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“Mais Pequeno ou Menor? A Diferença que Confunde Até os Falantes Mais Atentos”

A língua portuguesa tem uma característica fascinante: não se contenta em ter regras. Cria também exceções, subtilezas e pequenas armadilhas destinadas exclusivamente a testar a humildade dos falantes. Uma dessas armadilhas vive discretamente no território dos adjetivos. É a eterna dúvida: mais pequeno ou menor ? À primeira vista parecem dizer exatamente a mesma coisa. E, na prática, muitas vezes dizem. Mas a gramática portuguesa é como certas tias em jantares de família: repara em tudo. Até naquilo que ninguém pediu para reparar. Comecemos pelo princípio. Os adjetivos qualificam. Atribuem características. São os estilistas da língua. Sem eles, a comunicação seria funcional, mas profundamente deprimente. Comparemos: Tenho um cão. Informação. Agora: Tenho um cão pequeno. Já temos imagem. Agora: Tenho um cão pequeno, teimoso e dramaticamente convencido de que é dono da casa. E pronto. Criámos literatura. Os adjetivos fazem isto. Vestem os substantivos...

“A Língua Portuguesa e a Arte de Humilhar Adultos Funcionais”

Há um momento na vida de qualquer falante de português em que a autoconfiança desaparece. Não é quando recebe uma carta das Finanças. Embora seja semelhante. É quando precisa de escrever: “Se eu vir…” E o cérebro, subitamente, entra em modo de emergência. Porque a língua portuguesa possui um passatempo muito específico: humilhar pessoas perfeitamente alfabetizadas. Uma pessoa pode: ter licenciatura; mestrado; doutoramento; carreira internacional; publicar artigos científicos; gerir equipas; falar três línguas; e, ainda assim, parar durante quinze segundos diante de: “Se eu vir” ou “se eu ver”? A gramática portuguesa é assim. Nunca perde uma oportunidade de lembrar-nos que a soberba é pecado. A resposta correta é: Se eu vir. Sim. “Vir”. E aqui começa o pequeno thriller linguístico. Porque o verbo é: ver Mas no futuro do conjuntivo transforma-se em: quando eu vir se eu vir logo que eu vir E é neste momento que metade da população lusófona...

“O Erro de Português que Inverte o Sentido de Uma Frase Inteira”

A língua portuguesa é extraordinária. Consegue transformar uma única preposição num desastre diplomático. Porque há expressões que parecem sinónimas, vivem lado a lado, frequentam as mesmas frases e até se vestem de maneira semelhante — mas, no fundo, querem exactamente o contrário uma da outra. É o caso destas duas criaturas gramaticais: ao encontro de de encontro a À primeira vista parecem irmãs. Na realidade, são rivais. Quase inimigas. A diferença é tão grande que trocar uma pela outra é o equivalente linguístico a confundir: casamento com divórcio; remédio com veneno; ou uma reunião produtiva com uma reunião que podia ter sido um e-mail. Comecemos pela mais simpática. Ir ao encontro de Esta expressão indica aproximação, concordância, satisfação ou harmonia. Quando algo vai ao encontro de outra coisa, aproxima-se dela de forma positiva. Exemplos: A proposta vai ao encontro das necessidades dos trabalhadores. Excelente. Há entendimento. Civilização. E...