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“Mais Pequeno ou Menor? A Diferença que Confunde Até os Falantes Mais Atentos”

A língua portuguesa tem uma característica fascinante: não se contenta em ter regras. Cria também exceções, subtilezas e pequenas armadilhas destinadas exclusivamente a testar a humildade dos falantes. Uma dessas armadilhas vive discretamente no território dos adjetivos. É a eterna dúvida: mais pequeno ou menor ? À primeira vista parecem dizer exatamente a mesma coisa. E, na prática, muitas vezes dizem. Mas a gramática portuguesa é como certas tias em jantares de família: repara em tudo. Até naquilo que ninguém pediu para reparar. Comecemos pelo princípio. Os adjetivos qualificam. Atribuem características. São os estilistas da língua. Sem eles, a comunicação seria funcional, mas profundamente deprimente. Comparemos: Tenho um cão. Informação. Agora: Tenho um cão pequeno. Já temos imagem. Agora: Tenho um cão pequeno, teimoso e dramaticamente convencido de que é dono da casa. E pronto. Criámos literatura. Os adjetivos fazem isto. Vestem os substantivos...

“O Erro de Português que Inverte o Sentido de Uma Frase Inteira”

A língua portuguesa é extraordinária. Consegue transformar uma única preposição num desastre diplomático. Porque há expressões que parecem sinónimas, vivem lado a lado, frequentam as mesmas frases e até se vestem de maneira semelhante — mas, no fundo, querem exactamente o contrário uma da outra. É o caso destas duas criaturas gramaticais: ao encontro de de encontro a À primeira vista parecem irmãs. Na realidade, são rivais. Quase inimigas. A diferença é tão grande que trocar uma pela outra é o equivalente linguístico a confundir: casamento com divórcio; remédio com veneno; ou uma reunião produtiva com uma reunião que podia ter sido um e-mail. Comecemos pela mais simpática. Ir ao encontro de Esta expressão indica aproximação, concordância, satisfação ou harmonia. Quando algo vai ao encontro de outra coisa, aproxima-se dela de forma positiva. Exemplos: A proposta vai ao encontro das necessidades dos trabalhadores. Excelente. Há entendimento. Civilização. E...

"Orgulho"

Sinto uma mistura de orgulho e admiração que mal consigo traduzir em palavras. A mente do meu filho é simplesmente maravilhosa: ágil, perspicaz, treinada na lógica, e com uma criatividade que se desdobra de formas inesperadas. Na ciência, navega com segurança, claro, sem hesitações, mas sempre capaz de acrescentar uma perspectiva nova, uma ideia que ilumina o raciocínio como se cada conceito fosse uma estrela que ele acende ao toque. Hoje, ao almoço, aconteceu algo que me fez sorrir até à lágrima. Veio debater comigo, com a intensidade de quem sente responsabilidade e a curiosidade de quem não se contenta com superficialidades, sobre o primeiro trabalho que tem de apresentar. Era precisamente da disciplina que menos aprecia, mas que domina com a profundidade de quem conhece cada nuance: Português. E ali estava ele, a falar com segurança, mas com abertura para escutar, questionar e reformular, como se cada palavra minha fosse uma semente para germinar novas ideias. Fiquei maravilhada co...