"As Borboletas Têm Prazo de Validade"
Vivemos numa época curiosa. Uma época que transformou a paixão numa religião, as emoções em oráculos e as borboletas no estômago numa espécie de certificado oficial de compatibilidade amorosa. Conheço a teoria. Olhou. Sorriu. Sentiu um arrepio. O universo alinhou os planetas. Tocou uma música qualquer ao fundo. Fim da história. Ou melhor: início do equívoco. Porque a verdade é bem menos cinematográfica e muito mais interessante. A atração aproxima. A química aproxima ainda mais. Mas nenhuma delas sabe construir uma vida. A química cria proximidade. A maturidade cria permanência. E são coisas radicalmente diferentes. A atração é um acontecimento. O amor é uma decisão. A paixão aparece sem pedir autorização. O compromisso exige trabalho, consciência e uma quantidade surpreendente de paciência que raramente aparece nos filmes românticos. Aliás, se os relacionamentos dependessem apenas das famosas borboletas na barriga, a humanidade teria sido extinta há séculos por excesso de entomologia ...