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"A Paz Também Se Escolhe"

Há uma ideia que a experiência me ensinou de forma lenta e irreversível: ninguém habita o mundo em estado de pureza absoluta, nem em isolamento moral. A vida não é um espaço neutro onde a consciência se exerce em liberdade plena; é antes um território denso, atravessado por relações, expectativas, linguagens herdadas e formas subtis de pertença que nos antecedem e nos ultrapassam. Nunca escolho inteiramente os lugares por onde passo, nem as pessoas com quem convivo, nem os códigos implícitos que regulam o que pode ou não ser dito, feito ou sentido. Há ambientes onde a lucidez é valorizada e outros onde ela se torna incómoda. Há contextos que ampliam a subjetividade e outros que a comprimem até à quase invisibilidade. E, ainda assim, é nesse interior condicionado que se vai desenhando aquilo a que chamamos identidade. Durante muito tempo interroguei-me sobre uma questão essencial. Como se preserva a integridade num mundo que, de forma tão subtil quanto constante, nos convida a ajustarmo...

"Celestino III: o Centésimo Septuagésimo Terceiro Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Clemente III, a Igreja de Roma elegeu Celestino III , reconhecido como o centésimo septuagésimo terceiro Papa da Igreja Católica e sucessor de Clemente III na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1191 e 1198 da era cristã e foi marcado pelas relações complexas com o Sacro Império Romano-Germânico, pelo fim da Terceira Cruzada e pelo fortalecimento da autoridade da Igreja na Europa. Origem e formação Celestino III nasceu em Roma , por volta do ano 1106 . O seu nome de nascimento era Giacinto Bobone Orsini . Pertencia à influente família Orsini e recebeu sólida formação em teologia, direito e administração eclesiástica. Antes de ser eleito Papa, serviu durante muitos anos como cardeal-diácono, tornando-se um dos membros mais experientes do Colégio Cardinalício. Eleição ao papado Após a morte de: Clemente III os cardeais elegeram Giacinto Bobone Orsini em 30 de março de 1191 , que adoptou o nome de Celestino III. Tinha cerca de 85 anos , sendo ...

"Clemente III: o Centésimo Septuagésimo Segundo Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Gregório VIII, a Igreja de Roma elegeu Clemente III , reconhecido como o centésimo septuagésimo segundo Papa da Igreja Católica e sucessor de Gregório VIII na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1187 e 1191 da era cristã e foi marcado pela continuação dos esforços para organizar a Terceira Cruzada , pela reconciliação com a cidade de Roma e pelo fortalecimento da autoridade da Sé Apostólica. Origem e formação Clemente III nasceu em Roma . O seu nome de nascimento era Paolo Scolari . Recebeu sólida formação eclesiástica e destacou-se pela sua capacidade diplomática e administrativa. Antes da sua eleição para o papado, foi cardeal e desempenhou diversas missões ao serviço da Igreja, adquirindo grande experiência no governo e nas negociações políticas. Eleição ao papado Após a morte de: Gregório VIII os cardeais elegeram Paolo Scolari em 19 de dezembro de 1187 , que adoptou o nome de Clemente III. A sua eleição ocorreu num momento particularmente difícil...

"Poema... Filho"

Não te peço que sejas gigante, basta-me que nunca deixes de ser inteiro. O mundo ensinar-te-á a correr, mas espero que nunca desaprendas a parar para levantar quem ficou para trás. Que a tua inteligência nunca caminhe à frente do teu coração. Que o conhecimento te torne humilde, e nunca soberbo. Que a força das tuas convicções jamais te roube a delicadeza do olhar. Que saibas perder sem perderes a dignidade. Que saibas vencer sem perderes a simplicidade. Que nunca confundas sucesso com grandeza, nem aplausos com valor. Há homens admirados por multidões que nunca aprenderam a amar. E há homens desconhecidos que sustentam o mundo apenas pela forma como vivem. Desejo-te essa grandeza invisível. Que continues a rir com a mesma verdade, a proteger quem é mais frágil, a escolher a honestidade mesmo quando ela for o caminho mais difícil. E, se um dia a vida te cansar, lembra-te sempre de onde vieste. Vieste de um lugar onde foste amado antes mesmo de saberes falar. De uma casa onde nunca prec...

"Porque Estamos a Correr?"

Hoje acordei cedo. Antes de qualquer compromisso, antes do ruído das notificações, antes de o mundo reclamar a minha atenção, sentei-me a escrever. Não procurei respostas. Procurei perguntas. E uma delas recusou abandonar-me. Porque estamos a correr? Corremos desde o instante em que aprendemos a medir a vida em resultados. Corremos para terminar cursos. Corremos para construir carreiras. Corremos para educar filhos. Corremos para pagar contas. Corremos para sermos reconhecidos. Corremos para não parecermos insuficientes. Corremos para chegar antes dos outros. Mas, de repente, uma segunda pergunta tornou a primeira quase insignificante. Chegar onde? E logo surgiu uma terceira, ainda mais desconfortável. Alcançar o quê? Talvez a grande tragédia da condição humana nunca tenha sido a velocidade. Talvez tenha sido esquecer o destino. Porque uma vida acelerada pode continuar a ter sentido. Uma vida sem horizonte transforma-se apenas num movimento incessante. Recordei então algumas homilias d...

"A senhora das calças azuis"

 Há dias que parecem escritos por um argumentista com um sentido de humor particularmente refinado. Hoje foi um deles. A realidade, quando decide superar a ficção, fá-lo sem pedir autorização nem desculpa. A manhã começou da melhor forma possível: um café com uma amiga inestimável. Daquelas amizades que não se medem pelo tempo, mas pela tranquilidade que nos oferecem. Estávamos sentadas quando uma senhora se aproximou e perguntou: — Já pagou o café? Respondi que não. Ela sorriu e disse: — Então deixe estar. Hoje pago eu. Mas olhe... a senhora de calças azuis que está lá fora está a deitar fogo pelos olhos e não para de olhar para si. Olhei. E há imagens que entram na nossa retina contra a nossa vontade e recusam terminantemente sair. Há coisas que simplesmente não se conseguem "desver". A minha amiga desatou a rir às gargalhadas. A senhora explicou-nos que conhecia muito bem aquela mulher e que não lhe tinha qualquer simpatia. Agradeci-lhe o gesto, não apenas pelo café, mas p...

"Eu Já Fui Essa Mulher"

Eu já fui essa mulher. Aquela que acreditava que amar significava estar sempre disponível. Aquela que respondia antes de ser chamada. Que antecipava necessidades. Que resolvia problemas que ninguém lhe tinha pedido para resolver. Que carregava pesos que não lhe pertenciam, convencida de que a força consistia precisamente em nunca deixar cair nada. Durante muito tempo, senti orgulho nisso. E compreendo porquê. Vivemos numa cultura que elogia a mulher que se sacrifica, mas raramente ensina a mulher a existir para além da utilidade que oferece. Aprendemos cedo a cuidar. A acolher. A organizar. A pacificar conflitos. A estar presentes. Aprendemos a reconhecer o cansaço dos outros antes de sabermos identificar o nosso. Aprendemos a ouvir, mas poucas vezes fomos ensinadas a escutar aquilo que, silenciosamente, gritava dentro de nós. Sem percebermos, confundimos disponibilidade com amor. Renúncia com generosidade. Exaustão com virtude. E o mais inquietante é que ninguém nos obriga. Vamos apre...