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"O Problema das Caixas e a Beleza das Crianças que Não Cabem Delas"

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Hoje olhei para a ficha formativa do meu filho. As classificações são de excelência. E confesso que sorri. Não apenas pelo resultado. Mas porque cada uma daquelas notas transporta uma pequena ironia pedagógica. O meu filho praticamente não pegou num livro durante o ano lectivo. Pelo menos não da forma como muitas pessoas imaginam que um "bom aluno" deve pegar. Não passou horas a decorar matéria. Não transformou a infância numa sucursal antecipada da vida adulta. Não viveu em permanente estado de preparação para avaliações. E, no entanto, aprende. Compreende. Relaciona. Interpreta. Questiona. E produz resultados que obrigam muitos adultos a reconsiderar algumas das suas certezas. Talvez porque existe uma diferença fundamental entre instrução e inteligência. A instrução pode ser transmitida. A inteligência manifesta-se. A instrução pode ser reproduzida. A inteligência transforma. A instrução responde. A inteligência pergunta. E as perguntas, historicamente, sempre foram mais re...

"Calisto II: o Centésimo Sexagésimo Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Gelásio II, a Igreja de Roma elegeu Calisto II , reconhecido como o centésimo sexagésimo Papa da Igreja Católica e sucessor de Gelásio II na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1119 e 1124 da era cristã e é considerado um dos mais importantes do início do século XII, pois marcou o fim da longa Querela das Investiduras através de um acordo histórico com o Sacro Império Romano-Germânico. Origem e formação Calisto II nasceu por volta de 1065 na região da Borgonha, no actual território da França. O seu nome de nascimento era Guy de Vienne . Pertencia a uma família nobre e recebeu excelente formação religiosa e política. Antes de se tornar Papa, foi arcebispo de Vienne e destacou-se como forte defensor da reforma da Igreja. Eleição ao papado Após a morte de: Gelásio II o clero reformador e os cardeais elegeram Guy de Vienne em 1119 , que adoptou o nome de Calisto II. A sua eleição ocorreu num contexto de conflito contínuo com o imperador: Hen...

"Gelásio II: o Centésimo Quinquagésimo Nono Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Pascoal II, a Igreja de Roma elegeu Gelásio II , reconhecido como o centésimo quinquagésimo nono Papa da Igreja Católica e sucessor de Pascoal II na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1118 e 1119 da era cristã . Embora tenha durado pouco mais de um ano, foi marcado por intensos conflitos políticos e pela continuação da luta entre o papado e o Império durante a fase final da Querela das Investiduras . Origem e formação Gelásio II nasceu por volta de 1060 na cidade de Gaeta, no sul da Itália. O seu nome de nascimento era Giovanni Caetani . Pertencia a uma família nobre italiana e recebeu sólida formação religiosa. Ingressou na administração da Igreja e destacou-se pelas suas capacidades jurídicas e diplomáticas. Antes da sua eleição, serviu durante muitos anos na Cúria Romana e tornou-se cardeal. Eleição ao papado Após a morte de: Pascoal II Giovanni Caetani foi eleito Papa em 1118 . A sua eleição ocorreu num ambiente extremamente tenso dev...

"A Tirania da Primeira Versão"

Se me permites um conselho, não acredites demasiado depressa na primeira história que chega aos teus ouvidos. Não porque seja necessariamente falsa. Mas porque raramente é completa. E entre uma mentira e uma verdade incompleta existe, por vezes, uma distância menor do que gostaríamos de admitir. Ao longo da vida, fui aprendendo uma realidade desconfortável: os acontecimentos não falam. Quem fala são as pessoas. E as pessoas, consciente ou inconscientemente, contam versões, não totalidades. Toda a narrativa humana é uma selecção. Uma escolha. Um enquadramento. Uma edição. Aquilo que se conta. Aquilo que se omite. Aquilo que se enfatiza. Aquilo que se suaviza. A memória não é um arquivo imparcial. É uma arquitecta habilidosa que reorganiza os factos de acordo com as emoções, os interesses, os receios e as necessidades de quem os recorda. Por isso, quando alguém afirma estar apenas a contar o que aconteceu, convém lembrar que o que aconteceu e a forma como é contado raramente são exactame...

"O Escândalo dos Pronomes: Porque “Vi Ela” É um Crime que Parece Inocente"

A língua portuguesa tem um estranho sentido de humor. Passa anos a ensinar-nos substantivos, verbos, adjetivos e advérbios como se fossem as partes importantes da frase. E depois, quando já estamos distraídos, surge um pronome e destrói completamente a nossa autoconfiança. Porque poucas coisas conseguem transformar adultos perfeitamente funcionais em seres inseguros tão rapidamente como esta pergunta: É “vi ela” ou “vi-a”? Nesse momento, metade da população portuguesa começa a olhar para o horizonte como quem procura respostas espirituais. A outra metade responde imediatamente. E depois corrige toda a gente para sempre. Comecemos pelo princípio. Os pronomes existem para evitar repetições. Porque a língua portuguesa, apesar de tudo, aprecia elegância. Imagine-se a seguinte frase: A Teresa encontrou a Teresa no supermercado e depois a Teresa telefonou à Teresa. Isto não é uma frase. É um acidente rodoviário sintático. É precisamente para evitar estes cenários que exist...