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"Há pessoas que precisam de medir até o afecto dos outros"

É curioso como conseguimos perceber tanto sobre uma pessoa através de coisas aparentemente insignificantes. Às vezes não é preciso ouvi-la falar durante horas. Basta observar aquilo a que presta atenção. Há quem repare numa paisagem. Há quem repare numa conversa. Há quem repare num gesto de carinho. E há quem, mal entra num lugar, comece imediatamente a medir. Quem tem mais. Quem tem menos. Quem conhece quem. Quem é mais importante. Quem recebe mais atenção. Quem é mais admirado. Quem parece ter uma vida mais preenchida. E existe ainda uma forma particularmente curiosa de competição: aquela que nasce quando alguém observa a felicidade ou o afecto dos outros e, em vez de simplesmente o reconhecer, sente necessidade de o questionar. Foi precisamente isso que me aconteceu. Eu estava sentada num café com uma amiga de infância. E dizer “amiga de infância” é pouco para explicar o que aquela pessoa representa na minha vida. Conhecemo-nos há mais de quarenta anos. Andámos no primeiro ciclo na ...

"Antes de querer alguém, aprende a conhecê-lo"

O que vos escrevo vale para eles e para elas. Para homens e mulheres. Para quem ama. Para quem é casado. Para quem namora. Para quem é pai ou mãe. Para quem é filho. Para quem tem amigos. Para quem procura alguém com quem partilhar a vida e para quem, simplesmente, deseja construir relações humanas que tenham mais profundidade do que aparência. Porque existe uma pobreza relacional que não se mede pelo número de pessoas que temos à nossa volta, mas pela incapacidade de verdadeiramente conhecermos aquelas que estão perto de nós. E talvez seja aqui que esteja uma das maiores confusões do nosso tempo: confundimos acesso com intimidade. Ter acesso ao corpo de alguém não significa conhecer essa pessoa. Ter acesso à vida de alguém não significa compreender a sua história. Saber onde alguém está não significa saber onde essa pessoa se encontra interiormente. Conhecer os hábitos de alguém não significa conhecer aquilo que o inquieta quando fica sozinho. E podemos viver vinte anos ao lado de uma...

"A vida ensinou-me"

A vida ensinou-me coisas que nenhum livro poderia ensinar exactamente da mesma maneira. Não porque os livros não tenham respostas — têm muitas, algumas capazes de nos acompanhar durante uma existência inteira —, mas porque há aprendizagens que só chegam quando deixamos de as estudar de fora e passamos a vivê-las por dentro. Aprendi, sobretudo, que há verdades que não fazem barulho. Chegam devagar. Instalam-se depois de algumas desilusões, de algumas pessoas que passam, de outras que ficam, de erros que nos obrigam a olhar para nós próprias e de silêncios que dizem mais do que determinadas conversas. Uma dessas verdades foi esta: aprende-se muito mais quando se sabe ouvir do que quando se sente necessidade de falar. Durante muito tempo, confundimos inteligência com capacidade de resposta. Pensamos que a pessoa mais inteligente é aquela que tem sempre alguma coisa para dizer, a resposta mais rápida, o argumento mais elaborado, a última palavra. Mas a verdadeira inteligência também sabe c...

"Alexandre IV: o Centésimo Septuagésimo Nono Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Inocêncio IV, a Igreja de Roma elegeu Alexandre IV , reconhecido como o centésimo septuagésimo nono Papa da Igreja Católica e sucessor de Inocêncio IV na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1254 e 1261 da era cristã . Foi um período marcado pela tentativa de preservar a autoridade papal perante os conflitos políticos europeus, pela defesa das ordens mendicantes e por uma intensa actividade missionária. Origem e formação Alexandre IV nasceu por volta de 1199 , em Jenne, perto de Anagni, na Itália. O seu nome de nascimento era Rinaldo dei Conti di Segni . Pertencia à mesma poderosa família dos papas Inocêncio III e Gregório IX . Recebeu formação em teologia e direito eclesiástico e entrou cedo ao serviço da Igreja. Foi nomeado cardeal pelo seu tio, Gregório IX , e desempenhou funções importantes na administração da Santa Sé. Eleição ao papado Após a morte de: Inocêncio IV os cardeais reuniram-se para escolher o seu sucessor. A eleição foi rel...

"Inocêncio IV: o Centésimo Septuagésimo Oitavo Papa da Igreja Católica"

Após um longo período de sede vacante que se seguiu à morte de Celestino IV, a Igreja de Roma elegeu Inocêncio IV , reconhecido como o centésimo septuagésimo oitavo Papa da Igreja Católica e sucessor de Celestino IV na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1243 e 1254 da era cristã e foi um dos mais marcantes do século XIII. Ficou assinalado pelo confronto decisivo com o imperador Frederico II, pela convocação do Primeiro Concílio de Lião, pelo desenvolvimento do direito canónico e pelo envio de missões diplomáticas aos povos mongóis. Origem e formação Inocêncio IV nasceu em Génova , na Itália, por volta do ano 1195 . O seu nome de nascimento era Sinibaldo Fieschi . Pertencia à influente família Fieschi e recebeu uma notável formação em direito civil e direito canónico na Universidade de Bolonha. A sua reputação como jurista levou-o a ser nomeado cardeal por: Gregório IX Antes da sua eleição, participou ativamente na administração da Igreja e destacou-se pela s...

"Ela levou-me"

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Ultimamente não descrevo um dia, mas hoje tem de ser. Merece ficar e ser partilhado. Há dias que acontecem e há dias que, de algum modo, ficam. Não necessariamente porque tenham sido extraordinários aos olhos de quem os vê de fora, mas porque alguma coisa neles nos tocou num lugar que não sabemos nomear imediatamente. São dias que não pedem apenas para ser recordados; pedem para ser guardados. Talvez porque, entre o que aconteceu e aquilo que sentimos, exista uma espécie de verdade que merece não se perder. Hoje foi um desses dias. A minha grande amiga levou-me à Serra de São Francisco. E esta frase, tão simples, contém muito mais do que parece. Fomos nós as duas e levámos connosco os nossos filhos: o meu, com dez anos, e o dela, com doze. Quatro pessoas, dois adultos e dois rapazes, quatro maneiras de olhar, quatro ritmos, quatro pequenas geografias interiores a percorrer o mesmo caminho. O destino era a serra, mas, olhando agora para trás, percebo que o verdadeiro lugar a que chegámo...

"Estamos ligados a tudo e, por vezes, a ninguém"

Há uma imagem que se tornou tão banal que quase já não a vemos. Duas pessoas sentadas à mesma mesa, lado a lado, aparentemente juntas, mas cada uma mergulhada no pequeno rectângulo luminoso que tem nas mãos. Estão num restaurante. Num café. Num banco de jardim. Num aeroporto. Num sofá. Até na cama. Estão juntas. Mas não estão necessariamente presentes. E talvez esta seja uma das contradições mais estranhas do nosso tempo: nunca tivemos tantos instrumentos para comunicar e, no entanto, parece cada vez mais difícil estarmos verdadeiramente uns com os outros. Temos mensagens instantâneas, chamadas de vídeo, redes sociais, grupos, fotografias, reacções, notificações, comentários, plataformas capazes de nos transportar em segundos para o outro lado do planeta. Podemos saber o que uma pessoa está a fazer sem lhe perguntarmos. Podemos acompanhar a vida de alguém sem nunca termos conversado verdadeiramente com essa pessoa. Podemos estar permanentemente disponíveis e, ainda assim, emocionalment...