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"A minha sede de aprender"

Há em mim uma força que não me deixa ficar imóvel — uma inquietude doce e incandescente que me empurra, sempre, para o conhecimento. Não sei estar parada quando sinto que há mais para compreender. É como se o próprio mundo me chamasse, em murmúrios e silêncios, a mergulhar nas suas camadas invisíveis. Estudar, para mim, não é uma obrigação; é uma forma de respirar, uma forma de existir com mais consciência e verdade. Comecei com um estudo bíblico. Pensei, no início, que talvez bastasse — que aquele mergulho espiritual me traria o repouso interior que tantas vezes procuro. Mas à medida que avançava, mais perguntas surgiam. O coração não se saciou, o espírito não se deu por satisfeito. Senti a necessidade de ir além, de compreender melhor, de me aproximar das origens — e foi assim que iniciei o estudo do Antigo Testamento. Não o faço por ritual, nem por curiosidade superficial. Faço-o porque quero entender as raízes da fé, as histórias antigas que ainda respiram dentro de nós, os símbolo...

"Não dês pérolas a porcos"

Há um instante, sempre há um instante, em que o coração desperta e compreende: nem tudo o que em nós nasce deve ser entregue a todos. Porque dentro de mim há pérolas. Pérolas que não se fabricam, que não se compram, que não se repetem. São feitas de tempo, de ternura, de silêncio, de feridas e de sabedoria conquistada à custa de noites insones. Cada palavra que penso antes de dizer, cada gesto que faço sem ser obrigada, cada entrega que nasce da generosidade e não da conveniência — tudo isso é pérola. E contudo, quantas vezes atirei essas pérolas a mãos que não as quiseram segurar? Quantas vezes as deixei cair diante de olhos que as confundiram com pedras vulgares? Quantas vezes vi o meu esforço ser pisado, a minha calma ser tomada como fraqueza, a minha paciência ser confundida com obrigação? Os antigos sabiam o que diziam: não lanceis pérolas aos porcos. Não porque sejamos melhores, mas porque o sagrado não deve ser profanado. Porque aquilo que nasce raro em nós não merece ser desper...

"A Liberdade de Ser Julgada: Monólogo entre Pessoa e Eu"

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Ontem, uma amiga enviou-me uma frase pelo WhatsApp — “A tua maior conquista é aceitar que o que os outros pensam de ti é problema deles” . E eu sorri. Sorri com aquele sorriso cúmplice de quem reconhece uma verdade antiga, já pressentida, já vivida. Disse-lhe, sem hesitar: “ concordo plenamente, vou utilizar!" Aqui está. E aqui estou, a transformar essa frase simples num rio de palavras, porque em mim nada é simples: tudo se expande, tudo se multiplica, tudo se torna reflexão. Há muito tempo que faço este exercício de desapego. Mas, paradoxalmente, nunca deixa de ser difícil. Porque o olhar dos outros é como um espelho deformado: devolve-me versões de mim que não reconheço, mas que, por vezes, quase acredito. Quantas vezes não me vi através de opiniões que nada tinham a ver comigo? Quantas vezes fui demasiado para uns e insuficiente para outros? Pessoa, com o seu humor melancólico, teria achado graça. Ele, que foi “tudo de todas as maneiras”, sabia que nenhuma interpretação extern...

"Do Fogo à Forja da Minha Grandeza"

Eu sei. Sei o quanto sofri, o quanto chorei em silêncio, o quanto o meu coração foi rasgado por dores que pareciam maiores do que a própria vida. Sei, também, que aquilo que quase me destruiu foi, paradoxalmente, o que me fortaleceu. O que pensei ser ruína foi, afinal, pedra fundadora. As quedas que julguei fatais foram apenas degraus secretos. As lágrimas que queimaram o meu rosto foram o sal da coragem. As batalhas que acreditei perdidas eram, afinal, exercícios da minha resistência. Descobri que a grandeza não floresce em jardins de conforto, mas nasce, sim, da dor transformada em força — como ferro em brasa que só no fogo se purifica. O mesmo fogo que ameaçou consumir-me foi o que me forjou. E hoje compreendo: o que parecia fim era, na verdade, princípio. Não se mede uma vida pelas vezes que caiu, mas pela altura a que se ergueu depois de sobreviver ao que parecia mortal. Eu sou mais forte do que imaginei ser. E ouso dizê-lo: a viagem mais radical não é até às montanhas, aos oceano...