"Recordar a mão"

 O pós-parto: aquele período glorioso em que a tua dignidade já está a uma viagem de regresso e os "mimos" do hospital se tornam verdadeiras pérolas de humor negro. Entre as maravilhas que o hospital oferece, uma das mais memoráveis é a mítica mão de gelo – uma invenção que faz parecer que a recuperação pós-parto foi desenhada por um comediante com um gosto peculiar por surpresas.

Imagina a cena: acabaste de dar à luz, uma experiência que, por si só, já é digna de um guião de comédia. Estás ali, exausta, a tentar recuperar a tua dignidade e, de repente, surge a enfermeira. A primeira coisa que notaste é que ela parece ter um brilho especial nos olhos, um brilho que diz “estou prestes a fazer algo que vai tornar este momento ainda mais inesquecível”.

Lá vens tu, estirada na cama do hospital, a recuperar dos pontos vaginais que, honestamente, fazem com que te sintas como se tivesses sido passada a ferro. Tudo parece estar a correr bem, até que, num movimento dramático digno de um truque de magia, a enfermeira aparece com uma luva de gelo. Sim, uma luva de gelo, como se fosse o ingrediente secreto de uma receita de recuperação pós-parto!

O suspense é palpável. A enfermeira aproxima-se com uma calma quase zen, como se estivesse prestes a revelar um truque de mágica em vez de algo que, na verdade, se parece mais com uma mão congelada prestes a transformar a tua zona íntima numa pista de patinagem.

E então, como num grande final de espetáculo, ela coloca a luva de gelo – e aí está, o tão aguardado “alívio”. A sensação? Inesquecível. É como se, de repente, a tua vagina tivesse sido convidada para uma festa de gelo, onde não se serve champanhe, mas sim uma mão de gelo congelante. A mistura do frio com a dor cria uma experiência sensorial que é difícil de descrever sem recorrer a analogias de comédia: é uma espécie de choque térmico de tão impressionante quanto um esquilo a tentar patinar no gelo.

Enquanto o gelo desliza sobre os pontos, não consegues evitar uma gargalhada nervosa. É como se o teu corpo estivesse a gritar: "Sério? A sério? Agora também tenho de lidar com isto?" E a enfermeira, que parece achar que isto é o acto final de um espetáculo de comédia, mantêm uma expressão de pura concentração e satisfação profissional. Parece até que está a pensar: "Espera até ver a próxima surpresa!"

O melhor de tudo é que, enquanto estás ali a tentar controlar a sensação de um mini-antárctico na tua zona íntima, a enfermeira continua como se nada estivesse a acontecer. Podes imaginar a conversa nos bastidores do hospital: "Hoje foi um sucesso total! A senhora acabou de ter a experiência completa: parto, pontos e uma luva de gelo – uma verdadeira trilogia de desconforto!"

No final, a luva de gelo torna-se o lembrete perfeito de que, mesmo quando pensas que o humor não poderia mais aumentar, o universo tem sempre uma maneira de te surpreender com um toque final de comédia. É um verdadeiro testemunho de como a vida, no meio da dor e da exaustão, ainda pode oferecer um bom momento de risada – mesmo que seja à custa da tua dignidade e de uma mão congelada.

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