro me veja onde sou mais frágil, onde sangro em silêncio, onde tremo sem máscara. É confiar que a minha vulnerabilidade não será usada contra mim, mas guardada com cuidado, como quem segura nas mãos uma peça única e irrepetível. A maior intimidade que conheci não nasceu entre lençóis. Nasceu no riso partilhado até as lágrimas rolarem, nasceu no silê...

"Manifesto – Flor do Tempo"

A flor do tempo não é apenas metáfora; é realidade oculta na nossa pele, no nosso coração, na forma como respiramos o instante. Ela lembra-me que a vida é frágil, mas não fútil; breve, mas não vazia; efémera, mas capaz de eternidade. Quando penso no tempo, não o vejo como um inimigo que me rouba dias. Vejo-o como o grande escultor invisível que me molda, como o vento que esculpe a rocha, como a água que fura a pedra. O tempo não vem apenas destruir; ele depura, revela, afina. É o tempo que transforma cicatriz em memória, dor em aprendizagem, ausência em presença invisível. A flor do tempo abre-se sem garantias. Nunca sei quando floresce, nem quanto tempo durará. Às vezes é uma gargalhada à mesa com os meus filhos. Outras vezes, um olhar silencioso partilhado com o meu marido. Outras ainda, uma lembrança que me vem visitar numa tarde de melancolia. A flor abre-se no inesperado, no detalhe, no que é pequeno aos olhos do mundo mas imenso para quem sente. O perfume da flor é o que fica. E ...

"Manifesto contra a iliteracia"

Exórdio  A realidade contemporânea é marcada por uma crise abissal ( profunda, insondável ) de linguagem e pensamento. O que deveria ser um espaço de diálogo fecundo tornou-se um terreno boçal ( rude, ignorante ), corroído por discursos acrimoniosos ( ásperos, mordazes ) e por uma retórica demagógica ( manipuladora, enganadora ), superficial, empobrecida. A palavra, outrora símbolo auroral ( inicial, nascente ) de conhecimento, converteu-se em eco altissonante (pomposo, grandiloquente) de banalidades, ecoando em redes sociais, televisões e até em tribunas políticas, onde se celebra a ignorância como se fosse sabedoria. Não falo de um problema efémero, mas de um mal crasso ( grosseiro, evidente ), inveterado ( enraizado, habitual ), que alastra como entropia ( desordem, caos ) na cultura, que corrompe a escola, o jornalismo e a própria cidadania. A iliteracia não é inocente: é projeto, é arma, é estratégia de domesticação. Um povo incapaz de pensar criticamente é mais fá...