"Ressurgência"

 Na efervescência do verão, aquele momento em que o calor e a energia contagiante pairam no ar, tenho encontrado um prazer singular nas festividades que proliferam pela região. Apesar de apreciar o vibrante reboliço das grandes celebrações, a verdade é que encontro um charme inegável nas festas mais pequenas, onde a intimidade e a autenticidade criam uma atmosfera quase mágica. Tenho-me lançado de cabeça nestes convívios, ora na companhia do meu marido e filhos, ora, quando a noite se alonga, com a minha prima, a única com quem mantenho uma ligação estreita do lado paterno.

Ontem, uma vontade quase irresistível de dançar tomou conta de mim. Deixei a minha prima, temporariamente acomodada, e aventurei-me pelas ruas estreitas do vilarejo, que ecoavam os sons festivos. O destino, curioso como sempre, levou-me até a praça em frente à igreja. Aí, o cenário era uma verdadeira explosão de alegria e movimento. De mãos dadas, todos girávamos numa roda frenética, num misto de euforia e descontração que só quem já viveu sabe descrever. As amizades que forjei desde que o meu filho mudou de estabelecimento de ensino tornaram-se evidentes neste momento, em que o simples ato de dançar se transformou numa celebração coletiva do que significa viver em comunidade.

Confesso que me senti rejuvenescida, como se a dança tivesse o poder de apagar os anos e restaurar uma vitalidade há muito adormecida. Depois, a noite trouxe consigo uma pitada de nostalgia, com a música dos anos 80 a tomar conta dos altifalantes. Não resisti à tentação e, num ímpeto, lancei-me à pista com uma energia que surpreendeu as senhoras que, até então, se mantinham numa observação tímida. Entre risos e tentativas, convenci-as a acompanhar-me, numa imitação alegre e desajeitada que só contribuiu para aumentar a diversão.

É verdade que transpirei como nunca. O cabelo, molhado, colava-se à testa e ao pescoço, e o macacão que escolhera para a ocasião aderiu-se às costas, como se também ele participasse do esforço. Mas, o prazer superou qualquer desconforto. Sentir o coração a bater, não apenas pela intensidade do exercício, mas pela pura alegria de estar ali, foi um presente inesperado. São momentos assim que me fazem perceber o quão importante é, de tempos a tempos, largar as rédeas da rotina e simplesmente... dançar.

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