"Adeus"
Como se diz adeus a alguém que se ama profundamente? Há perguntas que não se deixam domesticar pela linguagem. Não cabem em respostas lineares, nem se resolvem na lógica do entendimento. Habitamos nelas. E, de certa forma, somos por elas habitados. Esta é uma dessas perguntas — uma que regressa, que amadurece connosco, que se reescreve à medida que o tempo nos transforma. Olho para o espelho e detenho-me nos detalhes que outrora me passariam despercebidos: a inclinação do rosto, a sombra de um gesto, a maneira como o olhar se demora. Há em mim vestígios dela — não como uma cópia, mas como uma continuidade silenciosa. E então penso, com uma espécie de espanto sereno: passaram onze anos. Onze anos desde que partiu, e, no entanto, há presenças que não se esgotam na ausência. Apenas mudam de lugar. Dizer adeus nunca foi, nem será, um acontecimento isolado. Não acontece no instante da perda, nem se encerra no rito da despedida. O adeus instala-se. Torna-se um processo contínuo, quase o...