"Quedas..."
Ao longo da história do pensamento ocidental, poucas ideias foram tão devastadoras — e simultaneamente tão fecundas — quanto aquelas que desalojaram o ser humano do pedestal metafísico onde durante séculos se julgou instalado. A história da modernidade pode, em larga medida, ser lida como a lenta agonia de uma ilusão narcísica: a crença de que o Homem ocupava o centro absoluto da realidade, da criação, da razão e de si próprio. A cada século, uma nova ferida abriu-se na consciência humana; a cada descoberta, um novo abismo separou o sujeito da imagem grandiosa que construíra de si. Não se tratou apenas de revoluções científicas: tratou-se de verdadeiros terramotos ontológicos, de golpes profundos na arquitectura simbólica da civilização. Sigmund Freud chamou-lhes “ as três grandes feridas narcísicas da humanidade ”. A expressão permanece extraordinariamente poderosa porque não descreve apenas transformações intelectuais: descreve humilhações existenciais. Cada uma dessas quedas a...