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"As Borboletas Têm Prazo de Validade"

Vivemos numa época curiosa. Uma época que transformou a paixão numa religião, as emoções em oráculos e as borboletas no estômago numa espécie de certificado oficial de compatibilidade amorosa. Conheço a teoria. Olhou. Sorriu. Sentiu um arrepio. O universo alinhou os planetas. Tocou uma música qualquer ao fundo. Fim da história. Ou melhor: início do equívoco. Porque a verdade é bem menos cinematográfica e muito mais interessante. A atração aproxima. A química aproxima ainda mais. Mas nenhuma delas sabe construir uma vida. A química cria proximidade. A maturidade cria permanência. E são coisas radicalmente diferentes. A atração é um acontecimento. O amor é uma decisão. A paixão aparece sem pedir autorização. O compromisso exige trabalho, consciência e uma quantidade surpreendente de paciência que raramente aparece nos filmes românticos. Aliás, se os relacionamentos dependessem apenas das famosas borboletas na barriga, a humanidade teria sido extinta há séculos por excesso de entomologia ...

"O Correio da Vida Tem Péssimo Serviço de Triagem"

Há uma característica particularmente irritante na existência humana: ninguém recebe exactamente aquilo que encomendou. A vida tem muitos talentos, mas a logística não parece ser um deles. Pedimos compreensão e recebemos críticas. Procuramos presença e encontramos ausências. Oferecemos confiança e, ocasionalmente, recebemos decepções embrulhadas em papel de cortesia. Há dias em que parece que o Universo contratou a empresa errada para gerir as entregas. E, no entanto, existe uma verdade simples que os anos me ensinaram: raramente escolhemos aquilo que nos chega às mãos, mas escolhemos quase sempre aquilo que decidimos colocar nelas antes de as estender aos outros. Não controlamos todas as circunstâncias. Não controlamos todas as pessoas. Não controlamos todas as perdas, injustiças ou desilusões. Aliás, se alguém descobrir como controlar completamente os seres humanos, agradeço que não me conte. A História demonstra que essas experiências costumam terminar mal. Mas existe um território ...

"Manual de Instruções Não Incluído"

Há pessoas que entram numa sala e procuram uma cadeira. Eu entro e procuro o manual de instruções da sala. Não porque pretenda reorganizar o mobiliário, liderar uma revolução arquitectónica ou fundar um movimento internacional contra cadeiras. Simplesmente gosto de perceber porque razão as coisas são como são. Talvez seja por isso que, desde cedo, desenvolvi uma relação complicada com as certezas absolutas. Sempre me intrigou a facilidade com que a humanidade transforma opiniões em dogmas, hábitos em leis naturais e convenções temporárias em mandamentos aparentemente eternos. Basta uma ideia sobreviver durante alguns anos para começar a comportar-se como se tivesse sido criada juntamente com o Universo. É um fenómeno fascinante. E ligeiramente cómico. Alguém toma uma decisão em 1987. Ninguém a questiona durante três décadas. Subitamente, a decisão adquire estatuto quase mitológico e passa a ser defendida como se tivesse descido do céu gravada em pedra. Quando alguém pergunta "porq...

"O Mistério de “Porque”, “Porquê”, “Por que” e “Por quê”: Um Crime Ortográfico em Quatro Atos"

Há perguntas difíceis na vida. Quem construiu as pirâmides? Existe vida noutros planetas? Porque é que abrimos o frigorífico de dois em dois minutos à espera de que apareça comida nova? Mas nenhuma destas questões se aproxima do verdadeiro abismo intelectual da língua portuguesa: porque porquê por que por quê Quatro formas. As mesmas palavras. Quatro grafias diferentes. E a sensação permanente de que a ortografia portuguesa foi desenhada por um grupo de linguistas excessivamente criativos durante uma tarde particularmente longa. Há adultos perfeitamente funcionais que: pagam impostos; criam filhos; gerem empresas; fazem declarações fiscais sem ajuda; mas, diante destes quatro “porquês”, entram imediatamente num estado psicológico semelhante ao de um veado perante os faróis de um automóvel. A primeira reação costuma ser: “Isto é tudo a mesma coisa.” Não é. A segunda reação: “Ninguém sabe usar isto.” Também não é verdade. Há quem saiba. São poucos. Vivem discretamente entre nós. Corrigem...

"São Gregório VII: o Centésimo Quinquagésimo Quinto Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Alexandre II, a Igreja de Roma elegeu Gregório VII , reconhecido como o centésimo quinquagésimo quinto Papa da Igreja Católica e sucessor de Alexandre II na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1073 e 1085 da era cristã e é considerado um dos mais importantes da história da Igreja. Gregório VII foi o principal protagonista da chamada Reforma Gregoriana , um vasto movimento destinado a renovar a vida eclesiástica e a afirmar a independência da Igreja perante o poder secular. Origem e formação Gregório VII nasceu por volta do ano 1020 em Soana , na Toscana, atual Itália. O seu nome de nascimento era Hildebrando de Soana . Recebeu formação religiosa em Roma e destacou-se desde cedo pela sua inteligência, austeridade e dedicação à reforma da Igreja. Serviu vários papas como conselheiro e colaborador próximo, tornando-se uma das figuras mais influentes da Cúria Romana. Eleição ao papado Após a morte de: Alexandre II o clero e o povo de Roma manif...

"Alexandre II: o Centésimo Quinquagésimo Quarto Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Nicolau II, a Igreja de Roma elegeu Alexandre II , reconhecido como o centésimo quinquagésimo quarto Papa da Igreja Católica e sucessor de Nicolau II na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1061 e 1073 da era cristã e foi um dos mais importantes do século XI. Alexandre II deu continuidade às reformas iniciadas pelos seus predecessores e preparou o caminho para o grande pontificado de Gregório VII. Origem e formação Alexandre II nasceu em Baggio , perto de Milão, no norte da Itália. O seu nome de nascimento era Anselmo de Baggio . Recebeu sólida formação religiosa e destacou-se pela sua piedade e pelo seu empenho na reforma da Igreja. Antes da sua eleição para o papado, foi bispo de Lucca e tornou-se uma figura importante do movimento reformador. Eleição ao papado Após a morte de: Nicolau II os cardeais aplicaram pela primeira vez, em grande escala, as normas estabelecidas pelo decreto: In Nomine Domini Anselmo foi eleito Papa em 1061 , adop...

“Mais Pequeno ou Menor? A Diferença que Confunde Até os Falantes Mais Atentos”

A língua portuguesa tem uma característica fascinante: não se contenta em ter regras. Cria também exceções, subtilezas e pequenas armadilhas destinadas exclusivamente a testar a humildade dos falantes. Uma dessas armadilhas vive discretamente no território dos adjetivos. É a eterna dúvida: mais pequeno ou menor ? À primeira vista parecem dizer exatamente a mesma coisa. E, na prática, muitas vezes dizem. Mas a gramática portuguesa é como certas tias em jantares de família: repara em tudo. Até naquilo que ninguém pediu para reparar. Comecemos pelo princípio. Os adjetivos qualificam. Atribuem características. São os estilistas da língua. Sem eles, a comunicação seria funcional, mas profundamente deprimente. Comparemos: Tenho um cão. Informação. Agora: Tenho um cão pequeno. Já temos imagem. Agora: Tenho um cão pequeno, teimoso e dramaticamente convencido de que é dono da casa. E pronto. Criámos literatura. Os adjetivos fazem isto. Vestem os substantivos...