"O silêncio é o inimigo número um dos mentirosos."
Porque quem procura respostas e encontra silêncio fica, inevitavelmente, diante de um problema que não consegue controlar: a ausência de informação. Vêm procurar histórias, explicações, detalhes, contradições. Querem saber onde estou, com quem estou, o que faço, o que penso, o que aconteceu, o que deixei de fazer. Procuram uma frase que possam retirar do contexto, um pormenor que possam torcer, qualquer fragmento que lhes permita completar aquilo que não sabem. Mas não encontram. E quando não encontram factos, começam a fabricar versões. É aí que o silêncio se torna particularmente incómodo. Porque eu não lhes dou matéria-prima. Não explico aquilo que não lhes diz respeito. Não corrijo todas as interpretações que fazem sobre mim. Não corro atrás de cada mentira para a desmentir, porque há uma armadilha nessa necessidade constante de justificar a própria existência: quanto mais tentamos responder a tudo, mais importância concedemos à narrativa de quem inventou. Então ficam sozinhos com ...