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"A lei que talvez devêssemos ensinar primeiro"

Há uma pergunta que me acompanha há muito tempo: porque é que passamos anos a aprender as leis que governam a matéria e tão pouco tempo a aprender as leis que governam o pensamento? Na escola estudamos o universo com um rigor admirável. Descobrimos que a natureza obedece a princípios extraordinariamente elegantes e que o mundo não funciona ao sabor das nossas opiniões. Aprendemos a observar, a medir, a experimentar e a demonstrar. Aprendemos Lavoisier, Newton, a Termodinâmica, Kepler, Pascal, Ohm, Mendel e tantos outros. E ainda bem. Porque compreender estas leis é compreender um pouco melhor a ordem escondida do universo. Mas existe uma lei moderna que raramente entra numa sala de aula e que talvez devesse ser ensinada logo no primeiro ciclo: a Lei de Brandolini . Não é uma lei da Física nem da Química. É uma lei da inteligência humana. Antes de lá chegar, vale a pena recordar aquilo que tantas gerações aprenderam. As leis que explicam o mundo Lei de Lavoisier — Conservação da massa “...

"Fui Dar uma Vacina ao Meu Filho e Saí de Lá com a Família Quase Toda Revistada"

Há dias em que uma pessoa sai de casa com uma missão simples. Hoje era um desses dias. Levar o meu filho, de 10 anos, à vacina. Nada de extraordinário. Entrámos no centro de saúde com a serenidade de quem vai cumprir uma obrigação perfeitamente normal. Eu, o meu filho e a minha filha, que tem 23 anos e aparentemente considera que acompanhar o irmão a uma vacina é uma excelente oportunidade para exercer funções de irmã mais velha e picá-lo antes da enfermeira . A enfermeira abriu a porta e disse: — Podem entrar todos. Excelente. Entrámos. O meu filho sentou-se. A minha filha começou imediatamente a cumprir a sua missão civilizacional: — Então? Estás com medo? Eu olhei para ela. Ela olhou para o irmão. O irmão olhou para nós as duas com aquela expressão muito própria de quem percebeu que, afinal, o perigo não vinha da agulha. Vinha da família. A enfermeira abriu a ficha. Olhou para o computador. Depois olhou para mim. Fez aquele silêncio clínico que nunca anuncia nada...

"Não nasci a saber ser mãe. Aprendi a escutar."

Recebi várias mensagens de mães preocupadas com o regresso às aulas. Algumas contam-me que, à medida que agosto chega ao fim, os filhos começam a dizer que não querem voltar à escola. Outras falam de dores de barriga, dificuldade em dormir, irritabilidade, choro ou daquela mudança subtil de comportamento que uma mãe aprende, com o tempo, a reconhecer antes de a criança conseguir explicar o que está a sentir. E talvez seja importante começar por aqui: nem sempre é manha. Nem sempre é preguiça. Nem sempre é falta de vontade. E, sobretudo, nem sempre uma criança consegue dizer: “Estou ansiosa com aquilo que vai acontecer.” O corpo pode dizer aquilo que as palavras ainda não conseguem. Uma dor de barriga pode ser uma preocupação. Uma dificuldade em adormecer pode ser antecipação. Uma irritabilidade aparentemente desproporcionada pode esconder medo. Uma criança pode até afirmar que não quer ir para a escola quando, no fundo, aquilo que teme não é a escola inteira, mas uma coisa muito concre...

"Não é meu. E é precisamente por isso que sei agradecer"

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Eu não sou pessoa de dizer que possuo aquilo que não é meu. Parece uma coisa demasiado óbvia para precisar de ser explicada, mas, olhando para a forma como tantas vezes se apresenta a vida, talvez já não seja assim tão óbvia. Não tenho uma vida financeira de abundância. Não vivo numa realidade em que posso comprar tudo aquilo que me apetece, nem tenho qualquer interesse em construir uma aparência de prosperidade que não corresponde à minha vida. Não tenho uma piscina enorme, uma casa de férias, um jardim digno de catálogo ou uma sucessão de luxos particulares que possa apresentar como se fossem património pessoal. E não tenho qualquer problema em dizê-lo. Aliás, tenho muito mais dificuldade em compreender a necessidade de fingir. Se uma coisa não é minha, não é minha. Ponto. Mas isso não significa que não possa usufruir dela. E aqui está talvez uma das diferenças mais interessantes entre ter e viver . Esta semana, por exemplo, vou estar praticamente todos os dias na piscina. ...

"Entre o trabalho, o mundo e o silêncio: a hercúlea arte de viver um verão inteiro"

Este verão é uma aventura de gestão. E digo-o com um sorriso, porque há alturas da vida em que parece que precisamos de uma agenda, uma bússola, um relógio suplementar e, talvez, de mais umas seis horas por dia para conseguirmos fazer tudo aquilo que gostaríamos. O problema é que eu continuo a trabalhar. Portanto, não tenho propriamente aquele verão idílico em que os dias se estendem infinitamente e podemos decidir, todas as manhãs, o que nos apetece fazer. A vida continua a exigir horários, responsabilidades, compromissos e trabalho. E, ainda assim, eu quero viver. Quero aproveitar. Quero estar com os meus filhos, com o meu marido, com os meus amigos. Quero conhecer lugares, caminhar, ir à praia, fazer canoagem, sair, conversar, rir, jantar fora, tomar cafés demorados, descobrir festas, escrever, pensar, rezar e, sobretudo, ter tempo para estar comigo mesma. E talvez seja precisamente aí que esteja a verdadeira dificuldade deste verão: não em encontrar coisas para fazer, mas em conseg...