"14 de Setembro"
Ora, 14 de setembro, um dia cheio de emoções! Nem sei por onde começar. Eu, que nunca fui de grandes festas de aniversário de casamento, lá me vi a comemorar 29 anos de matrimónio! Vinte e nove anos! Quem diria? Se perguntassem àquela meia dúzia de "entendidos" no início, teriam garantido que não durávamos nem até ao Natal do primeiro ano. Pois bem, cá estou eu, ainda de aliança no dedo e com um certificado de paciência que já merecia moldura. E olhem que paciência não falta... não só da minha parte!
Engraçado como a vida é: eu, a celebrar um marco de quase três décadas ao lado de alguém que, confesso, por vezes me faz questionar a sanidade, mas com quem não trocava esta caminhada por nada. Aliás, quando penso nas trapalhadas que já passámos, dou por mim a rir sozinha. Quem diria que, no meio de tanto caos, fomos construindo algo tão sólido... quer dizer, sólido até ao próximo debate aceso sobre a tampa da sanita, claro.
E no mesmo dia, a ironia das ironias: fazem 15 anos que o meu pai se foi. Fico sempre com aquele nó no coração. Aquela ausência silenciosa que me acompanha neste dia. A dualidade desta data é surreal, um misto de celebração, saudade e arrependimento, e às vezes não sei bem se estou a rir ou a chorar. Aliás, chorar a rir, vá. O meu pai, se cá estivesse, havia de ter um bom comentário sarcástico sobre a minha "proeza" de manter este casamento. Aposto que já tinha preparado um discurso no género: “Oh filha, és uma santa. Só uma santa para aturar isso tanto tempo!”. E eu, claro, soltava a gargalhada que ele sempre conseguia arrancar-me.
É curioso como esta vida funciona, não é? Um dia que é um verdadeiro cabo dos trabalhos para o coração: metade a lembrar-me do amor, a outra metade da perda. Mas, verdade seja dita, se há coisa que aprendi com 29 anos de casamento é que nada é linear. Entre altos e baixos, discussões sobre quem deixou a luz da casa de banho acesa e os serões de série no sofá, lá vamos nós, contra todas as probabilidades, a caminho do “felizes para sempre”. Será que é para sempre mesmo? Bom, só o tempo dirá. Por enquanto, o plano é simples: continuar a dar-lhe o troco, de preferência por muitos e muitos mais anos!
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