"A Liberdade de Ser Julgada: Monólogo entre Pessoa e Eu"
Ontem, uma amiga enviou-me uma frase pelo WhatsApp — “A tua maior conquista é aceitar que o que os outros pensam de ti é problema deles” . E eu sorri. Sorri com aquele sorriso cúmplice de quem reconhece uma verdade antiga, já pressentida, já vivida. Disse-lhe, sem hesitar: “ concordo plenamente, vou utilizar!" Aqui está. E aqui estou, a transformar essa frase simples num rio de palavras, porque em mim nada é simples: tudo se expande, tudo se multiplica, tudo se torna reflexão. Há muito tempo que faço este exercício de desapego. Mas, paradoxalmente, nunca deixa de ser difícil. Porque o olhar dos outros é como um espelho deformado: devolve-me versões de mim que não reconheço, mas que, por vezes, quase acredito. Quantas vezes não me vi através de opiniões que nada tinham a ver comigo? Quantas vezes fui demasiado para uns e insuficiente para outros? Pessoa, com o seu humor melancólico, teria achado graça. Ele, que foi “tudo de todas as maneiras”, sabia que nenhuma interpretação extern...