"É isto..."
Ao longo da vida acumulamos encontros como quem atravessa estações sucessivas. Rostos, nomes, conversas, promessas — alguns ficam apenas como vestígios na memória; outros cumprem um papel preciso, quase funcional, e seguem o seu percurso. A maioria pertence ao tempo. Poucos pertencem à permanência. Há pessoas que entram por acaso, como coincidências que a vida ensaia. Outras surgem por necessidade, quando somos ainda incapazes de atravessar sozinhos determinados territórios. Mas existem aquelas — raras e silenciosamente decisivas — que permanecem por escolha consciente. E permanecer, no mundo de hoje, é talvez o gesto mais revolucionário. Essas pessoas não se prendem à estabilidade das circunstâncias. Caminham connosco quando o trajecto se redefine, quando o ritmo abranda, quando as certezas que julgávamos estruturais se revelam provisórias. Não se aproximam apenas da luz; ficam quando atravessamos sombra. E isso não é romantismo — é maturidade afectiva. A verdadeira presença n...