"Pressa"
Há uma pressa silenciosa que atravessa muitas vidas: a pressa de explicar, de justificar, de ser compreendida antes que o tempo faça perguntas. Quem vive assim gasta uma energia imensa a tentar alinhar o mundo à sua volta, como se a verdade precisasse de ser empurrada para existir. Mas a sabedoria começa quando essa urgência se dissolve. Agir com consciência é perceber que o tempo não responde à ansiedade — responde à coerência. O tempo observa, acumula, decanta. Revela o que é autêntico, expõe o que é fingido, ajusta o que estava fora do lugar. Não por vingança, nem por justiça poética, mas por natureza. Não há nada a convencer. Nem pessoas, nem circunstâncias, nem narrativas. A tentativa de convencer nasce quase sempre do medo de perder controlo sobre a forma como somos vistos. E, paradoxalmente, quanto mais se explica, mais se fragiliza aquilo que era sólido. O silêncio, ao contrário do que se pensa, não é ausência de voz — é escolha. É um gesto de maturidade. Preserva ...