"Livrái-me... "
Ora bem, de certeza que já conhecemos alguém assim: aquela peça rara que se destaca numa multidão. A dissimulada de serviço, que entra numa sala como se fosse o anjo mais puro, mas na verdade é uma víbora camuflada. Ela é uma mentirosa nata, daquele tipo que mente com todos os dentes da boca e ainda consegue fazer-te sentir culpada por duvidares dela. É fascinante, quase que dá vontade de a aplaudir de pé. Mas não se enganem, porque ela é tão falsa que até o próprio espelho se recusa a refletir a sua imagem real. Aquela simpatia toda? É tão autêntica como uma nota de três euros. Quando sorri, até as flores murcham, porque sabem que ali não há uma gota de sinceridade. E isso não é tudo; o seu desprezo pelos outros é tão profundo que até a palavra “desprezível” parece uma gentileza para descrevê-la. E se pensam que estou a exagerar, esperem até verem a sua habilidade camaleónica. É capaz de se transformar naquilo que precisa ser em qualquer situação, adaptando-se como uma cobra que ...