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"Estudo"

As Sete Igrejas do Apocalipse (Capítulos 2–3) Depois da visão inaugural de Cristo glorificado, o texto torna-se surpreendentemente concreto. A revelação dirige-se a comunidades reais, com problemas reais. Antes de falar do fim do mundo, Deus fala da conversão presente da Igreja . Isto é fundamental: o Apocalipse não começa por julgar a História — começa por julgar o coração dos crentes. Quem fala é sempre Jesus Cristo , apresentado como Senhor que conhece profundamente cada comunidade: “Eu conheço as tuas obras.” Na teologia bíblica, este “conhecer” não é informação — é olhar que penetra a verdade da pessoa. Cada carta segue a mesma estrutura: Cristo revela-Se com um atributo da visão do capítulo 1. Reconhece o bem existente. Denuncia o desvio. Chama à conversão. Promete uma recompensa escatológica. É uma pedagogia espiritual: Deus corrige para salvar, não para condenar. A Igreja de Éfeso — A fé sem amor É uma comunidade exemplar na doutrina: combate...

"Apocalipse... Estudo"

O Prólogo e a Visão Inicial do Apocalipse (Capítulo 1) O primeiro capítulo do Apocalipse não é, antes de mais, um anúncio de catástrofes, como muitas leituras modernas sugerem. É, essencialmente, uma revelação de Cristo glorificado e uma introdução teológica ao sentido da História à luz de Deus. A palavra “apocalipse” (do grego apokálypsis ) significa desvelamento , retirar o véu. Não é um livro de medo — é um livro de esperança escatológica. A Origem da Revelação (Ap 1,1-3) O texto começa com uma cadeia de transmissão muito clara: Deus → Jesus Cristo → Anjo → João → Igreja Aqui encontramos o princípio fundamental da teologia da revelação: Deus permanece a fonte, Cristo é o mediador e a Igreja é a destinatária. O autor identifica-se como João de Patmos , não tanto como escritor, mas como testemunha . Ele não reivindica autoria intelectual; ele transmite o que viu. Esta estrutura mostra que: A história não é caótica. A revelação não nasce da imaginação humana. A I...

"Missa"

 Hoje, ao abrir o Messenger e ao percorrer as mensagens que me haviam sido enviadas, deparei-me com algumas observações que me feriram — não pela discordância, que é legítima e até saudável, mas pela forma apressada, desinformada e, permitam-me a franqueza, ignorante como foram formuladas. Peço desculpa pela dureza do termo, mas não encontro outro que exprima, com rigor, aquilo que senti ao ler palavras escritas sem conhecimento daquilo que se julgava criticar. Se eu sou católica, falo da fé que abracei. Comento aquilo que escolhi viver. Não me compete pronunciar-me sobre religiões que desconheço, pois fazê-lo seria, precisamente, cair na tal ignorância que tanto lamento. Mesmo dentro da minha própria Igreja, caminho com prudência e humildade: sou católica há pouco tempo. Estou a aprender. Estou a escutar. Estou a deixar-me formar. Ainda assim, sinto-me no dever de responder — não individualmente, não expondo nomes, mas diante de todos — porque a fé, quando é vivida com verdade, n...

"Leve"

 Tenho um apreço quase visceral pelo que é simples. Não pela simplicidade ingénua que ignora a complexidade do mundo, mas por aquela que nasce depois de a complexidade ter sido compreendida. A simplicidade que permanece após o excesso ter sido descartado. Como escreveu Leonardo da Vinci , “A simplicidade é o último grau de sofisticação.” E talvez seja isso que procuro: não o rudimentar, mas o depurado. Vivemos numa era em que a aparência ganhou estatuto de substância. Contudo, continuo a admirar quem não precisa de se ampliar para ser visto. Há uma grandeza silenciosa em quem é exactamente o que é. Sócrates lembrava que “a vida não examinada não merece ser vivida.” Eu diria que a vida exagerada para impressionar também não merece ser representada. A autenticidade é mais rara do que o talento; mais valiosa do que o aplauso. Gosto de quem sente sem cálculo. Num mundo onde até os afectos podem ser estratégicos, encontrar alguém que torce genuinamente pelo bem do outro é quase um ...

"É isto..."

 Ao longo da vida acumulamos encontros como quem atravessa estações sucessivas. Rostos, nomes, conversas, promessas — alguns ficam apenas como vestígios na memória; outros cumprem um papel preciso, quase funcional, e seguem o seu percurso. A maioria pertence ao tempo. Poucos pertencem à permanência. Há pessoas que entram por acaso, como coincidências que a vida ensaia. Outras surgem por necessidade, quando somos ainda incapazes de atravessar sozinhos determinados territórios. Mas existem aquelas — raras e silenciosamente decisivas — que permanecem por escolha consciente. E permanecer, no mundo de hoje, é talvez o gesto mais revolucionário. Essas pessoas não se prendem à estabilidade das circunstâncias. Caminham connosco quando o trajecto se redefine, quando o ritmo abranda, quando as certezas que julgávamos estruturais se revelam provisórias. Não se aproximam apenas da luz; ficam quando atravessamos sombra. E isso não é romantismo — é maturidade afectiva. A verdadeira presença n...

"Continuo a escrever"

 Boa noite. Escrevo estas palavras com a mesma intenção com que, há anos, seguro uma caneta: não para ocupar espaço, mas para lhe dar sentido. Continuo a escrever. Nunca deixei de o fazer. Apenas respeito um ritual que para mim não é detalhe, mas essência. Antes de qualquer palavra surgir neste espaço digital, ela nasce no papel. Precisa do silêncio da folha, do peso da tinta, da pausa entre uma frase e outra. Escrevo primeiro com o corpo — com a mão que sente, com o pensamento que amadurece, com a emoção que encontra forma antes de procurar público. A paixão pelo papel não é nostalgia; é método interior. É ali que penso com mais profundidade, que erro com mais liberdade, que sinto sem a pressão da publicação imediata. O papel obriga-me a demorar. E, numa época em que tudo é instantâneo, demorar tornou-se um acto quase subversivo. Tenho estado bastante ocupada. A vida exige presença, e nem sempre o tempo se organiza com a generosidade que desejaríamos. Por isso, a passagem dos ...

"Pressa"

 Há uma pressa silenciosa que atravessa muitas vidas: a pressa de explicar, de justificar, de ser compreendida antes que o tempo faça perguntas. Quem vive assim gasta uma energia imensa a tentar alinhar o mundo à sua volta, como se a verdade precisasse de ser empurrada para existir. Mas a sabedoria começa quando essa urgência se dissolve. Agir com consciência é perceber que o tempo não responde à ansiedade — responde à coerência. O tempo observa, acumula, decanta. Revela o que é autêntico, expõe o que é fingido, ajusta o que estava fora do lugar. Não por vingança, nem por justiça poética, mas por natureza. Não há nada a convencer. Nem pessoas, nem circunstâncias, nem narrativas. A tentativa de convencer nasce quase sempre do medo de perder controlo sobre a forma como somos vistos. E, paradoxalmente, quanto mais se explica, mais se fragiliza aquilo que era sólido. O silêncio, ao contrário do que se pensa, não é ausência de voz — é escolha. É um gesto de maturidade. Preserva ...

"Beleza"

 A beleza mais pura não nasce onde tudo está resolvido. Nasce no lugar da dúvida, da fratura, da inquietação que nos obriga a olhar para dentro quando preferíamos desviar o olhar. É no ponto exacto da insegurança — esse território instável — que a identidade começa a ganhar forma. O mundo, incapaz de lidar com o que não controla, apressa-se a nomear. Rotula para reduzir, classifica para não ter de compreender. “Estranha.” “Esquisita.” “Demasiado.” Mas aquilo que é chamado de excesso raramente o é por falta de medida; é excesso apenas para quem vive contido. Entramos na vida muitas vezes já marcadas por expectativas alheias, carregando julgamentos que antecedem qualquer gesto nosso. Subimos ao palco com medo, conscientes de que ser autêntica implica risco. No entanto, é precisamente aí que acontece a transformação: quando deixamos de representar, quando recusamos a versão domesticada de nós mesmas. A autenticidade não garante aplausos imediatos. Garante algo mais raro: coerência...

"A pressa "

 Há pessoas que vivem com pressa. Pressa de serem compreendidas, pressa de serem validadas, pressa de verem as coisas resolvidas à sua maneira e no seu tempo. Nessa urgência constante, acabam por gastar energia a convencer — a convencer os outros, a convencer as circunstâncias, a convencer até a própria vida de que têm razão, de que merecem resposta, de que precisam ser ouvidas. Mas a sabedoria começa precisamente onde essa pressa termina. Quem age com maturidade interior aprende algo essencial: o tempo não se discute, respeita-se. E quando é respeitado, o tempo revela o que nenhuma explicação consegue sustentar. Ensina sem violência, alinha sem imposição e coloca cada coisa no seu devido lugar com uma precisão silenciosa e inevitável. Não é preciso convencer nada nem ninguém. A tentativa de convencer nasce quase sempre do medo — medo de não ser visto, de ser mal interpretado, de perder espaço. E, paradoxalmente, quanto mais se tenta provar, mais se perde força. Há verdades ...

"Nome — Meditação Íntima sobre Identidade, Misericórdia e Glória"

Olha… falo contigo devagar, quase em sussurro, como quem se senta ao lado de alguém ao entardecer. E gostava muito que pudesses guardar no coração o que te vou dizer — não como uma frase bonita, mas como uma verdade capaz de te acompanhar quando o silêncio pesa. Aprendi, com o tempo e com a fé, que a batalha mais decisiva raramente acontece fora de nós. Ela desenrola-se no lugar invisível onde as vozes disputam o sentido da nossa identidade. E é aí que se revela uma diferença essencial, quase abissal, entre a voz que acusa e a voz que chama. O diabo conhece o teu nome, mas escolhe chamar-te pelos teus erros. Ele não ignora a tua história; pelo contrário, conhece-a bem demais. Mas reduz-te a fragmentos: quedas, falhas, incoerências, momentos de sombra. A sua estratégia é antiga e persistente: convencer-te de que és a soma do que fizeste de errado, de que não existe em ti nada para além da culpa. A acusação constante não quer conversão, quer paralisia. Não quer cura, quer desespero. Deus...