"Porque me apetece."
O signo Caranguejo... Sou eu, na minha essência. Entre marés de emoções, intuição aguçada e uma inteligência que, por vezes, prefiro esconder sob a minha carapaça. Sim, eu sou dessas que aparenta calma, mas por dentro, oh, por dentro há um oceano de pensamentos, emoções e raciocínios que poucos conseguem acompanhar. E não é por acaso que nasci sob este signo, que é regido pela Lua, aquela que influencia as marés, e, claro, as minhas emoções. A cada fase lunar, parece que sou puxada para direções que só a minha intuição entende, mesmo quando a lógica do mundo exterior grita o contrário.
E sim, sou intuitiva. Talvez até demais. Não me venham com explicações racionais quando o meu instinto já me sussurrou a verdade há muito tempo. Sinto as pessoas antes mesmo de elas falarem, leio as entrelinhas com uma facilidade quase assustadora. É como se eu tivesse um radar invisível para captar o que está oculto nas palavras, nas expressões, nos gestos que outros não percebem. É verdade, às vezes até parece que posso adivinhar o que está para acontecer. E, muitas vezes, acerto. Não porque tenho algum dom místico, mas porque a minha sensibilidade capta vibrações que escapam aos olhos menos atentos.
No entanto, esta sensibilidade não significa fragilidade. Pelo contrário. A minha inteligência emocional é uma arma poderosa. Enquanto alguns se perdem em números e factos, eu desvendo os sentimentos e motivações das pessoas como quem resolve um quebra-cabeças complexo. Há uma força enorme em saber exatamente como os outros se sentem, mesmo que nem eles próprios tenham consciência disso. A minha leitura do mundo vai muito além da superfície. É uma mistura de razão e emoção, de instinto e observação. E é aí que a minha inteligência se manifesta. Eu percebo os cenários antes de qualquer explicação ser dada. Sou estratega nas relações humanas. Sei quando me aproximar, e sei quando recuar — afinal, o Caranguejo move-se sempre lateralmente, mas nunca perde de vista o que realmente importa.
A verdade é que, por detrás da minha aparente timidez e reserva, há uma mente a fervilhar de ideias. Sou observadora, às vezes até demais, e prefiro absorver tudo à minha volta antes de me pronunciar. Enquanto os outros falam, eu penso. Enquanto os outros se expõem, eu calculo. Mas quando falo, o faço com certeza. E se me parece que estou num ambiente seguro, onde não me sinto ameaçada, podem esperar uma avalanche de ideias, teorias e, claro, aquele meu humor negro que poucos entendem, mas que os que conhecem bem sabem ser uma das minhas características mais marcantes. Afinal, rir da vida, das suas contradições e ironias, é uma forma de sobreviver ao caos emocional que, por vezes, me invade.
Agora, voltando à questão da proteção, essa característica tão caranguejo que se confunde com a minha própria natureza... É verdade que sou protetora, e muito. Mas a minha proteção não é só física ou emocional — é também intelectual. Gosto de proteger as minhas ideias, as minhas crenças, a minha visão do mundo. Não entrego facilmente os meus pensamentos mais profundos, pois são preciosos. Só os partilho com quem considero merecedor dessa confiança, com quem conseguiu atravessar as minhas defesas.
E se por vezes pareço viver no passado, é porque, para mim, as memórias são tesouros. São as peças do puzzle que formam quem sou hoje. Não é nostalgia, não é fraqueza — é inteligência emocional, pura e dura. Aprendo com cada experiência, cada cicatriz que carrego. O passado, para mim, não é um lugar de refúgio, mas sim uma biblioteca infinita de lições, sentimentos e momentos que moldam a forma como encaro o presente.
Dizem que os Caranguejos são inseguros. Eu prefiro chamar-lhe prudência. Não me atiro de cabeça a qualquer situação. Prefiro medir as marés, observar o vento, e só depois avançar. E, claro, sempre com um plano de fuga em mente, porque, bem, não posso ignorar a minha natureza. Sou cautelosa, sim. Mas essa cautela só realça a minha inteligência. Não me exponho facilmente ao erro, porque já vi de tudo um pouco. Se erro, é porque, lá no fundo, eu já tinha previsto a queda, mas decidi arriscar mesmo assim — às vezes, só para provar que também posso cometer loucuras. A diferença é que, mesmo nas loucuras, eu continuo a pensar.
Assim sou eu, uma caranguejo. Complexa, contraditória, movida pela intuição e governada por uma mente afiada que raramente se deixa enganar. Um coração que ama profundamente, uma mente que pensa profundamente, e uma alma que sente... sempre profundamente. E se isso assusta? Talvez. Mas é assim que o oceano funciona: cheio de mistérios por descobrir, tal como eu.
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