Mensagens

"Não foi orgulho. Foi dignidade."

Existe uma diferença profunda entre orgulho e dignidade. Confundi-los é um dos equívocos mais frequentes das relações humanas. O orgulho nasce da necessidade de proteger o ego. Alimenta-se da imagem, da razão permanente e da incapacidade de reconhecer fragilidades. Quem vive dominado pelo orgulho prefere perder uma relação a admitir um erro. Prefere construir um muro à sua volta do que correr o risco de mostrar vulnerabilidade. A dignidade nasce de outro lugar. Não precisa de vencer ninguém. Não procura ter sempre razão. Não vive da aprovação. A dignidade é a consciência tranquila do próprio valor. É a capacidade de dizer "basta" sem deixar de desejar o bem ao outro. É escolher partir sem precisar de destruir quem fica. Durante muito tempo acreditei que permanecer era uma demonstração de lealdade. Que compreender sempre era sinal de maturidade. Que insistir nas pessoas era uma forma de amar. Hoje penso de outra maneira. Porque também existe um momento em que permanecer deixa ...

"Há dores que apenas magoam. E há dores que nos devolvem a nós mesmos."

Sabes… ao longo da vida fui percebendo uma coisa que, à primeira vista, parece estranha. A dor nunca pergunta se estamos preparados. Ela simplesmente chega. Entra sem pedir licença. Senta-se à nossa mesa. Dorme nas nossas noites. E, durante algum tempo, parece ocupar todos os lugares dentro de nós. Talvez por isso tantas pessoas passem a vida inteira a fugir dela. Mas quanto mais observo a condição humana, mais acredito que o verdadeiro problema nunca foi a dor. O verdadeiro problema é aquilo que fazemos depois de ela chegar. Porque nem todas as dores produzem o mesmo destino. Há dores que apenas nos ferem. E há dores que nos transformam. À primeira vista parecem iguais. Ambas roubam o sono. Ambas fazem chorar. Ambas deixam o peito apertado. Ambas nos obrigam a enfrentar dias em que respirar parece exigir um esforço desproporcionado. Nenhuma delas é pequena. Nenhuma merece ser romantizada. Nenhuma deve ser desejada. Mas existe uma diferença silenciosa entre ambas. A primeira limita-se ...

"A Vida Nunca Te Prometeu Amanhã"

Existe uma ideia que, à primeira vista, parece sombria, mas talvez seja uma das mais libertadoras que um ser humano pode abraçar. Tu vais morrer. Não sabes quando. Não sabes como. Não sabes onde. E talvez seja precisamente essa ignorância que explique tantas escolhas erradas. Vivemos como se a morte fosse sempre um acontecimento reservado aos outros. Ela aparece nas notícias. Na casa do vizinho. Na família de um amigo. Nunca na nossa agenda. Nunca nos nossos planos. Por isso adiamos. Adiamos conversas. Adiamos abraços. Adiamos pedidos de perdão. Adiamos projectos. Adiamos a felicidade. Adiamos a vida. É curioso. O ser humano é a única criatura que sabe que vai morrer e, paradoxalmente, vive como se tivesse tempo infinito. Construímos carreiras como se o relógio nunca fosse parar. Acumulamos bens que um dia pertencerão a outras pessoas. Guardamos palavras de amor para "mais tarde". Alimentamos ressentimentos durante décadas, como se a eternidade nos tivesse sido garantida. Mas...

"Maria: a Mensagem que continua viva"

Quando se fala da Mensagem de Fátima, é natural que o pensamento viaje imediatamente para a Cova da Iria, para os três Pastorinhos, para o brilho inexplicável de uma presença que mudou a história de um pequeno lugar português e, de certa forma, tocou o coração do mundo. Mas talvez exista uma pergunta ainda mais importante do que todas as outras. Depois de olharmos para Fátima... para onde somos convidados a olhar? A resposta é simples e, ao mesmo tempo, inesgotável. Para Maria. Não apenas para a Virgem venerada pelos cristãos. Não apenas para a Mãe de Jesus. Mas para uma mulher cuja humanidade continua a iluminar a humanidade de todos nós. O Movimento da Mensagem de Fátima só encontra o verdadeiro sentido da sua existência quando compreende isto. Não nasceu para falar de si próprio. Não nasceu para aumentar números, organizar atividades ou criar um grupo diferente dos restantes movimentos da Igreja. Tudo isso pode ter a sua importância, mas continua a ser secundário. O essencial é outr...

"A Extraordinária Convicção de Que Continuamos Todos Obcecados"

Ontem estive a observar. Gosto de observar. É um hábito curioso: enquanto uns falam, outros revelam-se. E há revelações que dispensam qualquer comentário, porque já nascem embrulhadas na sua própria caricatura. Descobri uma das mais fascinantes ilusões produzidas pelo ego humano. Há adultos — sim, adultos, com idade suficiente para já terem pago impostos, renovado documentos e, em teoria, aprendido alguma coisa sobre a natureza humana — que acreditam genuinamente que, quando alguém abandona um lugar, uma relação, um grupo ou um ambiente, continua emocionalmente acorrentado àquilo de que se afastou. É uma ideia enternecedora. Segundo esta lógica, quem fecha uma porta passa o resto da vida encostado à fechadura, a escutar o que acontece do outro lado. Quem muda de emprego acorda todas as manhãs a perguntar-se quem ficou com a secretária. Quem vende uma casa vive obcecado com a disposição dos móveis dos novos proprietários. Quem deixa um restaurante passa meses angustiado porque mudaram a...

"O Verbo "Obedecer" Está à Beira de Pedir Baixa Médica"

Hoje deparei-me com uma publicação de um professor. Não conheço o homem. Mas, ao terminar de ler o que escreveu, senti uma vontade quase maternal de lhe oferecer um café, um abraço e, dependendo do número de testes que ainda lhe faltam corrigir, talvez umas férias de seis meses. Escrevia ele: "Estou a desesperar com a classificação do item 2, grupo I. Cerca de 95% dos alunos escrevem obdecer . Além disso, constroem este verbo com complemento direto: obdeceu-o . Ou seja, numa única palavra, um erro ortográfico e um erro de sintaxe." A primeira reação foi rir. A segunda foi pensar: É extraordinário aquilo que a língua portuguesa consegue ensinar através de um único verbo. Porque, reparem bem. Naquele pequeno desastre linguístico cabem dois mundos completamente diferentes. O primeiro pertence à ortografia. O segundo pertence à sintaxe. É quase uma promoção do tipo "leve dois erros e pague apenas uma palavra". Comecemos pelo primeiro. O misterioso aparecimento da letra ...

"Celestino IV: o Centésimo Septuagésimo Sétimo Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Gregório IX, a Igreja de Roma elegeu Celestino IV , reconhecido como o centésimo septuagésimo sétimo Papa da Igreja Católica e sucessor de Gregório IX na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1241 e 1241 da era cristã e foi um dos mais breves da história da Igreja. Durou apenas 17 dias , tempo insuficiente para desenvolver um programa de governo, mas a sua eleição ocorreu num dos períodos mais turbulentos das relações entre o papado e o Sacro Império Romano-Germânico. Origem e formação Celestino IV nasceu em Milão , na Itália, por volta do ano 1180 . O seu nome de nascimento era Goffredo da Castiglione . Pertencia a uma família nobre lombarda e recebeu sólida formação religiosa. Ingressou na vida eclesiástica, tornando-se conhecido pela sua prudência, capacidade diplomática e fidelidade à Sé Apostólica. Antes de ser eleito Papa, foi criado cardeal por: Gregório IX e desempenhou importantes missões ao serviço da Igreja. Eleição ao papado Após ...