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"Trindade e Mistério de Deus"

Um só Deus em três Pessoas Há perguntas que a Teologia não inventou para complicar a fé. Existem porque a própria experiência cristã de Deus as tornou inevitáveis. Os cristãos afirmam: Deus é um. E afirmam: O Pai é Deus. O Filho é Deus. O Espírito Santo é Deus. Mas também afirmam: O Pai não é o Filho. O Filho não é o Espírito Santo. O Espírito Santo não é o Pai. Então surge a pergunta inevitável: Como pode Deus ser um e, simultaneamente, três? É aqui que entramos no coração da Teologia Trinitária . E é precisamente aqui que precisamos de abandonar algumas imagens demasiado simplistas. A Trindade não é: 1 + 1 + 1 = 3 deuses. Também não é: 1 Deus que aparece ora como Pai, ora como Filho, ora como Espírito. E também não é: um Deus dividido em três partes. A fé cristã afirma algo muito mais preciso: Um só Deus em três Pessoas divinas, distintas entre si, possuindo uma única e indivisível natureza divina. É um mistério. Mas mistério não significa irracionalidade. Significa uma verdade que p...

"João XXII — o 196.º Papa da Igreja Católica"

Depois de Clemente V entramos profundamente no período que ficou conhecido como Papado de Avinhão . O seu sucessor, João XXII , foi uma das figuras intelectualmente mais interessantes — e também mais controversas — do século XIV. O seu pontificado foi longo: de 1316 a 1334 , quase dezoito anos. Foi durante o seu governo que o papado em Avinhão deixou de parecer uma solução provisória e passou a adquirir uma estrutura administrativa e financeira extraordinariamente desenvolvida. Segundo a lista oficial da Santa Sé, João XXII foi o 196.º Papa , eleito em 1316 e falecido em 1334. O seu nome secular era Jacques Duèze , e era natural de Cahors, em França . Quem era Jacques Duèze? João XXII nasceu provavelmente por volta de 1244 , em Cahors , no sul de França. O seu nome era Jacques Duèze . Não nasceu no seio da grande aristocracia francesa. A sua família pertencia à burguesia de Cahors, uma cidade que, curiosamente, tinha desenvolvido uma importante actividade comercial e financeira. Esta o...

"Cansativo, mas, bom"

 Hoje foi um daqueles dias cansativos, daqueles que nos deixam o corpo a pedir descanso e a cabeça a precisar de silêncio. Mas foi também um dia profundamente gratificante, porque há cansaços que não pesam da mesma maneira quando sentimos que, no meio deles, alguma coisa finalmente encontrou o seu lugar. Acho que hoje o meu filho conseguiu arrumar algumas coisas dentro dele. Havia sentimentos que estavam guardados, pensamentos que talvez tivesse aprendido a calar, coisas que foi suportando sem saber muito bem onde as colocar. E hoje parece-me que alguma coisa se reorganizou. Como se, finalmente, tivesse conseguido olhar para determinadas situações e perceber aquilo que talvez precisasse de ouvir há muito tempo: não foi culpa dele. Não havia nada de errado com ele. Não fez nada de errado. Não precisava de carregar culpas que não lhe pertenciam, nem de procurar dentro de si uma explicação para coisas que estavam para além dele. E há uma diferença enorme entre uma criança ouvir estas ...

"Boa noite"

 Hoje já não era para escrever nada. Já tinha escrito mais cedo e, honestamente, a minha intenção era deixar o dia acabar sem transformar mais uma coisa da minha vida em palavras. Há dias em que também é pousar a caneta e deixar os pensamentos quietos. Mas hoje era dia 8. E este dia é especial. É o dia da Padroeira da minha terra. O dia de Nossa Senhora. Fui rezar o terço e, claro, fui à missa. Quando terminou, fiquei no quintal da paróquia a conversar com algumas amigas que estimo. Daquelas pessoas com quem uma pessoa consegue estar simplesmente ali, sem precisar de grandes cerimónias, porque há afectos que não precisam de explicação nem de legenda. Uma delas tinha comprado o pack de garrafas de vinho da paróquia e, num daqueles convites que começam inocentemente e acabam sabe-se lá onde, disse: — Vamos até ao meu quintal beber o vinho e conversar. E podíamos ficar por aqui. Podia escrever sobre o vinho, sobre a conversa, sobre o dia, sobre Nossa Senhora, sobre as pessoas que gost...

"Há comportamentos que pretendem intimidar e acabam por entreter."

 Este pequeno texto não fala só sobre mim, fala de quem recebe os e-mails com o meu nome.  É uma daquelas ironias deliciosas que a vida oferece gratuitamente, sem necessidade de subscrição, e que têm ainda a vantagem de chegar directamente à caixa de entrada. Imagine-se a situação: alguém decide enviar e-mails às dezenas para uma pessoa que, muito claramente, não os quer receber. E não estamos a falar de correspondência civilizada, esclarecimentos, diálogo ou sequer de uma tentativa minimamente digna de resolver alguma coisa. Não. São mensagens destinadas a provocar, diminuir, atacar, maltratar, desestabilizar. Há, no entanto, um pequeno problema na estratégia. A pessoa que os recebe acha graça. Não porque considere aceitável ser maltratada. Não porque não compreenda a intenção. Não porque tenha confundido agressividade com humor. Acha graça por uma razão muito mais simples e, para quem escreve, provavelmente bastante irritante: aquilo é extraordinariamente previsível. A prime...