"Há pessoas que precisam de medir até o afecto dos outros"
É curioso como conseguimos perceber tanto sobre uma pessoa através de coisas aparentemente insignificantes. Às vezes não é preciso ouvi-la falar durante horas. Basta observar aquilo a que presta atenção. Há quem repare numa paisagem. Há quem repare numa conversa. Há quem repare num gesto de carinho. E há quem, mal entra num lugar, comece imediatamente a medir. Quem tem mais. Quem tem menos. Quem conhece quem. Quem é mais importante. Quem recebe mais atenção. Quem é mais admirado. Quem parece ter uma vida mais preenchida. E existe ainda uma forma particularmente curiosa de competição: aquela que nasce quando alguém observa a felicidade ou o afecto dos outros e, em vez de simplesmente o reconhecer, sente necessidade de o questionar. Foi precisamente isso que me aconteceu. Eu estava sentada num café com uma amiga de infância. E dizer “amiga de infância” é pouco para explicar o que aquela pessoa representa na minha vida. Conhecemo-nos há mais de quarenta anos. Andámos no primeiro ciclo na ...