"Tempo"

 Percorrer este caminho, que muitos chamam de vida, é como desvendar aos poucos o segredo de uma obra de arte, uma peça rara que se revela apenas a quem contempla com os olhos da alma. É uma jornada profundamente gratificante, não por ser desprovida de desafios, mas porque aprendi a caminhar sem pressa, a saborear cada passo. A vida se torna mais leve, mais rica, quando aprendemos a viver lentamente, a permitir que cada instante nos toque de maneira plena e verdadeira.

No entanto, é importante reconhecer que o tempo, por sua natureza, corre sempre no mesmo ritmo. Não há brecha para desacelerar sua marcha, pois a ciência nos lembra que ele flui com uma regularidade implacável, medido por seus segundos, minutos e horas. Os ponteiros do relógio seguem inexoráveis, sem se desviarem de seu curso. Einstein nos ensinou que o tempo pode ser relativo sob condições extremas, mas para nós, que vivemos a rotina dos dias comuns, ele permanece fiel à sua cadência. Portanto, o segredo de viver devagar não está em alterar o ritmo do tempo, mas em mudar a maneira como o vivenciamos.

Eu, por minha vez, vivêncio tudo no tempo certo, sem me deixar arrastar pelas mágoas ou tristezas que poderiam me pesar. Quando algo me fere, eu arrumo logo. Não acumulo ressentimentos, porque eles são âncoras que nos impedem de fluir. Em vez disso, limpo o terreno para que as alegrias possam florescer logo ali, ao lado. Assim, quando a vida me sorri, não hesito em sorrir de volta. Se gosto de algo, digo que gosto. Se amo, digo que amo, sem medo de me desnudar, porque a vida é preciosa demais para perder tempo com palavras não ditas.

Vivo cada emoção e cada sentimento no instante em que chegam. Não deixo que eles se acumulem nas gavetas do esquecimento ou que se percam no caos das distrações diárias. Quando algo me toca, eu permito que toque fundo, porque acredito que essa é a essência de viver lentamente. Não se trata de fazer menos ou de parar. Trata-se de estar presente, de sentir o sabor de cada segundo, de aproveitar o que a vida me dá sem a pressa de quem corre para chegar a um destino incerto.

Por isso, embora o tempo passe igual para todos, meu modo de vivê-lo é diferente. Eu escolho o ritmo da minha alma, não o ritmo dos relógios. Aproveito cada segundo, não porque ele seja mais longo, mas porque me permito saborear sua duração. Vivo no tempo certo, o meu tempo, onde as alegrias florescem rápido, as dores se dissipam logo, e a vida, com toda sua complexidade, torna-se uma dança suave e harmoniosa.

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Comentários

  1. Olá gostei imenso deste texto. Pode fazer mais deste jeito mas com filosofia.

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    1. Olá, Mónica. Fico feliz que tenha apreciado a leitura deste texto. Vou tentar fazer. Grata pelas palavras e pela sugestão.

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