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A mostrar mensagens de setembro, 2024

"A Revolta do Eu"

 Não me digas como agir, não me imponhas o que pensar. As regras que dizes serem a norma não foram feitas para mim, não têm o poder de me moldar. Recuso-me a dobrar-me como um marionete nos teus caprichos. Se errar é humano, então permito-me errar à minha maneira, a cada passo. A verdade é que eu prefiro fazer os meus próprios erros, mesmo que me conduzam pelo caminho da incerteza, porque sei que, de algum modo, isso me tornará mais autêntica. Guarda as tuas lágrimas. Não quero que desperdices a tua dor comigo. Não sou como eles, não me enquadro no que a sociedade espera de mim. Vivo com a cabeça nas nuvens, distante do ruído e da conformidade do mundo. E, ironicamente, é nesta desconexão que tudo faz sentido, porque esta sou eu, a minha essência nua e crua, que se recusa a ser apenas mais uma na multidão. A liberdade que busco é um estado de espírito, um grito por autenticidade em meio ao caos. Não me peças que mude, que me adapte aos teus padrões. Cada erro que cometo é uma afirm...

Nas Sombras da Saudade

Os dias passam, inexoráveis como as ondas que se quebram na costa, e, num primeiro momento, convenço-me de que estou a conseguir. A rotina ensina-me a disfarçar a dor, as lágrimas tornam-se um eco distante, uma lembrança de um tempo que não voltará. Contudo, há momentos em que, em conversas dispersas, a verdade me atinge como um raio, e percebo que estou a desvanecer, a desaparecer na neblina da ausência. Recordo-me da tua presença, das formas como o teu sorriso iluminava até os dias mais cinzentos. A maneira como caminhavas, o tempo que dedicavas a ensinar-me tudo o que sabes, tudo o que um dia foi nosso. Pergunto-me, como é que se segue em frente quando a alma se agarra a cada recordação como se fossem âncoras de um barco à deriva? Neste instante, apercebo-me de que estou a transformar-me em tudo aquilo que abomino. O desejo de ter-te de volta consome-me, mas é um desejo demasiado tardio. A mente tornou-se uma prisão, um labirinto de memórias onde a tua sombra ainda se faz sentir, co...

"Natural"

 Será que alguma vez conseguirás sustentar o peso daquilo em que te tornaste? Quando todos à tua volta se renderam, tu permaneceste, não por força, mas por uma necessidade corrosiva de sobreviver, como quem não conhece outro caminho. Nesta casa que edificaste com dor e sacrifício, cada pedra está manchada pelo sangue do teu esforço. Nada aqui foi conquistado sem um preço amargo, sem que deixasses partes de ti para trás. Diz-me, quando olhas para esse futuro vazio que tanto desejas, será que as estrelas algum dia se alinharão em teu favor? Será que o céu, aquele mesmo céu que tantas vezes te ignorou, algum dia descerá para te salvar de ti mesma? Mas quem és tu para clamar redenção? Esse é o preço que pagaste, e sabes disso, não é? Não foste apenas moldada pelas mãos cruéis do destino, foste cúmplice dessa frieza que agora te define. Abandonaste o teu coração como quem deixa algo irrelevante para trás. Tornaste-te um espectro deste mundo mecânico, um produto descartável de uma socied...

Coração

 Tomo Nevibolol todos os dias, religiosamente, como quem toma o pequeno-almoço ou lava os dentes. Supostamente, esta maravilha farmacêutica deveria fazer o meu coração acalmar-se, comportar-se como um cidadão exemplar. Mas não. Parece que o meu coração tem aspirações de atleta olímpico e quer correr, correr como se estivesse no meio de uma maratona — sem linha de chegada à vista. António Variações cantava que “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga” e, sinceramente, nunca nada me pareceu tão profético. Aliás, o António não estava sozinho. Amália Rodrigues também me entendia quando cantava: “Pára, pára, Pára, coração, Já não tens razão, De bater assim...” Amália, se soubesses o quanto eu canto essa letra em silêncio, todas as vezes que o meu coração decide que está na hora de fazer um sprint desnecessário. Já tentei conversar com ele, explicar-lhe: "Coraçãozinho, pára com isso. Estamos só a ver televisão, não estamos a fugir de um incêndio!" Mas parece que ele não m...

"À Beira do Abismo Interior"

Há momentos em que sinto que corro há demasiado tempo, como se o simples ato de respirar se tornasse uma batalha. O cansaço, invisível aos olhos dos outros, consome-me por dentro. Há uma guerra constante entre o meu coração e a minha mente, uma luta silenciosa e implacável. Nem sempre o conflito deixa marcas visíveis, nem sempre há sangue derramado, mas a dor é real, corrosiva. E, no meio deste caos, és tu quem me resgata, quem me traz de volta à luz, quando mais me sinto perdida. Pergunto-me, vezes sem conta: porquê? Por que razão me encontro à beira do precipício do meu lado mais sombrio? Sinto-me à deriva, presa nessa linha ténue entre o certo e o errado, onde o que sei ser moralmente correto se desfigura diante daquilo que, por estranho que pareça, me seduz e me parece irresistível. Há uma doçura no abismo, uma atração perigosa nas tentações que me rodeiam. Oh, porquê? Eu sei que não deveria ceder, que a queda traria apenas mais dor, mas, por um breve momento, parece tão certo, tão...

"Abraço do tempo"

 Na vastidão serena da memória, encontro o meu refúgio, como se cada lembrança fosse um espelho cristalino do passado, a refletir o que vivi e o que sou. O tempo, esse artesão invisível, teceu cada fio da minha existência, com risos, lágrimas, vitórias e perdas, compondo a tapeçaria única da minha vida. Cada história que guardo não é apenas uma sequência de eventos, mas um símbolo da transformação constante, onde o que fui se entrelaça com o que me tornei. Mergulho nas águas profundas da minha própria consciência, e, ao fazê-lo, sinto as emoções reverberarem como ondas em um lago tranquilo — algumas tempestades, outras apenas brisas suaves que acalmam o espírito. No regaço da recordação, repouso a cabeça com a confiança de quem já atravessou desertos e tempestades. As gotas de amor que pingam dessas memórias são como bálsamos que, gota a gota, apaziguam as dores do ontem. A vida se revela uma dança entre o que passou e o que ainda está por vir, um ciclo que nos ensina que as cicatr...

"Brisa."

 Na brisa suave da manhã, sinto o toque invisível da tua presença, como se o próprio vento sussurrasse o teu nome ao meu ouvido. Cada raio de sol que beija a minha pele parece trazer consigo a lembrança do teu sorriso, aquele sorriso que ilumina até os dias mais cinzentos. Caminho por entre as ruas, perdida nos meus pensamentos, mas cada passo que dou é um reencontro contigo. És o verso silencioso que escreve a minha vida, a melodia que ecoa no fundo da minha alma. Não há palavra que possa traduzir o que sinto, mas sei que o nosso amor é como uma sinfonia perfeita, onde cada nota é um gesto teu, cada compasso, um olhar trocado entre nós. Na nossa história, sou autora e protagonista, mas é contigo que escrevo os capítulos mais bonitos. Nas noites estreladas, deito-me sob o céu e pergunto-me como é possível sentir tanto em tão pouco. Como é que num mundo tão vasto, os nossos caminhos se cruzaram de uma forma tão sublime e inevitável? A vida, esse poema inacabado, encontra em ti o seu...

Reset

 Ontem, eu toquei o limiar do silêncio absoluto, aquele em que tudo cessa e o caos parece finalmente render-se à quietude. Fui parar no hospital, onde, por breves segundos, deixei de ser. Meu corpo, por um instante, desistiu de si, e naquele vazio, não houve dor, nem medo, nem a pressão esmagadora que tantas vezes me sufoca. Foi como um reset, um desligar de um mecanismo que há muito vinha sendo corroído pelo desgaste das lutas diárias. Eu sei, e talvez você saiba também, que há momentos em que parece que tudo ao nosso redor conspira contra o nosso bem-estar. Não porque não somos felizes, mas porque insistem em nos empurrar para o abismo. Há quem faça disso um desporto — atacar-nos onde somos mais frágeis, inventar mentiras sobre o que nunca fizemos, manchar nossa reputação com veneno destilado em palavras afiadas. E pior, fazem isso de forma sistemática, uma gota incessante de tortura que vai erodindo nossa essência. Há uma dor peculiar em ser desumanizada, reduzida a sombras do q...

Apaguei.

 Estava na minha terra, naquela tranquilidade onde a maior emoção do dia era quando o padeiro passava mais cedo e ninguém tinha tempo de ir buscar o pão. Eu estava a beber uma cerveja — nada de mais, só aquela sangria que parece que sabe a férias. O último gole mal tinha descido e... puf! Apaguei. O próximo cenário? Hospital. Uma pulseira laranja fluorescente no pulso, daquelas que se vêm do espaço, e um cateter espetado na mão. Elegância zero. O primeiro pensamento que me veio à cabeça? "Mas que raio de hospital é este que te veste como se fosses um sinal de trânsito?". Depois pensei: "Já morri? Nem um aviso prévio? Pior serviço que a MEO!". Olhei à volta para ver se percebia o que se estava a passar. Tudo branco, tudo a cheirar a desinfectante. Pior do que um centro de saúde em dia de vacinação. Tentei mexer-me, mas aquela cama parecia ter um sistema de segurança que ativava o desconforto logo que pensavas em sair dali. Tinha as costas mais tortas do que as cadeir...

"Floresta encantada."

 Na floresta encantada, onde o tempo parece suspender-se, caminhamos lado a lado, como se cada passo fosse uma dança antiga, marcada pelo ritmo dos nossos corações. Aqui, os sonhos tomam forma e os segredos do mundo dissipam-se como névoa ao amanhecer. Os pirilampos, com as suas luzes suaves e de cores etéreas, guiam-nos por entre árvores e trilhos, num brilho que parece feito apenas para nós. As nossas mãos entrelaçadas falam mais alto que as palavras, num gesto de carinho que transcende o silêncio. O vento, que sopra gentilmente entre os ramos, traz consigo uma melodia misteriosa, uma canção que só os nossos corações conseguem ouvir. E, ao luar, sinto o teu olhar pousar em mim, cheio de promessas não ditas. Nos teus olhos, vejo o reflexo das estrelas, que brilham como diamantes, enquanto nos meus, elas deslizam como suaves ondas de um mar tranquilo, espelhando o que sinto por ti. Ao longe, o uivo de um lobo ressoa, ecoando pelas montanhas como um chamado ancestral, lembrando-nos ...

"Ser Mulher"

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Ser mulher aqui é um desafio, uma constante luta entre o que se espera de mim e o que eu realmente sou. Não é fácil ter que seguir um papel pré-definido, um contrato social que dita quem eu deveria ser, como deveria agir e, sobretudo, a quem deveria pertencer. Não é suficiente ser apenas eu, há sempre uma sombra que me empurra para ser "a mulher de alguém", como se o meu valor estivesse inscrito na assinatura de um outro. Aqui, ser mulher é carregar o peso da submissão disfarçada de decência. É rezar o terço, dizer "amém" sem questionar, ir à missa e ser sempre bonita, jovem, impecável. Para muitos, ser mulher é não ter opinião. É ser a figura que se apresenta aos pais como a esposa ideal, mesmo que por dentro a chama da indignação arda em silêncio. Mas, eu, não. Eu que tenho a liberdade presa debaixo dos meus braços, carrego brasas a queimar debaixo dos pés. Já pus uma pedra sobre o meu passado, enterrei aquilo que me impedia de respirar. E, se a minha presença, se...

Deuses não rezam: a invencível ascensão do meu ser

Não há retorno, não há possibilidade de recuar. Já vi o suficiente, experimentei o que o mundo tinha para me oferecer, e não sou mais a mesma. Aquilo que antes era veneno, transformou-se numa fúria impetuosa, uma força que não pode ser contida. Pintei a minha jornada de preto, como se a própria sombra da minha existência fosse um reflexo do que enfrentei e venci. Não preciso de um toque dourado, de uma bênção externa que me transforme, porque já estou no centro da minha própria história. A minha essência, as minhas vitórias e derrotas, estão escritas na primeira página. Cheguei, conquistei, fiz as águas se abrirem à minha frente. Não vim para ser temporária, para ser uma chama que logo se apaga; estou aqui para ficar. No caminho, já experimentei tanto a vitória quanto a perda, já paguei o preço exigido por ser quem sou, e nunca, nunca me quebrarei. O mundo lá embaixo pode continuar a girar, mas eu, não. Eu não desço mais, não volto para o nível comum dos mortais. Os deuses não rezam. N...

De olhos fechados: um mergulho na minha resiliência

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Há momentos na minha vida em que a escuridão me cerca, e tudo o que eu conheço parece desmoronar. O peso das dificuldades, das dores e das angústias pode ser sufocante, como se eu estivesse presa num labirinto sem saída. Mas, paradoxalmente, é nesses momentos que a minha verdadeira força se revela, aquela força que me impulsiona a continuar, mesmo quando tudo parece perdido. E é nesse contexto que a frase "Eu poderia fazer isto de olhos fechados" ganha uma profundidade imensurável. Não se trata de arrogância ou autossuficiência, mas de uma confiança que forjei nas chamas do sofrimento. Voltar "dos mortos" – uma metáfora poderosa para mim, que já estive no fundo do poço, enfrentando horrores inimagináveis. A minha resiliência não é a ausência de dor, é a capacidade de seguir em frente apesar dela. Sei que, embora as palavras e os golpes possam marcar-me, jamais me definem. Enfrentei chicotadas da vida, tanto físicas quanto emocionais, mas sobrevivi e emergi mais fort...

No final...

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 Eu compreendo o poder que as palavras carregam. Cada uma que proferimos, cada frase que moldamos, pode impactar, elevar ou até ferir. E na arte de comunicar, o domínio da palavra é mais valioso do que muitas vezes reconhecemos. Por isso, quando te vejo a falar de mim, antes de pensares em espalhar julgamentos, pára. Pensa. Porque quem fala sem refletir apenas lança ao ar o eco de um vazio. O meu nome, antes, enchia documentos, estava gravado nos corredores de lugares onde a verdade é testada. Agora, o que preencho são corações e palcos, com quadras que já esgotaram salas. O silêncio que vem depois das palavras bem ditas não é vazio; é o respeito que se conquista. Que me batam palmas, que me ouçam em silêncio. Quem julgou que o meu caminho já tinha fim, enganou-se, pois mal comecei a percorrê-lo. Tu sabes que o barulho dos outros é apenas isso: ruído. E, enquanto há quem tente puxar-me para o fundo, estou firme. Fechada com quem me entende, com quem me apoia. Na simplicidade de um ...

"Como é que estás?"

 Como é que estás? Os anos vão passando e, com eles, vêm tantas mudanças, tantos caminhos que se cruzam, se afastam, ou se perdem por entre as curvas da vida. Mas, hoje, a pergunta que me fica no peito é: e tu, como é que estás? Porque, enquanto o tempo avança, o desejo de saber de ti cresce, de entender como te tens sentido, como tens lidado com as surpresas, os desafios, os altos e baixos que, inevitavelmente, a vida nos lança. A vida, essa força que bate tão forte, às vezes mais forte do que gostaríamos, tem-te tratado bem? O teu futuro, o que é que ele te tem trazido? É curioso pensar nisso, porque, se olharmos para trás, percebemos que muitas das respostas que procurávamos não vieram da forma que imaginávamos. No meio do pouco, fizemos tanto, e quando o muito veio, a sede de querer mais, de fazer melhor, de ir mais longe, continuou a crescer. Mas e tu, como tens navegado por entre esses desejos e incertezas? É curioso como os anos mudam as nossas perspectivas. Aquilo que antes...

"Guarda as palavras"

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Se eu amanhã não acordar, guarda as palavras que te disse como um tesouro, num lugar onde possas encontrá-las sempre que a saudade apertar. Não deixes que o tempo apague o que dissemos, as confissões, os segredos partilhados. Guarda o meu coração junto do teu, no mesmo ritmo que batia quando estávamos próximos. Lembra-te das vezes em que o destino nos permitiu estar lado a lado, da sorte que tivemos em nos cruzarmos e, por breves momentos, fazer o mundo parar. Recorda as tolices que dissemos, as conversas sem sentido que nos arrancaram sorrisos, e também os planos que fizemos, mesmo os que nunca vimos acontecer. Porque, de alguma forma, esses sonhos, mesmo não realizados, pertencem-nos. Se amanhã souberes que já não estou cá, guarda a minha voz, aquele som que se entrelaçava com o teu riso, que ecoava nos momentos de alegria. E não te esqueças do meu sorriso, aquele que se moldava ao teu, cúmplice. Lembra-te também do abraço que partilhámos, o abraço que me fez sentir que, por um insta...

"Nunca"

 Não te apaixones por uma mulher que lê, que sente o mundo à flor da pele, por uma mulher que escreve, porque ela se expressa além das palavras, nas entrelinhas do que não dizes. Não te apaixones por uma mulher culta, que conhece a magia das ideias, que delira com as possibilidades do impossível, que dança na fronteira entre a sanidade e a loucura. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que tem plena consciência do que sabe e que, ao mesmo tempo, sabe voar com a mente. Uma mulher que se confia ao vento dos seus próprios sonhos e não teme a queda. Não te apaixones por uma mulher que ri com a alma ou que chora com a mesma intensidade. Que consegue transformar a fragilidade da carne em força espiritual, em algo que transcende o visível. E, acima de tudo, não te apaixones por uma mulher que ama poesia, pois são essas as mais perigosas: elas veem a beleza onde os outros veem caos, e vivem num universo que só elas entendem. Não te apaixones por uma mulher que se perde em pinturas, qu...