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"As festas..."

 As festas da terra têm uma maneira única de surpreender, e a última foi uma daquelas noites para recordar. Estava eu a aproveitar a pista de dança, entregue à música, quando de repente senti um toque no meu cabelo. Era um toque leve, quase como uma cócega, e eu virei-me rapidamente para a minha prima, que estava ao meu lado, e perguntei: “Mexeste no meu cabelo?” Ela, com um sorriso travesso, respondeu que não. Achei um pouco estranho, mas continuei a dançar, sem dar muita importância. No entanto, o toque persistia. Virei-me para trás e lá estavam um grupo de miúdas com cerca de dezoito anos, a dançar e a rir, como se fossem as estrelas da noite. Não as conhecia, mas parecia que estavam a fazer a própria festa. A situação começou a ficar cada vez mais estranha. Em vez do toque no cabelo, senti algo diferente a mexer-se nas minhas costas, depois desceu para os glúteos. Virei-me rapidamente e, com alguma surpresa, encontrei as mesmas miúdas, a dançar com uma energia contagiante, e a ...

"Estes dias."

 Desde sexta-feira que a minha vida tem sido uma verdadeira correria. Mal o sol se atreveu a surgir no horizonte, já eu estava a caminho do Alentejo, embrenhada na imensidão de campos e na serenidade bucólica que caracteriza aquela terra. A viagem logo pela madrugada, com a fresca a acariciar-me o rosto, parecia prometer um dia tranquilo. Mas, mal dei por mim, já estava de volta, ansiosa por uns breves momentos de descanso, que logo se dissiparam diante da promessa de uma festa na terrinha. E quem sou eu para recusar? Festa é festa, e a animação parece correr-me nas veias. A noite foi uma mistura deliciosa de passos de dança e conversas intermináveis, até que o cansaço me venceu, quase sem me aperceber. Quando a manhã seguinte irrompeu, deslizei para fora da cama como se cada músculo do meu corpo estivesse em protesto contra aquela nova aventura. Mas lá fui, de novo, rumo ao Alentejo. E lá, em plena solidão dos campos, a minha companhia matinal são as vacas. Sim, vacas. Que me olha...