"Não é meu. E é precisamente por isso que sei agradecer"
Eu não sou pessoa de dizer que possuo aquilo que não é meu. Parece uma coisa demasiado óbvia para precisar de ser explicada, mas, olhando para a forma como tantas vezes se apresenta a vida, talvez já não seja assim tão óbvia. Não tenho uma vida financeira de abundância. Não vivo numa realidade em que posso comprar tudo aquilo que me apetece, nem tenho qualquer interesse em construir uma aparência de prosperidade que não corresponde à minha vida. Não tenho uma piscina enorme, uma casa de férias, um jardim digno de catálogo ou uma sucessão de luxos particulares que possa apresentar como se fossem património pessoal. E não tenho qualquer problema em dizê-lo. Aliás, tenho muito mais dificuldade em compreender a necessidade de fingir. Se uma coisa não é minha, não é minha. Ponto. Mas isso não significa que não possa usufruir dela. E aqui está talvez uma das diferenças mais interessantes entre ter e viver . Esta semana, por exemplo, vou estar praticamente todos os dias na piscina. ...