"Força"
Há forças que não nasceram de uma escolha minha, mas de uma convocação inevitável da vida — como se, em silêncio, o destino me tivesse chamado para um lugar onde apenas permanecem aquelas que recusam desaparecer. A minha força não foi semeada em tempos de leveza, nem cultivada em dias de descanso. Foi erguida, pedra sobre pedra, nos escombros das perdas, no eco das desilusões e na vastidão de silêncios que, tantas vezes, pareceram maiores do que eu. Sou mulher. E ser mulher, na minha história, nunca foi sinónimo de fragilidade — foi sinónimo de reconstrução contínua. Sou mãe. E na maternidade encontrei não apenas amor, mas uma forma quase sagrada de resistência, uma coragem que não admite recuo, uma capacidade de continuar mesmo quando tudo em mim já estava exausto. Sou protetora. E proteger tornou-se instinto, missão e identidade — mesmo quando, para isso, tive de me esquecer de mim por instantes, para garantir que quem depende de mim nunca sentisse o peso total das tempestades ...