"Há memórias que o tempo não apaga"
Hoje permito-me partilhar convosco uma memória muito especial. Faz precisamente dois anos que fui batizada. Há datas que passam discretamente pelo calendário. Outras permanecem gravadas na alma. Esta pertence, sem dúvida, ao segundo grupo. Costuma dizer-se que quem é batizado em criança recebe um dom que o acompanhará para toda a vida. Acredito nisso. Mas há um privilégio que pertence, quase exclusivamente, a quem recebe o batismo na idade adulta: a memória consciente de cada instante. Eu lembro-me de tudo. Lembro-me da expectativa. Do nervosismo. Das perguntas que me atravessavam o pensamento. Da emoção difícil de explicar. Da serenidade que chegou precisamente quando já não conseguia controlar o coração. Não foi um gesto automático nem uma tradição familiar repetida por costume. Foi uma decisão amadurecida, refletida e profundamente livre. Talvez seja essa liberdade que torna a recordação tão viva. O meu batismo não aconteceu dentro de uma igreja, entre paredes de pedra e vitrais col...