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"Aprender"

Apesar das exigências do trabalho, da casa, da família e da fé que me sustenta, nunca deixo de estudar, de questionar e de aprender. Tenho ainda tanto para aprender, tanto para descobrir, que cada dia me parece sempre insuficiente para a vastidão do conhecimento que desejo alcançar. Muitas vezes perguntam-me de onde surgem as ideias que escrevo, qual é a fonte que as alimenta. Respondo, invariavelmente, que brotam da minha própria mente: dessa máquina extraordinária e complexa que é o cérebro, com os seus labirintos de memórias, experiências e pensamentos, onde a criatividade se insinua como uma centelha inesperada. Lamento, contudo, que tantos tenham abdicado de usar esta dádiva inestimável com que nasceram. Preferem o simples, o já feito, o que se apresenta como lógico, racional e conveniente — numa aparência de inteligência que raramente toca a verdadeira profundidade do pensar. Eu, pelo contrário, quero muito mais do que parecer: quero ser. Tudo o que escrevo assenta em conheciment...

🌟 “Uma manhã inteira no infinito: o primeiro dia do segundo ciclo”

 Hoje o meu filho deu o primeiro passo no segundo ciclo. Não foi apenas mais uma manhã, foi uma manhã inaugural, cheia daquele peso invisível que só os começos carregam. O calendário dizia que seria um simples primeiro dia, apenas algumas horas para conhecer a nova escola, os colegas, os professores. Mas no meu coração soube que era mais do que isso: era um rito de passagem subtil, um degrau erguido na construção da sua autonomia. Antes de entrar, olhou-me com aquela clareza desarmante que só os olhos das crianças sabem ter. Disse-me: “Sabias que amo-te infinito?”. E nesse instante compreendi que, apesar da novidade, ele já tinha dentro de si a segurança necessária para enfrentar o desconhecido. Anuí, devolvi-lhe o infinito, e naquele reflexo de amor mútuo reconheci o elo invisível que nos sustentava a ambos. Segurou a minha mão com firmeza e, surpreendendo-me, assegurou-me que não precisava de me preocupar, que tudo iria correr bem. E correu. Mesmo sendo apenas uma manhã, foi o su...

"Um coração de 10 anos"

 Hoje, 13 de setembro, o dia foi simplesmente fenomenal. Desde a manhã que o telemóvel não parava — o meu e o do meu filho — mensagens, chamadas, abraços virtuais. E cada vez que um amigo meu me ligava para me dar os parabéns pelo nascimento do meu filho, eu comover-me-ia, porque percebia que sabiam, no fundo, o quanto os meus filhos são a minha vida. Os amigos dele — não todos, mas os mais próximos — adoraram festejar o aniversário. Os pais estavam felizes, cúmplices, e quem ficou verdadeiramente surpreendida fui eu. Surpreendida pela generosidade, pela comunhão, pelo modo como este dia se desenhou sem que eu o tivesse planeado ao detalhe. Escrevo já, agora, para que fique aqui registado, porque sei que a memória às vezes falha mas a escrita permanece. Nunca imaginei que, na sua tenra idade, na sua suposta imaturidade, o meu filho fosse já tão maduro. Hoje, nos seus 10 anos, mostrou-me um coração que vai para além da idade. A festa realizou-se na casa de uma amiga que, generosamen...

"💫 Amor Infinito"

 Hoje a manhã trouxe-me um daqueles instantes raros, quase secretos, que se guardam no cofre da alma. Acordei sem pressa, entregue ao silêncio repousado de quem acredita que o tempo, por uma vez, se dignou a abrandar. Foi então que o meu filho entrou no quarto, com a naturalidade desarmante das crianças que ainda não aprenderam os disfarces do mundo, e disse-me: “Mãe, sabias que eu te amo infinito?” Sorri. Respondi-lhe com a mesma medida sem medida: “Sei, meu amor. E tu sabes que a mãe também te ama infinito.” Deitei-me ao lado dele, e nesse gesto simples coube todo o universo. Abraçou-me e, no abrigo do meu corpo, adormeceu. Fiquei a contemplá-lo, na serenidade de quem testemunha o mistério de um milagre. Perguntei-me em silêncio: quanto tempo mais terei isto? Não sei, ninguém sabe. Mas sei que cada vez que este ritual se repete, o mundo ganha uma espessura de eternidade. Ele está prestes a entrar no território incerto da adolescência, esse limiar onde tantas vezes a inocência se ...