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"Poder do Perdão."

  Não é esquecer. É escolher ser livre. Há muito tempo que compreendi — ou talvez deva confessar que apenas comecei a compreender — que o perdão não é um gesto súbito e milagroso que resolve a dor e a converte em esquecimento. Não, o perdão não é um apagador divino que risca da memória o traço de quem me feriu. É antes um caminho, um exercício de consciência, uma respiração contínua que me devolve a mim mesma. Descobri que perdoar é escolher não ser eternamente definida pela ferida, não permitir que a cicatriz dite a arquitectura secreta da minha alma. Não controlo o que o outro fez, nem nunca o poderei refazer. A história aconteceu, gravou-se, impregnou-se de uma tal forma que mesmo a minha biologia carrega os ecos da ofensa — porque a dor tem corpo e a memória tem cheiro. Mas se nada posso quanto ao passado, tudo me cabe quanto ao modo como o transporto em mim. O perdão, nesse sentido, não é caridade oferecida ao outro; é a minha libertação. É a recusa firme de respirar eternamen...