"Há encontros que a vida permite... mas a consciência não."
Há dores que nascem da ausência. Mas talvez a mais profunda de todas não seja aquela provocada pela perda. É aquela em que duas almas se reconhecem, duas consciências se encontram, dois corações descobrem uma afinidade rara... e, ainda assim, escolhem permanecer à distância. Não porque lhes falte amor. Mas porque lhes sobra consciência. Vivemos numa época que fala muito de amor e muito pouco de responsabilidade. Como se amar fosse apenas sentir. Como se bastasse desejar para que tudo se tornasse legítimo. Mas a experiência humana é infinitamente mais complexa. Nem todo o amor foi chamado a transformar-se numa relação. Nem toda a ligação profunda foi criada para ser vivida da forma que o coração imagina. Há encontros que chegam apenas para nos recordar quem somos. Há pessoas que entram na nossa vida sem fazer barulho e, quase sem percebermos, reorganizam o nosso universo interior. Não porque sejam perfeitas. Mas porque despertam em nós capacidades, sensibilidades e formas de sentir que ...