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"IV Escola da Fé"

  Cristologia: quem é Jesus Cristo? Depois de percorrermos o caminho da religião, da Revelação e da fé, chegamos ao centro em torno do qual toda a teologia cristã gravita: Jesus Cristo. Não existe cristianismo sem Cristo. Esta afirmação parece óbvia, mas as suas consequências são imensas. O cristianismo não é, em primeiro lugar, um sistema moral, uma filosofia, uma instituição, um conjunto de tradições ou uma colecção de práticas religiosas. Tudo isso existe, mas tudo deriva de uma realidade anterior: a fé cristã nasce do acontecimento de Jesus Cristo. Por isso, a pergunta fundamental não é apenas: “O que ensinou Jesus?” É uma pergunta ainda mais radical: “Quem é Jesus?” E esta pergunta não é meramente histórica. É teológica, cristológica, antropológica, soteriológica e existencial. Porque a resposta que dermos a “quem é Jesus?” determinará a forma como compreendemos Deus, a humanidade, o pecado, a graça, a Igreja, os sacramentos, a liturgia, a salvação e a própria esperança cristã...

"III Escola da Fé"

A Fé: a resposta humana à Revelação de Deus Depois de compreender o que é a religião e de perceber que, no cristianismo, Deus não é apenas procurado pelo ser humano, mas Se revela e Se dá a conhecer , surge naturalmente a pergunta seguinte: O que acontece quando o ser humano se encontra diante dessa Revelação? A resposta é uma das palavras mais importantes de toda a existência cristã: fé. Mas fé não significa simplesmente acreditar que Deus existe. Não significa fechar os olhos perante a realidade. Não significa aceitar sem pensar. Não significa repetir aquilo que outros disseram. E muito menos significa possuir uma certeza psicológica permanente, incapaz de ser atravessada por perguntas, sofrimento ou dúvida. A fé cristã é uma realidade muito mais profunda. É resposta livre, racional e existencial do ser humano a Deus que Se revela . E, precisamente por isso, compreender a fé exige compreender simultaneamente Deus, a Revelação, a liberdade, a razão, a confiança, a graça, a Igreja e Cr...

"Alegria"

 Há uma diferença profunda entre felicidade, alegria e bem-aventurança , e compreendê-la é essencial para compreender aquilo que o cristianismo realmente promete ao homem. Dizer simplesmente que « Deus não promete felicidade, mas alegria » contém uma intuição verdadeira, mas, formulado assim, é teologicamente incompleto. A Igreja ensina algo mais profundo: Deus colocou no coração humano o desejo de felicidade e chama o homem à bem-aventurança; contudo, essa felicidade não consiste num estado permanente de bem-estar, nem na ausência de sofrimento, nem na posse dos bens deste mundo. A sua plenitude está no próprio Deus. E é precisamente nesta comunhão com Deus que nasce a verdadeira alegria. O Catecismo da Igreja Católica é explícito. No n.º 1718, afirma que as Bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade e que esse desejo é de origem divina: Deus colocou-o no coração humano para o atrair a Si, «o único que o pode satisfazer ». E, no n.º 1719, acrescenta que Deus chama...

"II Escola da fé"

Revelação: quando Deus Se dá a conhecer Se o primeiro passo foi compreender o que significa religião, o passo seguinte é inevitável: o que distingue a fé cristã de uma simples procura humana pelo transcendente? A resposta encontra-se numa palavra fundamental de toda a teologia cristã: Revelação. Sem Revelação, teríamos religião no sentido mais amplo do termo: o ser humano procurando Deus, interrogando o sentido da existência, elevando os olhos para aquilo que o ultrapassa. Com a Revelação, porém, acontece uma inversão extraordinária. Já não somos apenas nós a procurar Deus. É Deus quem Se dá a conhecer. E esta pequena diferença contém praticamente toda a arquitectura da fé cristã. Revelação não significa simplesmente “Deus contar coisas” Quando ouvimos a palavra “revelação”, podemos imaginar alguém que possui uma informação secreta e decide transmiti-la. Não é esse o sentido cristão. A Revelação não consiste primariamente na transmissão de informações acerca de Deus. Consiste na autoco...

"O monstro que nasceu no dia em que disseste não"

É curioso — e, por vezes, assustador — perceber a rapidez com que uma pessoa pode deixar de ser considerada maravilhosa e passar a ser descrita como um problema assim que deixa de estar disponível para aquilo que esperavam dela. Ontem eras leal. Hoje és egoísta. Ontem eras generosa. Hoje és fria. Ontem eras compreensiva. Hoje és arrogante. Ontem eras aquela pessoa em quem se podia confiar. Hoje, porque disseste não , alguém descobriu em ti uma quantidade extraordinária de defeitos que aparentemente nunca tinha visto. E talvez valha a pena parar aqui. Porque nem sempre mudámos tanto quanto nos querem fazer acreditar. Às vezes mudou apenas a relação de poder. Enquanto fazias o que esperavam, eras previsível. Enquanto cedias, eras boa. Enquanto compreendias tudo, eras madura. Enquanto estavas disponível, eras especial. Enquanto não questionavas, eras fácil de amar. Enquanto suportavas, eras forte. Mas no momento em que começaste a estabelecer limites, apareceu uma versão de ti que o outro...

"Escola da Fé"

Religião: do fenómeno religioso ao mistério da Revelação Antes de iniciar esta série de textos sobre religião e teologia, importa esclarecer uma coisa que para mim não é meramente uma questão de estilo: tudo aquilo que aqui vou escrever será elaborado com o máximo respeito pela fé, pela experiência religiosa, pela tradição cristã e pela inteligência de quem lê . Não pretendo simplificar aquilo que é complexo, nem transformar questões teológicas profundas em respostas fáceis. Também não pretendo apresentar opiniões pessoais como se fossem doutrina. Pelo contrário: procurarei estudar os conceitos, compreender a sua origem, conhecer o seu desenvolvimento histórico, confrontá-los com a Sagrada Escritura, a Tradição, a reflexão teológica e o ensinamento da Igreja, procurando distinguir aquilo que pertence ao núcleo da fé daquilo que resulta de interpretações, costumes, devoções ou formulações historicamente situadas. Faço-o por uma razão que me parece essencial: para amar, temos de conhecer...