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"Escrevo de Amor, com Propriedade e Gratidão"

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 Nunca pensei que a minha vida pudesse ser narrada pela escrita. Durante anos acreditei que certas palavras só existiam em segredo dentro de mim, demasiado frágeis para enfrentarem o olhar do mundo. Mas a morte da minha mãe foi uma fratura radical. E nesse vazio, nessa ausência sem retorno, emergiu a necessidade de escrever: não como escolha, mas como sobrevivência. A palavra ergueu-se como muralha e como refúgio, como grito e como oração. Escrevo com propriedade, porque não escrevo apenas por impulso ou acaso: escrevo com o peso da experiência, com a densidade da reflexão, com a fidelidade da memória. Cada texto é um testemunho legítimo daquilo que vivi, ouvi, sofri e amei. Não invento sentimentos: traduzo-os. Não copio pensamentos: transformo-os. A minha voz tem raiz, corpo e alma. Escrevo de amor. Escrevo porque o amor atravessa tudo o que sou. Sou amada pelos meus filhos, que me recordam diariamente o sentido da continuidade, o milagre da presença e da entrega. Sou amada pelo...

"Estes dias."

 Desde sexta-feira que a minha vida tem sido uma verdadeira correria. Mal o sol se atreveu a surgir no horizonte, já eu estava a caminho do Alentejo, embrenhada na imensidão de campos e na serenidade bucólica que caracteriza aquela terra. A viagem logo pela madrugada, com a fresca a acariciar-me o rosto, parecia prometer um dia tranquilo. Mas, mal dei por mim, já estava de volta, ansiosa por uns breves momentos de descanso, que logo se dissiparam diante da promessa de uma festa na terrinha. E quem sou eu para recusar? Festa é festa, e a animação parece correr-me nas veias. A noite foi uma mistura deliciosa de passos de dança e conversas intermináveis, até que o cansaço me venceu, quase sem me aperceber. Quando a manhã seguinte irrompeu, deslizei para fora da cama como se cada músculo do meu corpo estivesse em protesto contra aquela nova aventura. Mas lá fui, de novo, rumo ao Alentejo. E lá, em plena solidão dos campos, a minha companhia matinal são as vacas. Sim, vacas. Que me olha...