"Fragilidade."
Hoje acordei com a sensação de que o meu corpo, como se de uma máquina enferrujada se tratasse, começava a dar sinais de fraqueza. Os músculos cansados, a mente nublada, e uma fragilidade latente, como se cada movimento fosse um esforço hercúleo. Em dias assim, é preciso ter a coragem de reconhecer os próprios limites e pedir ajuda. Então, resolvi partilhar com a minha madrinha o meu estado. "Amanhã termino isto," disse-lhe, "hoje não estou bem."
Ao chegar à avenida, senti a necessidade de um apoio imediato. Telefonei ao meu marido, que prontamente veio buscar-me com o nosso filho. A presença deles foi um bálsamo para o meu espírito exausto. Naquele momento, percebi que a força não reside apenas na capacidade de persistir, mas também na sabedoria de saber quando recuar e pedir auxílio.
Mais tarde, a minha prima paterna, a única que realmente considero família, propôs-me irmos beber um café. Aceitei, claro, porque sabia que a sua companhia seria reconfortante. Não há mal nenhum em mostrar fragilidade. De facto, a vulnerabilidade é uma parte intrínseca da condição humana. Todos temos defeitos, falhas, e há momentos em que a nossa força parece esvair-se como areia por entre os dedos.
Partilhei com o meu marido um pensamento que me tem acompanhado: "Eu posso viver com dignidade, mas nem sempre se morre com ela." Esta reflexão é poderosa e verdadeira. O corpo falha, as forças abandonam-nos, e nem todos conseguem encarar o momento derradeiro com a dignidade com que viveram. No entanto, é precisamente essa honestidade, essa aceitação da nossa humanidade imperfeita, que nos torna genuinamente dignos.
Hoje, aceito a minha fraqueza com um sorriso sereno. Vou encontrar-me com a minha prima e desfrutar de um café, porque, no fundo, são estes momentos de partilha e conexão que nos fortalecem. A vida é feita de altos e baixos, e é na aceitação das nossas vulnerabilidades que encontramos a verdadeira força. Afinal, ser humano é, acima de tudo, ser real.
A vida é deve ser vivida com alegria no que temos, a semana foi cheia de momentos gratificantes de felicidade. Praia, piscina, piqueniques, jogos e brincadeiras. Conversas e saídas com amigos o voluntariado a missa e fé. Leio e escrevo, abraço cada dia segundo a segundo, hoje o corpo cedeu amanhã estarei pronta para criar mais memórias com os meus filhos, marido e amigos e vou continuar até meu tempo terminar.
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Tema e conteúdo
O texto aborda:
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consciência dos limites físicos
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vulnerabilidade e fragilidade humana
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importância de pedir ajuda
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apoio familiar e afetivo
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dignidade na vida e na morte
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valorização das pequenas experiências do quotidiano
É um texto intimista, reflexivo e emocionalmente honesto. A narrativa transmite maturidade e serenidade perante a fragilidade. A frase:
“Eu posso viver com dignidade, mas nem sempre se morre com ela”
é particularmente forte, filosófica e bem conseguida, funcionando como eixo temático.
👉 Ponto forte: reflexão existencial profunda sem dramatização excessiva.
👉 Sugestão: o último parágrafo carece de revisão e maior coesão.
Estrutura e organização
A organização é globalmente clara:
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sensação física de cansaço
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procura de ajuda
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apoio familiar e conjugal
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encontro com a prima
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reflexão sobre dignidade e morte
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aceitação e positivismo
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fecho com afirmação de vida
Há progressão lógica do corpo → relações → filosofia de vida.
👉 Pequeno problema:
O último parágrafo apresenta alguma quebra de fluidez e contém erros de concordância e de repetições.
Coesão e coerência textual
O texto apresenta boa coerência semântica.
São bem usadas:
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repetições intencionais (“força”, “fragilidade”, “dignidade”)
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encadeamento temporal (“hoje”, “amanhã”, “mais tarde”)
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marcadores lógicos implícitos
👉 A última frase finaliza com ligeira incompletude sintática:
“vou continuar até meu tempo terminar.”
Em português europeu padrão:
✔️ “até o meu tempo terminar”
Estilo e efeito expressivo
O estilo é:
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confessional
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maduro
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sereno
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com leve lirismo
Uso feliz de metáfora:
“como se de uma máquina enferrujada se tratasse”
e imagem poética:
“a força parece esvair-se como areia por entre os dedos”
👉 linguagem emocional bem equilibrada com racionalidade.
Correção linguística (gramática, ortografia e pontuação)
Pontos muito positivos
✔ concordância, em geral, correta
✔ vocabulário variado e preciso
✔ registo adequado ao género reflexivo
✔ ortografia conforme o Acordo Ortográfico
Pontos a corrigir
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Redundância
“A vida é deve ser vivida”
❌ erro
✔ “A vida deve ser vivida”
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Pontuação excessiva em frases longas
→ divide frases para maior clareza -
Concordância pronominal
✔ português europeu:
“o meu tempo”, não “meu tempo” -
Repetição desnecessária
“eu como humana falho e rezo”
→ noutro texto anterior; aqui evitaste bem, mas atenção ao padrão
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Quebra final de frase
“e vou continuar até meu tempo terminar”
✔ corrigir para:
“e vou continuar até o meu tempo terminar.”
Dimensão psicológica do texto
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saudável reconhecimento de limites
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valorização do apoio familiar
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ausência de ideação autolesiva
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visão realista da morte sem morbidez
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boa literacia emocional
👉 A vulnerabilidade é apresentada como força, não fraqueza.
Síntese avaliativa
Pontos fortes
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profundidade reflexiva
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autenticidade emocional
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imagens expressivas
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estrutura lógica
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tom sereno e maduro
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excelente temática existencial
A melhorar
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última secção menos polida
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algumas falhas de concordância
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frases longas que podem ser segmentadas
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pequenas incorreções ortográficas
Nota académica (escala 0–20)
🟢 18,5 / 20
👉 justificativa:
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excelente conteúdo e profundidade
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estilo literário consistente
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pequenos deslizes linguísticos evitam 20
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altíssimo nível global
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