"É..."
Há uma forma subtil de aprisionamento que não se impõe com grades visíveis, nem com ordens explícitas, nem com qualquer tipo de coerção directa. É mais silenciosa, mais insidiosa, mais socialmente aceite — e, talvez por isso, mais perigosa. É a prisão da opinião alheia. Não se entra nela de um dia para o outro. Vai-se cedendo. Primeiro, um ajuste mínimo — uma palavra que não se diz, uma escolha que se adia, uma opinião que se suaviza. Depois, uma adaptação mais evidente — um comportamento moldado, uma decisão evitada, uma versão de nós que começa a ser editada para caber melhor no olhar do outro. E, quando damos por nós, já não estamos a viver: estamos a corresponder. Correspondemos a expectativas que não definimos. A critérios que não escolhemos. A narrativas que não nos pertencem. E, nesse processo de constante adaptação, algo essencial começa a diluir-se: a nossa identidade vivida. Porque agradar a todos não é apenas impossível — é incompatível com a integridade. Há sempre algu...