Mensagens

"Maria: a Mensagem que continua viva"

Quando se fala da Mensagem de Fátima, é natural que o pensamento viaje imediatamente para a Cova da Iria, para os três Pastorinhos, para o brilho inexplicável de uma presença que mudou a história de um pequeno lugar português e, de certa forma, tocou o coração do mundo. Mas talvez exista uma pergunta ainda mais importante do que todas as outras. Depois de olharmos para Fátima... para onde somos convidados a olhar? A resposta é simples e, ao mesmo tempo, inesgotável. Para Maria. Não apenas para a Virgem venerada pelos cristãos. Não apenas para a Mãe de Jesus. Mas para uma mulher cuja humanidade continua a iluminar a humanidade de todos nós. O Movimento da Mensagem de Fátima só encontra o verdadeiro sentido da sua existência quando compreende isto. Não nasceu para falar de si próprio. Não nasceu para aumentar números, organizar atividades ou criar um grupo diferente dos restantes movimentos da Igreja. Tudo isso pode ter a sua importância, mas continua a ser secundário. O essencial é outr...

"A Extraordinária Convicção de Que Continuamos Todos Obcecados"

Ontem estive a observar. Gosto de observar. É um hábito curioso: enquanto uns falam, outros revelam-se. E há revelações que dispensam qualquer comentário, porque já nascem embrulhadas na sua própria caricatura. Descobri uma das mais fascinantes ilusões produzidas pelo ego humano. Há adultos — sim, adultos, com idade suficiente para já terem pago impostos, renovado documentos e, em teoria, aprendido alguma coisa sobre a natureza humana — que acreditam genuinamente que, quando alguém abandona um lugar, uma relação, um grupo ou um ambiente, continua emocionalmente acorrentado àquilo de que se afastou. É uma ideia enternecedora. Segundo esta lógica, quem fecha uma porta passa o resto da vida encostado à fechadura, a escutar o que acontece do outro lado. Quem muda de emprego acorda todas as manhãs a perguntar-se quem ficou com a secretária. Quem vende uma casa vive obcecado com a disposição dos móveis dos novos proprietários. Quem deixa um restaurante passa meses angustiado porque mudaram a...

"O Verbo "Obedecer" Está à Beira de Pedir Baixa Médica"

Hoje deparei-me com uma publicação de um professor. Não conheço o homem. Mas, ao terminar de ler o que escreveu, senti uma vontade quase maternal de lhe oferecer um café, um abraço e, dependendo do número de testes que ainda lhe faltam corrigir, talvez umas férias de seis meses. Escrevia ele: "Estou a desesperar com a classificação do item 2, grupo I. Cerca de 95% dos alunos escrevem obdecer . Além disso, constroem este verbo com complemento direto: obdeceu-o . Ou seja, numa única palavra, um erro ortográfico e um erro de sintaxe." A primeira reação foi rir. A segunda foi pensar: É extraordinário aquilo que a língua portuguesa consegue ensinar através de um único verbo. Porque, reparem bem. Naquele pequeno desastre linguístico cabem dois mundos completamente diferentes. O primeiro pertence à ortografia. O segundo pertence à sintaxe. É quase uma promoção do tipo "leve dois erros e pague apenas uma palavra". Comecemos pelo primeiro. O misterioso aparecimento da letra ...

"Celestino IV: o Centésimo Septuagésimo Sétimo Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Gregório IX, a Igreja de Roma elegeu Celestino IV , reconhecido como o centésimo septuagésimo sétimo Papa da Igreja Católica e sucessor de Gregório IX na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1241 e 1241 da era cristã e foi um dos mais breves da história da Igreja. Durou apenas 17 dias , tempo insuficiente para desenvolver um programa de governo, mas a sua eleição ocorreu num dos períodos mais turbulentos das relações entre o papado e o Sacro Império Romano-Germânico. Origem e formação Celestino IV nasceu em Milão , na Itália, por volta do ano 1180 . O seu nome de nascimento era Goffredo da Castiglione . Pertencia a uma família nobre lombarda e recebeu sólida formação religiosa. Ingressou na vida eclesiástica, tornando-se conhecido pela sua prudência, capacidade diplomática e fidelidade à Sé Apostólica. Antes de ser eleito Papa, foi criado cardeal por: Gregório IX e desempenhou importantes missões ao serviço da Igreja. Eleição ao papado Após ...

"Gregório IX: o Centésimo Septuagésimo Sexto Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Honório III, a Igreja de Roma elegeu Gregório IX , reconhecido como o centésimo septuagésimo sexto Papa da Igreja Católica e sucessor de Honório III na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1227 e 1241 da era cristã e foi marcado pela consolidação do direito canónico, pela criação da Inquisição Papal , pelo apoio às ordens mendicantes e pelos prolongados conflitos com o imperador Frederico II. Origem e formação Gregório IX nasceu em Anagni , na Itália, por volta do ano 1170 . O seu nome de nascimento era Ugolino di Conti . Pertencia à poderosa família dos Condes de Segni, a mesma de onde provinha: Inocêncio III Recebeu sólida formação em teologia e direito, tornando-se cardeal ainda muito jovem. Durante décadas colaborou estreitamente com Inocêncio III e Honório III, adquirindo vasta experiência diplomática e pastoral. Eleição ao papado Após a morte de: Honório III os cardeais elegeram Ugolino di Conti em 19 de março de 1227 . Ao assumir a ...

"As Flores Chegam Demasiado Tarde"

Há uma realidade que, quanto mais observo, mais me inquieta. As flores mais bonitas, os gestos mais emocionados e as palavras mais ternas parecem estar reservados para quem já não as pode receber. Os mortos recebem mais flores do que os vivos. E, sempre que penso nisto, não consigo evitar uma pergunta profundamente humana: Porque esperamos tanto para demonstrar aquilo que sentimos? Talvez porque acreditamos, ingenuamente, que teremos sempre mais tempo. Mais um aniversário. Mais um Natal. Mais um telefonema. Mais um abraço. Mais uma oportunidade para dizer: "Gosto de ti." Ou simplesmente: "Obrigado por existires." Vivemos como se a vida nos tivesse prometido um amanhã. Mas a vida nunca fez essa promessa. Talvez a maior tragédia não seja a morte. Sei que esta afirmação pode parecer estranha. Mas a maior tragédia talvez seja adiarmos continuamente o amor para um momento que nunca chega. Existe uma tendência curiosa no ser humano. Sentimo-nos mais confortáveis a expres...

"O Melhor Lugar do Mundo Talvez Seja um Abraço"

Durante muito tempo acreditámos que a maior pobreza era a falta de dinheiro. Medimos o sucesso por aquilo que se possui, pela casa, pelo carro, pela conta bancária, pelas viagens ou pelo estatuto social. Sem dúvida que a pobreza material existe, é real e merece toda a nossa atenção. Ninguém escolhe a privação, e uma sociedade verdadeiramente humana não pode permanecer indiferente ao sofrimento de quem não tem o necessário para viver com dignidade. Mas existe outra pobreza, muito mais silenciosa, que raramente aparece nas estatísticas. É a pobreza afectiva. É a ausência de um lugar onde possamos repousar sem medo. Talvez a maior carência do ser humano não seja a falta de bens, mas a falta de um lugar onde a alma possa finalmente baixar as defesas. Porque viver constantemente em alerta é uma forma lenta de sobreviver. E sobreviver nunca foi o mesmo que viver. Há pessoas que passam a vida inteira a representar papéis. São fortes para os filhos, competentes no trabalho, disponíveis para os...