"Realidades"
Faz muito tempo que penso em partilhar estas palavras. Então começo a escrever e desistia. Pensava: ao escrever isto, algum dos meus amigos ou conhecidos pode interpretar mal. Hoje pensei da forma correta: quem conhecer a mulher que sou, irá entender. Escrevo não para me justificar, nem para ensinar, mas porque há realidades que, de tanto serem ignoradas, começam a doer em silêncio. E o silêncio, quando se prolonga, torna-se uma forma de cumplicidade com aquilo que devia ser questionado. Vivemos rodeados de opiniões rápidas, de julgamentos fáceis, de certezas construídas à distância. Fala-se de vidas que não se conhecem, de escolhas que nunca se tiveram de fazer, de dificuldades que nunca se sentiram na pele. E, no meio disso, perde-se o essencial: a capacidade de olhar para o outro como um ser humano inteiro, com uma história que não cabe em suposições. Talvez estas palavras não sejam confortáveis. Não foram escritas para o ser. Foram escritas com a consciência de que há dores qu...