"Dia da Mãe"
Ser mãe não é uma definição — é uma transformação irreversível. Não começa num momento exacto, nem se limita a um acontecimento biológico. Há algo na maternidade que antecede o próprio gesto de gerar: uma disposição interior, uma capacidade de amar para além de si, de se descentrar sem se perder, de existir em duplicado — por dentro e por fora. Ser mãe é, muitas vezes, viver com o coração deslocado. É saber que há uma parte de nós que já não nos pertence totalmente. Que respira noutro corpo, que cresce noutra história, mas que permanece, de forma indelével, ligada à nossa. E, no entanto, essa ligação não é feita apenas de ternura. Há cansaço. Há silêncio. Há noites longas que ninguém testemunha. Há decisões difíceis, dúvidas persistentes, momentos em que se dá mais do que aquilo que se tem. Mas há também uma força que nasce precisamente nesse dar contínuo. Uma força discreta, sem necessidade de reconhecimento, que sustenta, orienta, corrige, acolhe — mesmo quando a própria mãe pre...