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"Manifesto das Escolhas — Pedir Desculpa, Perdoar, Esquecer"

As escolhas da vida são o mapa secreto da nossa transformação. Nada nos define mais do que aquilo que decidimos fazer, dizer ou calar. Somos, em última instância, o somatório das nossas escolhas, a colheita de cada decisão plantada no terreno da existência. Na jornada que percorro, percebo que todos enfrentamos momentos em que somos chamados a escolher entre três gestos aparentemente simples, mas de uma complexidade avassaladora: pedir desculpa, perdoar, esquecer . Cada um destes gestos é uma prova. Cada um exige de nós uma força emocional única, uma coragem interior que nem sempre julgamos possuir. Pedir desculpa é o primeiro grande desafio. Porque não se trata apenas de pronunciar palavras. É um acto de coragem radical: admitir erros, reconhecer a dor que provocámos, despirmo-nos do orgulho que tantas vezes nos serve de falsa proteção. Pedir desculpa é como despir a armadura diante do outro, mostrando a vulnerabilidade do nosso erro. É dizer: “eu falhei, mas quero reconstruir.” ...

"Hoje, quando a vi"

 Hoje tirei a manhã para estar com ela. Já não a via há um ano. É estranho como o tempo pode ser tão breve e tão infinito ao mesmo tempo. Quando finalmente a vi, senti o corpo a falhar. O peito apertou-se, as pernas tremeram, o mundo girou à minha volta e tive de me sentar, porque o meu síndrome vasovagal não me perdoa quando as emoções me atropelam de forma tão brutal. Sorri, para disfarçar, e deixei as lágrimas caírem. Disse que eram de felicidade — e eram. Mas não só. Eram também de dor, de medo, de impotência. Não estava preparada para a ver assim. O Parkinson levou-lhe um pouco da leveza, da firmeza, da segurança que sempre vi nela. E ao mesmo tempo, ali estava ela: a mesma amiga, a mesma mulher que tantas vezes me segurou nos braços quando eu não tinha nada. Ela foi casa quando eu não tinha onde ficar. Ela foi pão quando eu tinha fome. Ela foi silêncio e escuta quando a minha dor não tinha palavras. Ela foi mãe, sem ser sangue. E agora, diante de mim, estava frágil. Mas mesmo...