"Etapas"
Há frases que não se limitam a ser lidas — desinstalam. Instalam-se num lugar mais profundo do que o pensamento imediato, obrigam a uma pausa que não é confortável e revelam, com uma clareza quase implacável, aquilo que tantas vezes preferimos manter difuso. Quando li que “a sociedade é apenas pecadores a julgar outros pecadores por pecarem de forma diferente”, não encontrei apenas uma ideia provocadora — encontrei um espelho. E os espelhos, quando são verdadeiros, não suavizam. Vivemos numa cultura onde o julgamento se tornou quase uma linguagem comum. Opina-se com facilidade, avalia-se com rapidez, condena-se com uma convicção que raramente é acompanhada por introspecção. Há sempre uma análise pronta sobre o erro do outro, sobre a escolha que falhou, sobre o comportamento que não corresponde ao que se considera aceitável. Mas essa prontidão levanta uma questão inevitável: Com que legitimidade julgamos? Não no plano moral abstracto, mas no plano humano concreto. Porque, se formos...