Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta maternidade

"Aprender"

Apesar das exigências do trabalho, da casa, da família e da fé que me sustenta, nunca deixo de estudar, de questionar e de aprender. Tenho ainda tanto para aprender, tanto para descobrir, que cada dia me parece sempre insuficiente para a vastidão do conhecimento que desejo alcançar. Muitas vezes perguntam-me de onde surgem as ideias que escrevo, qual é a fonte que as alimenta. Respondo, invariavelmente, que brotam da minha própria mente: dessa máquina extraordinária e complexa que é o cérebro, com os seus labirintos de memórias, experiências e pensamentos, onde a criatividade se insinua como uma centelha inesperada. Lamento, contudo, que tantos tenham abdicado de usar esta dádiva inestimável com que nasceram. Preferem o simples, o já feito, o que se apresenta como lógico, racional e conveniente — numa aparência de inteligência que raramente toca a verdadeira profundidade do pensar. Eu, pelo contrário, quero muito mais do que parecer: quero ser. Tudo o que escrevo assenta em conheciment...

"Quando uma mãe perde um filho, o mundo inteiro sente a dor"

 Há dores que não se medem, não se explicam, não se classificam. A dor de uma mãe que perde um filho está entre elas. É uma ferida que não se fecha, uma ausência que não se preenche, um silêncio que grita mais alto do que qualquer palavra. Quando uma mãe chora a perda do seu filho, não é apenas o seu coração que se despedaça: todos os corações maternos estremecem. Porque a maternidade, em sua essência, é um fio invisível que nos liga — mesmo sem nos conhecermos. É como se, diante do sofrimento de uma única mãe, todas as mães do mundo fossem atingidas por um reflexo dessa dor. E mesmo aquelas que nunca passaram por tal perda sabem, instintivamente, que esse vazio é insuportável. Porque ser mãe é ter o coração exposto, é viver com um pedaço da própria alma caminhando fora do corpo. E quando esse pedaço se vai, não existe palavra, gesto ou tempo capaz de restituir. Vi no rosto daquela mãe algo impossível de traduzir: um sofrimento cru, nu, que não precisava de explicação. O olhar dizi...

"Hoje domingo em família: Fé, Família e Amor em Equilíbrio"

 Hoje, domingo, permaneço em casa, no seio da família, como quem reencontra o centro do mundo. Ontem participei na eucaristia, a missa vespertina de sábado, e ainda sinto a vibração serena desse momento. Foi mais do que um rito: foi uma respiração partilhada, uma pausa do tempo que me recorda que a fé, quando vivida com liberdade e verdade, não aprisiona, mas liberta. Não regresso da igreja como quem cumpre uma obrigação, mas como quem reencontra uma fonte — discreta, constante, misteriosamente generosa. Durante o mês de julho, agosto e o início de setembro tem sido assim. Vou ao sábado e o domingo passo com a família e amigos. Pois é. O equilíbrio o saber distinguir fé de fanatismo. Hoje descansei, sem peso nem culpa, porque o descanso também é sagrado. Observei a minha filha e o seu amigo, ambos lançados nessa aventura da política autárquica, e vi ali uma energia que não partilho inteiramente, mas que respeito. Não concordo com todas as escolhas, é certo, mas acompanho. A materni...

🌟 “Uma manhã inteira no infinito: o primeiro dia do segundo ciclo”

 Hoje o meu filho deu o primeiro passo no segundo ciclo. Não foi apenas mais uma manhã, foi uma manhã inaugural, cheia daquele peso invisível que só os começos carregam. O calendário dizia que seria um simples primeiro dia, apenas algumas horas para conhecer a nova escola, os colegas, os professores. Mas no meu coração soube que era mais do que isso: era um rito de passagem subtil, um degrau erguido na construção da sua autonomia. Antes de entrar, olhou-me com aquela clareza desarmante que só os olhos das crianças sabem ter. Disse-me: “Sabias que amo-te infinito?”. E nesse instante compreendi que, apesar da novidade, ele já tinha dentro de si a segurança necessária para enfrentar o desconhecido. Anuí, devolvi-lhe o infinito, e naquele reflexo de amor mútuo reconheci o elo invisível que nos sustentava a ambos. Segurou a minha mão com firmeza e, surpreendendo-me, assegurou-me que não precisava de me preocupar, que tudo iria correr bem. E correu. Mesmo sendo apenas uma manhã, foi o su...

"Recados na caixa do correio: a minha fé não cabe em papel"

Imagem
Era para escrever sobre o meu filho, sobre o início desta nova etapa da vida que nele floresce e em mim se renova. Porque cada passo dele é também um passo meu, cada horizonte que se abre diante dos olhos dele reconfigura o meu próprio horizonte. A vida, quando se desdobra em gerações, é como uma oração contínua: o que semeei em silêncio, ele leva agora em canto. Há ternura e há coragem nessa passagem. E eu, como mãe, assisto com assombro à beleza de ver alguém a quem dei o ser a conquistar o próprio lugar no mundo. Mas antes, tenho de escrever sobre recados. Sim, recados. Os recados que são falados no café, para que transmitam mesmo que eu não queira saber, dobrados e deixados ao acaso. Os recados que agora encontro na caixa de correio, com insistência quase obsessiva. Eu agradeço a preocupação com o meu bem-estar espiritual — agradeço de verdade, até com certo humor. Mas não me iludo: começa a cheirar mal. Já recebi emails carregados de insultos, ameaças, fotografias inconvenientes, ...

" O menino do abraço faz 10 anos"

Hoje é dia 13 de setembro. Na cronologia portuguesa, este dia tem memórias, marcos, efemérides: foi a 13 de setembro de 1759 que, sob o peso das intrigas políticas e da mão férrea do Marquês de Pombal, os Jesuítas foram expulsos do território português; é também data que ecoa no calendário litúrgico, dia de São João Crisóstomo, a “boca de ouro”, mestre da palavra e da reflexão espiritual; e no calendário civil, tantas vezes serve de cenário a regressos às aulas, à azáfama das rotinas que renascem após o verão. Mas há ainda um marco que transcende a História e se inscreve na fé: a 13 de setembro de 1917, em Fátima, os pastorinhos receberam uma das aparições de Nossa Senhora, testemunhada por milhares que, na sua simplicidade, acreditaram no milagre da presença. E no entanto, para mim, acima de qualquer peso histórico, cultural ou religioso, o dia 13 de setembro é o dia do amor, é o dia da dádiva que me foi confiada: o nascimento do meu filho. O meu menino nasceu nesse 13 de setembro, e ...

"💫 Amor Infinito"

 Hoje a manhã trouxe-me um daqueles instantes raros, quase secretos, que se guardam no cofre da alma. Acordei sem pressa, entregue ao silêncio repousado de quem acredita que o tempo, por uma vez, se dignou a abrandar. Foi então que o meu filho entrou no quarto, com a naturalidade desarmante das crianças que ainda não aprenderam os disfarces do mundo, e disse-me: “Mãe, sabias que eu te amo infinito?” Sorri. Respondi-lhe com a mesma medida sem medida: “Sei, meu amor. E tu sabes que a mãe também te ama infinito.” Deitei-me ao lado dele, e nesse gesto simples coube todo o universo. Abraçou-me e, no abrigo do meu corpo, adormeceu. Fiquei a contemplá-lo, na serenidade de quem testemunha o mistério de um milagre. Perguntei-me em silêncio: quanto tempo mais terei isto? Não sei, ninguém sabe. Mas sei que cada vez que este ritual se repete, o mundo ganha uma espessura de eternidade. Ele está prestes a entrar no território incerto da adolescência, esse limiar onde tantas vezes a inocência se ...

"Maternidade."

 Entrar no hospital para dar à luz é como comprar um bilhete de ida para um parque temático do terror, mas sem saberes bem em que atração vais parar. Podes acabar num passeio calmo (duvido!), numa montanha-russa descontrolada, ou, como foi o meu caso, numa espécie de casa assombrada onde os sustos vêm de onde menos esperas e a tua dignidade? Essa foi deixada à porta, entregue à rececionista como quem entrega o casaco num restaurante. Primeira experiência: A Cesariana Emergencial – Quando o bebé decide fazer uma saída dramática Tudo começou com a ilusão de que ia ter um parto natural. Porque sim, eu também caí na armadilha do "tu consegues, mulher!", com aqueles vídeos motivacionais onde as mães parecem deusas terrenas, suadas, mas gloriosas, e com música relaxante ao fundo. Claro, não me avisaram que a realidade estaria mais próxima de um episódio de "House" com direito a uma cesariana de emergência. Ali estava eu, cheia de otimismo, já a meio de horas de trabalho d...