"Leve"
Tenho um apreço quase visceral pelo que é simples. Não pela simplicidade ingénua que ignora a complexidade do mundo, mas por aquela que nasce depois de a complexidade ter sido compreendida. A simplicidade que permanece após o excesso ter sido descartado. Como escreveu Leonardo da Vinci , “A simplicidade é o último grau de sofisticação.” E talvez seja isso que procuro: não o rudimentar, mas o depurado. Vivemos numa era em que a aparência ganhou estatuto de substância. Contudo, continuo a admirar quem não precisa de se ampliar para ser visto. Há uma grandeza silenciosa em quem é exactamente o que é. Sócrates lembrava que “a vida não examinada não merece ser vivida.” Eu diria que a vida exagerada para impressionar também não merece ser representada. A autenticidade é mais rara do que o talento; mais valiosa do que o aplauso. Gosto de quem sente sem cálculo. Num mundo onde até os afectos podem ser estratégicos, encontrar alguém que torce genuinamente pelo bem do outro é quase um ...