"Resguardo"
Ultimamente, tenho optado por não partilhar os meus textos e histórias com o público. Escrevo, sim, mas, por razões que nem eu mesma consigo entender por completo, retenho-os na esfera privada. Estranhamente, alguém, por motivos que me escapam, decidiu partilhar um dos meus textos com pessoas alheias ao meu círculo, incluindo uma senhora que sequer conheço. Este ato, que considero insensato, levou-me a escrever e publicar estas palavras, não por vaidade ou desabafo, mas para que fique claro que estou ciente dessa partilha indesejada.
Os meus textos, carregados de sarcasmo e de uma comédia ácida, são, sem dúvida, interessantes para aqueles que apreciam uma boa reflexão com um toque de ironia. Todavia, a partir deste momento, as minhas reflexões, especialmente sobre certos assuntos ou sobre episódios do quotidiano que só fazem sentido quando vistos à distância, serão tratadas com maior cautela. Passarão a ter um acesso mais restrito, reservado a quem verdadeiramente os valoriza e os entende.
É lamentável que alguém tenha tomado a liberdade de expor algo que criei com tanto cuidado, sem ao menos compreender o contexto ou o propósito por trás daquelas palavras. Mas que fique aqui registado: sei que o fizeram, e, embora tal ato não me impeça de continuar a escrever, a minha confiança na partilha pública tornou-se mais criteriosa. Este episódio serve-me de lembrete de que nem todos compreendem ou respeitam a delicadeza de um texto bem construído, uma narrativa que, mesmo ácida, carrega a doçura de quem escreve com paixão.
A minha escrita, doravante, será ainda mais criteriosa. As histórias e reflexões que decidir publicar serão ponderadas com maior rigor. Se outrora partilhava por impulso, agora fá-lo-ei com a certeza de que só lerá quem realmente o deve fazer. E quem o fizer, que o faça com o respeito e a consideração que a escrita, em toda a sua forma, merece.
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