"A Paz Também Se Escolhe"
Há uma ideia que a experiência me ensinou de forma lenta e irreversível: ninguém habita o mundo em estado de pureza absoluta, nem em isolamento moral. A vida não é um espaço neutro onde a consciência se exerce em liberdade plena; é antes um território denso, atravessado por relações, expectativas, linguagens herdadas e formas subtis de pertença que nos antecedem e nos ultrapassam. Nunca escolho inteiramente os lugares por onde passo, nem as pessoas com quem convivo, nem os códigos implícitos que regulam o que pode ou não ser dito, feito ou sentido. Há ambientes onde a lucidez é valorizada e outros onde ela se torna incómoda. Há contextos que ampliam a subjetividade e outros que a comprimem até à quase invisibilidade. E, ainda assim, é nesse interior condicionado que se vai desenhando aquilo a que chamamos identidade. Durante muito tempo interroguei-me sobre uma questão essencial. Como se preserva a integridade num mundo que, de forma tão subtil quanto constante, nos convida a ajustarmo...