"Tolos"

 Olha, vou contar-te uma história que, se não tivesse acontecido comigo, eu própria não acreditava. Senta-te e ouve bem, que isto é digno de filme de terror barato.

Estava eu, uma mulher de hábitos controlados, a fazer a minha pausa do café no quintal, quando decido acender um cigarro. Até aqui, nada de mais, não é? Pois, mas este cigarro não era normal. De repente, a chama do isqueiro começa a dançar com uma energia que eu nunca tinha visto antes. A chama prendeu-se ao cigarro como um cão raivoso. Pensei cá para os meus botões: “Será que comprei tabaco com piri-piri?” Mas não, meus caros, aquilo era bruxedo.

O cigarro possuído, de repente, começa a dar voltas na minha mão, como se tivesse vida própria. Eu, já a suar como se estivesse numa sauna, tento apagar a ponta incandescente. Mas o que é que o cigarro faz? Tenta pegar fogo a mim! Não estou a brincar, o maldito bicho tentou acender a minha camisola! Eu a lutar com ele, parecia uma dança do acasalamento de loucos, mas em versão combustão.

Só me faltava um público a aplaudir, porque eu ali, no quintal, a lutar com um cigarro endiabrado, era um espetáculo à parte. As bruxas da aldeia deviam estar a rir-se, a comer papas e bolos, e a enganar mais um tolo – eu! Devia ser inveja, só pode! Alguma vizinha invejosa, cheia de fel e sem tabaco, que lançou um feitiço no meu maço.

Depois de uns minutos que pareceram horas, consegui enfiar o cigarro endiabrado num copo de água. Pensei que tinha vencido, mas não. A água começou a borbulhar como se estivesse a ferver. Olha, aquilo parecia o caldeirão da bruxa, versão miniatura.

Consegui apagar a chama, mas não sem antes ficar com um cheiro a queimado que nem três duches conseguiram tirar. E a minha camisola? Furada. Isto só podia ser obra de uma bruxa ressabiada. Já dizia a minha avó: “Com papas e bolos se enganam os tolos”, e eu fui o tolo da vez. Desde então, olha, decidi que talvez seja melhor parar de fumar. Ou então, só comprar cigarros benzidos pelo padre, que hoje em dia, segurança nunca é demais.

E assim vou eu, a viver com mais uma história bizarra para contar. Se achas que estou a inventar, experimenta tu própria acender um cigarro numa sexta-feira 13, no quintal, e depois falamos. Eu, por agora, vou comprar um detector de feitiços para garantir a segurança dos meus próximos maços.



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