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"Poema... Filho"

Não te peço que sejas gigante, basta-me que nunca deixes de ser inteiro. O mundo ensinar-te-á a correr, mas espero que nunca desaprendas a parar para levantar quem ficou para trás. Que a tua inteligência nunca caminhe à frente do teu coração. Que o conhecimento te torne humilde, e nunca soberbo. Que a força das tuas convicções jamais te roube a delicadeza do olhar. Que saibas perder sem perderes a dignidade. Que saibas vencer sem perderes a simplicidade. Que nunca confundas sucesso com grandeza, nem aplausos com valor. Há homens admirados por multidões que nunca aprenderam a amar. E há homens desconhecidos que sustentam o mundo apenas pela forma como vivem. Desejo-te essa grandeza invisível. Que continues a rir com a mesma verdade, a proteger quem é mais frágil, a escolher a honestidade mesmo quando ela for o caminho mais difícil. E, se um dia a vida te cansar, lembra-te sempre de onde vieste. Vieste de um lugar onde foste amado antes mesmo de saberes falar. De uma casa onde nunca prec...

"Porque Estamos a Correr?"

Hoje acordei cedo. Antes de qualquer compromisso, antes do ruído das notificações, antes de o mundo reclamar a minha atenção, sentei-me a escrever. Não procurei respostas. Procurei perguntas. E uma delas recusou abandonar-me. Porque estamos a correr? Corremos desde o instante em que aprendemos a medir a vida em resultados. Corremos para terminar cursos. Corremos para construir carreiras. Corremos para educar filhos. Corremos para pagar contas. Corremos para sermos reconhecidos. Corremos para não parecermos insuficientes. Corremos para chegar antes dos outros. Mas, de repente, uma segunda pergunta tornou a primeira quase insignificante. Chegar onde? E logo surgiu uma terceira, ainda mais desconfortável. Alcançar o quê? Talvez a grande tragédia da condição humana nunca tenha sido a velocidade. Talvez tenha sido esquecer o destino. Porque uma vida acelerada pode continuar a ter sentido. Uma vida sem horizonte transforma-se apenas num movimento incessante. Recordei então algumas homilias d...

"A senhora das calças azuis"

 Há dias que parecem escritos por um argumentista com um sentido de humor particularmente refinado. Hoje foi um deles. A realidade, quando decide superar a ficção, fá-lo sem pedir autorização nem desculpa. A manhã começou da melhor forma possível: um café com uma amiga inestimável. Daquelas amizades que não se medem pelo tempo, mas pela tranquilidade que nos oferecem. Estávamos sentadas quando uma senhora se aproximou e perguntou: — Já pagou o café? Respondi que não. Ela sorriu e disse: — Então deixe estar. Hoje pago eu. Mas olhe... a senhora de calças azuis que está lá fora está a deitar fogo pelos olhos e não para de olhar para si. Olhei. E há imagens que entram na nossa retina contra a nossa vontade e recusam terminantemente sair. Há coisas que simplesmente não se conseguem "desver". A minha amiga desatou a rir às gargalhadas. A senhora explicou-nos que conhecia muito bem aquela mulher e que não lhe tinha qualquer simpatia. Agradeci-lhe o gesto, não apenas pelo café, mas p...

"Eu Já Fui Essa Mulher"

Eu já fui essa mulher. Aquela que acreditava que amar significava estar sempre disponível. Aquela que respondia antes de ser chamada. Que antecipava necessidades. Que resolvia problemas que ninguém lhe tinha pedido para resolver. Que carregava pesos que não lhe pertenciam, convencida de que a força consistia precisamente em nunca deixar cair nada. Durante muito tempo, senti orgulho nisso. E compreendo porquê. Vivemos numa cultura que elogia a mulher que se sacrifica, mas raramente ensina a mulher a existir para além da utilidade que oferece. Aprendemos cedo a cuidar. A acolher. A organizar. A pacificar conflitos. A estar presentes. Aprendemos a reconhecer o cansaço dos outros antes de sabermos identificar o nosso. Aprendemos a ouvir, mas poucas vezes fomos ensinadas a escutar aquilo que, silenciosamente, gritava dentro de nós. Sem percebermos, confundimos disponibilidade com amor. Renúncia com generosidade. Exaustão com virtude. E o mais inquietante é que ninguém nos obriga. Vamos apre...

“A Gente Vai” e Não “A Gente Vamos”

A língua portuguesa tem um humor muito refinado. Há palavras que parecem uma coisa, mas são outra. Há verbos que juram fidelidade ao sujeito... até aparecer um caso especial. E depois há a gente . Essa pequena expressão que conseguiu realizar um feito extraordinário: parece plural. Significa plural. Mas exige o verbo no singular. É um dos maiores golpes de teatro da gramática. Imaginemos que um estrangeiro aprende português. Lê a frase: A gente vai ao cinema. Olha para o verbo. Olha para "a gente". Olha novamente para o verbo. E pergunta, legitimamente: "Mas... vão quantas pessoas?" Resposta: Várias. Então por que razão o verbo está no singular? Porque a língua portuguesa respondeu: "Porque sim." Naturalmente, há uma explicação científica. Mas "porque sim" continua a ser emocionalmente mais honesto. Afinal, o que é "a gente"? Muita gente pensa que "a gente" significa simplesmente "nós...

"Gregório VIII: o Centésimo Septuagésimo Primeiro Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Urbano III, a Igreja de Roma elegeu Gregório VIII , reconhecido como o centésimo septuagésimo primeiro Papa da Igreja Católica e sucessor de Urbano III na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1187 e 1187 da era cristã . Apesar de ter durado apenas cerca de dois meses, ficou marcado pela resposta imediata da Igreja à perda de Jerusalém e pelo apelo à Terceira Cruzada . Origem e formação Gregório VIII nasceu em Benevento , na Itália, por volta do ano 1100 . O seu nome de nascimento era Alberto di Morra . Recebeu sólida formação em direito canónico e teologia, tornando-se um dos mais respeitados diplomatas da Santa Sé. Antes de ser eleito Papa, serviu vários pontífices como legado papal em importantes missões pela Europa e pelo Oriente, adquirindo grande experiência diplomática. Eleição ao papado Após a morte de: Urbano III os cardeais elegeram Alberto di Morra em 21 de outubro de 1187 , apenas um dia depois do falecimento do seu predecessor. Ao...

"Voluntário"

Este é um acto voluntário. Não nasce da resignação. Nasce da liberdade. Por isso digo-o sem ironia, sem ressentimento e sem necessidade de convencer ninguém. Fiquem com a versão de mim que vos for mais conveniente. Aquela que construíram sem nunca terem suportado o incómodo de me conhecer. Aquela que nasceu de frases interrompidas, de conversas pela metade, de interpretações precipitadas, de silêncios preenchidos pela imaginação e de histórias repetidas tantas vezes que acabaram por adquirir o estatuto ilusório de verdade. Fiquem com ela. Fiquem com a versão da vilã. Aquela que, convenientemente, explicava todos os desconfortos sem obrigar ninguém a olhar para dentro de si. A personagem que servia de palco para culpas que pertenciam a outros, de medos que nunca foram meus e de responsabilidades que alguém precisava desesperadamente de colocar em ombros alheios. Fiquem também com a versão da coitada. Da vítima permanente. Da mulher incapaz. Da ingénua. Da burra. Da que não percebe. Da q...