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"Setembro: entre bifanas e listas escolares"

 Setembro não é um mês: é uma prova olímpica de resistência física, financeira e emocional. Enquanto metade da humanidade chora o fim do verão, eu enfrento a dupla maratona anual: o aniversário do meu filho — que, numa escolha cósmica de calendarização, nasceu em plena Festa da Terra — e a rentrée escolar. Imaginem o cenário: o miúdo a soprar velas, e no fundo o altifalante da festa a anunciar “senhor António, a sua bifana está pronta ao balcão!”. Há crianças que fazem anos em jardins encantados; o meu faz anos num terreiro a cheirar a grelhador. O bolo divide espaço na mesa com batatas fritas, cervejas e guardanapos transparentes de tanto óleo. É de uma autenticidade sociológica que faria inveja a qualquer antropólogo. Mas este ano, como se o destino quisesse aumentar a intensidade dramática, o meu filho entrou no segundo ciclo. Um marco! Uma etapa solene! Uma espécie de Bar Mitzvah académico, só que em vez de cânticos hebraicos, recebemos listas de material escolar. E aqui, caros...

"As festas..."

 As festas da terra têm uma maneira única de surpreender, e a última foi uma daquelas noites para recordar. Estava eu a aproveitar a pista de dança, entregue à música, quando de repente senti um toque no meu cabelo. Era um toque leve, quase como uma cócega, e eu virei-me rapidamente para a minha prima, que estava ao meu lado, e perguntei: “Mexeste no meu cabelo?” Ela, com um sorriso travesso, respondeu que não. Achei um pouco estranho, mas continuei a dançar, sem dar muita importância. No entanto, o toque persistia. Virei-me para trás e lá estavam um grupo de miúdas com cerca de dezoito anos, a dançar e a rir, como se fossem as estrelas da noite. Não as conhecia, mas parecia que estavam a fazer a própria festa. A situação começou a ficar cada vez mais estranha. Em vez do toque no cabelo, senti algo diferente a mexer-se nas minhas costas, depois desceu para os glúteos. Virei-me rapidamente e, com alguma surpresa, encontrei as mesmas miúdas, a dançar com uma energia contagiante, e a ...

"Maternidade."

 Entrar no hospital para dar à luz é como comprar um bilhete de ida para um parque temático do terror, mas sem saberes bem em que atração vais parar. Podes acabar num passeio calmo (duvido!), numa montanha-russa descontrolada, ou, como foi o meu caso, numa espécie de casa assombrada onde os sustos vêm de onde menos esperas e a tua dignidade? Essa foi deixada à porta, entregue à rececionista como quem entrega o casaco num restaurante. Primeira experiência: A Cesariana Emergencial – Quando o bebé decide fazer uma saída dramática Tudo começou com a ilusão de que ia ter um parto natural. Porque sim, eu também caí na armadilha do "tu consegues, mulher!", com aqueles vídeos motivacionais onde as mães parecem deusas terrenas, suadas, mas gloriosas, e com música relaxante ao fundo. Claro, não me avisaram que a realidade estaria mais próxima de um episódio de "House" com direito a uma cesariana de emergência. Ali estava eu, cheia de otimismo, já a meio de horas de trabalho d...

"Sexo"

Ah, o parque, esse refúgio de paz onde a natureza se entrelaça com os devaneios mais íntimos das nossas mentes. Sentada ali, no banco, ao lado da minha prima, com o sol a aquecer-nos a pele e o som dos patos a esvoaçar pelo lago, o cenário parecia perfeito para uma conversa sobre qualquer coisa – mas por que não, então, sobre o sexo, esse tema que tanto intriga-nos e fascina? E foi aí que a conversa tomou aquele rumo inesperado, mas deliciosamente inevitável. A começar por aquelas histórias de encontros passados, de olhares trocados com promessas silenciosas e de noites em que o desejo falou mais alto do que qualquer convenção social. Porque, sejamos sinceras, há um certo prazer em recordar os momentos em que o corpo fala mais alto que a mente, e em que a pele se torna o palco de um espetáculo onde somos, simultaneamente, protagonistas e espectadoras. Agora, há que esclarecer algo: no reino dos prazeres carnais, sou um tanto quanto... dominadora, para não dizer mesmo despótica. Ah, sim...