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"2023/2024. A liberdade."

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 Na primavera de 23/24( ano letivo), o meu filho recebeu da sua jovem professora uma proposta simples mas profundamente significativa: elaborar uma maquete sobre o 25 de Abril. Um desafio aparentemente escolar, mas que acabou por se transformar numa verdadeira viagem de memória, criatividade e consciência histórica. Recordo com nitidez cada etapa do processo. A maquete foi nascendo a partir de materiais reciclados — a prova viva de que a imaginação, quando aliada à dedicação, pode dar nova vida a objectos do quotidiano. O tanque, ou melhor, a chaimite, foi construído a partir de uma caixa de ovos, meticulosamente recortada e adaptada até adquirir a forma robusta que simboliza a presença militar da época. A base, sólida e discreta, surgiu de uma caixa de sapatos, transformada em palco onde toda a narrativa se erguia. Os soldados, moldados em massa de papel, revelavam a fragilidade e, ao mesmo tempo, a firmeza de quem ousou sonhar com um país livre. As flores, cravos feitos de folhas...

"Orgulho"

Sinto uma mistura de orgulho e admiração que mal consigo traduzir em palavras. A mente do meu filho é simplesmente maravilhosa: ágil, perspicaz, treinada na lógica, e com uma criatividade que se desdobra de formas inesperadas. Na ciência, navega com segurança, claro, sem hesitações, mas sempre capaz de acrescentar uma perspectiva nova, uma ideia que ilumina o raciocínio como se cada conceito fosse uma estrela que ele acende ao toque. Hoje, ao almoço, aconteceu algo que me fez sorrir até à lágrima. Veio debater comigo, com a intensidade de quem sente responsabilidade e a curiosidade de quem não se contenta com superficialidades, sobre o primeiro trabalho que tem de apresentar. Era precisamente da disciplina que menos aprecia, mas que domina com a profundidade de quem conhece cada nuance: Português. E ali estava ele, a falar com segurança, mas com abertura para escutar, questionar e reformular, como se cada palavra minha fosse uma semente para germinar novas ideias. Fiquei maravilhada co...

🌟 “Uma manhã inteira no infinito: o primeiro dia do segundo ciclo”

 Hoje o meu filho deu o primeiro passo no segundo ciclo. Não foi apenas mais uma manhã, foi uma manhã inaugural, cheia daquele peso invisível que só os começos carregam. O calendário dizia que seria um simples primeiro dia, apenas algumas horas para conhecer a nova escola, os colegas, os professores. Mas no meu coração soube que era mais do que isso: era um rito de passagem subtil, um degrau erguido na construção da sua autonomia. Antes de entrar, olhou-me com aquela clareza desarmante que só os olhos das crianças sabem ter. Disse-me: “Sabias que amo-te infinito?”. E nesse instante compreendi que, apesar da novidade, ele já tinha dentro de si a segurança necessária para enfrentar o desconhecido. Anuí, devolvi-lhe o infinito, e naquele reflexo de amor mútuo reconheci o elo invisível que nos sustentava a ambos. Segurou a minha mão com firmeza e, surpreendendo-me, assegurou-me que não precisava de me preocupar, que tudo iria correr bem. E correu. Mesmo sendo apenas uma manhã, foi o su...