"Sapiossexual"
Há palavras que não são apenas definições — são revelações tardias daquilo que sempre soubemos, mas nunca tínhamos nomeado com rigor. Esta é uma delas. Durante muito tempo, ensinam-nos — de forma explícita ou subtil — que a atracção começa no olhar. Que é o visível que inaugura o interesse, que é a forma que antecede o conteúdo. Mas há um momento, quase sempre silencioso, em que essa narrativa se desfaz. Um momento em que percebemos que aquilo que verdadeiramente nos prende não se vê. Pensa-se. Sente-se no pensamento. Para mim, essa consciência tornou-se clara com o tempo: pessoas de pensamento raso não me atraem. Nem sequer me despertam curiosidade suficiente para permanecerem por perto. Não é uma questão de elitismo, nem de arrogância — é uma questão de ressonância interior. Há diálogos que não abrem, não expandem, não acrescentam. Ficam à superfície do mundo, onde tudo é imediato, previsível, quase mecânico. E eu não sei habitar esse lugar. A psicologia ajuda a compreender por...