"Frase do dia"

A frase "Numa noite pode-se perder uma vida inteira de esperança, o futuro e uma parte do nosso passado" carrega um peso profundo, quase esmagador. Num só momento, uma noite qualquer, aquilo que cultivamos ao longo de anos pode desmoronar-se. A esperança, esse sentimento que nos impulsiona a continuar, pode ser destruída de forma tão repentina que quase parece cruel. Quando a esperança se perde, o futuro, que antes parecia cheio de possibilidades, transforma-se num terreno árido e incerto, onde as promessas de outrora já não têm lugar.

Além disso, a frase toca num ponto ainda mais doloroso: a perda de uma parte do nosso passado. O que somos, o que vivemos, está intrinsecamente ligado ao que esperamos do futuro. Perder a esperança não é apenas perder algo diante de nós, mas também é ver as nossas memórias, as nossas experiências, enfraquecerem. Aquilo que nos definia e que nos guiava passa a ser apenas uma lembrança distante, uma sombra do que um dia foi real e tangível.

A força desta frase reside na sua capacidade de encapsular a fragilidade da condição humana. Num instante, numa única noite, tudo o que damos como certo pode desaparecer, deixando-nos perdidos, sem chão, a contemplar as ruínas de um futuro que nunca virá e de um passado que já não pode ser resgatado. 


I

Nesta noite em que a lua não brilha,

Perdi o que em mim restava de luz,

A esperança, outrora erguida em trilha,

Agora ao escuro me conduz.


II

O futuro, que antes se abria em flor,

Hoje é um campo árido, sem cor,

Onde os sonhos, sem vida, sem fervor,

Definham na sombra, morrem de dor.


III

E do passado, o que me resta enfim?

Sombras, ecos, memórias em ruína,

Fragmentos de um eu que esteve em mim,

Agora perdidos na esquina.


IV

Cada estrofe é um grito de saudade,

Uma lágrima que não seca na face,

A dor de saber que a felicidade

É um miragem que a dor ultrapasse.


V

Cem noites não bastariam para curar

A ferida aberta, sangrando em vão,

Pois num instante se pode apagar

A chama que ilumina o coração.


VI

Na solidão desta noite, eu me perco,

O silêncio pesa como um manto denso,

A alma, antes vibrante, agora é um eco,

De um lamento profundo, intenso.


VII

Cada suspiro é um adeus velado,

Aos sonhos que morreram ao relento,

Como folhas ao vento, espalhado,

Perdi-me no vazio do tempo.


VIII

As estrelas, testemunhas mudas,

De um desespero que não conhece fim,

São luzes distantes, frias e surdas,

Num céu onde já não me vejo a mim.


IX

Oh, que noite, que longa é esta agonia,

Onde o passado e o futuro se encontram,

Num mar de mágoa, sem ventania,

Onde os dias de glória se afrontam.


X

E na curva do tempo, eu me vejo,

Tão pequena diante do que perdi,

Sem forças para seguir ou desejo,

De lutar por um amanhã que fugi.


XI

As memórias são laços que apertam,

O peito já cansado de esperar,

Pelo retorno dos dias que libertam,

De uma dor que se recusa a cessar.


XII

Cada lembrança é uma faca afiada,

Que rasga sem piedade, sem compaixão,

Fazendo de cada noite uma cilada,

Onde caio, sem chance de redenção.


XIII

E o futuro, que já foi tão brilhante,

Torna-se um caminho enevoado,

Onde o medo se ergue, vigilante,

Sobre os sonhos que deixei de lado.


XIV

A esperança, uma chama vacilante,

A cada sopro da noite se apaga,

Deixando-me num deserto errante,

Onde só a tristeza me afaga.


XV

Que ironia cruel, esta da vida,

Que em uma noite pode nos roubar,

O que de mais puro foi nutrido,

E em sombras frias nos transformar.


XVI

Se ao menos pudesse voltar no tempo,

E resgatar aquilo que perdi,

Talvez o vento levasse o tormento,

E o sorriso, outrora meu, ressurgi.


XVII

Mas o passado é uma terra distante,

Inalcançável, por mais que eu tente,

E a dor, que antes era constante,

Agora é uma cicatriz latente.


XVIII

Cada estrela que vejo cintilar,

Parece um adeus, uma despedida,

De um futuro que não vou alcançar,

De uma esperança já sem vida.


XIX

E o passado, esse velho conhecido,

Torna-se um espelho quebrado,

Onde o reflexo, já distorcido,

Revela o que não pode ser mudado.


XX

Nesta noite, onde o silêncio impera,

Eu sou apenas uma sombra a vagar,

Pelas ruas vazias, como quem espera,

Por um novo dia que tarda a chegar.


XXI

Cada passo ecoa no vazio,

Como o pulsar de um coração cansado,

Que bate, bate, mas sem brio,

Num corpo que se sente abandonado.


XXII

As lágrimas, companheiras desta jornada,

Escorrem sem pedir permissão,

Marcando no rosto a estrada,

Por onde caminham a dor e a solidão.


XXIII

E se o tempo fosse mais compassivo,

Talvez não sentisse tanto assim,

O peso de um destino esquivo,

Que roubou o que havia de melhor em mim.


XXIV

Mas o relógio, implacável e frio,

Continua a girar, sem compaixão,

Levando consigo o que restou de brio,

E deixando-me só, na escuridão.


XXV

Por entre as sombras da noite que passa,

Vejo o reflexo de uma vida perdida,

Uma existência que, embora escassa,

Foi marcada por uma dor incontida.


XXVI

Se ao menos pudesse encontrar a paz,

Nesse caos interno que me consome,

Talvez o desespero, que tanto me faz,

Deixar-me-ia viver sem esse nome.


XXVII

Mas a paz é uma miragem distante,

Um oásis que não consigo tocar,

E o desespero, constante,

Torna-se uma âncora a me afundar.


XXVIII

Cada lembrança é uma lâmina fina,

Que corta sem dó o meu ser,

Trazendo à tona a dor que se ensina,

A nunca, jamais, esquecer.


XXIX

E assim, perdida em meio à noite,

Caminho sem rumo, sem direção,

Procurando por um único açoite,

Que me liberte desta prisão.


XXX

Mas a liberdade é um sonho vago,

Uma promessa que o vento levou,

E eu, aqui, ainda trago,

A dor de um amor que findou.


XXXI

Oh, como dói esta lembrança cruel,

De um tempo que não volta mais,

De uma noite em que, como fel,

Perdi tudo o que me trazia paz.


XXXII

E a lua, minha única testemunha,

Observa, silenciosa, o meu sofrer,

Enquanto a dor, como um cão que acunha,

Faz do meu peito o seu esconder.


XXXIII

As estrelas, que brilham lá no alto,

Parecem zombar da minha tristeza,

Como se o céu, em seu asfalto,

Risse da minha pequena nobreza.


XXXIV

Mas eu, que já não espero nada,

Continuo a caminhar por entre as sombras,

Carregando comigo a dor calada,

De uma vida que, em silêncio, se assombra.


XXXV

Cada passo que dou é um fardo,

Que me puxa para baixo, sem cessar,

E eu, que antes erguia-me tardo,

Agora mal consigo me arrastar.


XXXVI

Oh, noite, que tanto me roubaste,

Devolva-me ao menos um sonho,

Que a esperança, que tu mataste,

Não seja em vão, como um arranjo.


XXXVII

Mas a noite é surda, não me escuta,

E eu fico aqui, a mendigar,

Por um pouco de paz, numa luta,

Que sei que não vou ganhar.


XXXVIII

E assim, o tempo vai passando,

Cada minuto é uma eternidade,

E eu, aqui, ainda esperando,

Por um sinal de que há felicidade.


XXXIX

Mas a felicidade é um véu distante,

Que não consigo alcançar,

E eu, aqui, errante,

Já não sei mais como lutar.


XL

Cada vez que fecho os olhos,

Vejo o reflexo do que perdi,

E o coração, em agouros,

Lamenta o que não vivi.


XLI

Oh, como é triste esta existência,

Marcada pela dor e pelo luto,

Onde a esperança, em sua ausência,

Deixou-me apenas o fruto.


XLII

E o fruto da dor é amargo,

Um sabor que não quero mais sentir,

Mas a vida, com seu encargo,

Insiste em me fazer engolir.


XLIII

Cada suspiro é um adeus,

A um tempo que não voltará,

E eu, aqui, sem os meus,

Já não sei mais onde encontrar.


XLIV

A esperança, que se foi tão cedo,

Deixou-me aqui, à mercê da sorte,

E eu, agora, vivo com medo,

De que a vida me leve à morte.


XLV

Mas a morte não é o que temo,

O que me assusta é viver,

Numa existência sem remo,

Onde não sei mais o que fazer.


XLVI

E o tempo, esse velho inimigo,

Continua a passar, sem parar,

Levando consigo o abrigo,

Que eu pensei um dia encontrar.


XLVII

Oh, que noite, que longa agonia,

Que me envolve em seu manto frio,

E eu, aqui, sem alegria,

Só consigo sentir o vazio.


XLVIII

Cada lembrança é uma dor,

Que me rasga o peito sem piedade,

E eu, que já fui um sonhador,

Agora sou apenas saudade.


XLIX

Saudade de um tempo que passou,

De um futuro que não aconteceu,

De um amor que não ficou,

E de uma vida que se perdeu.


L

Oh, como é difícil aceitar,

Que tudo o que sonhei se foi,

E eu, aqui, a lamentar,

A dor que nunca se esvai.


LI

Cada vez que respiro,

Sinto a dor de estar viva,

Num mundo que já não admiro,

E que, em sombras, me cativa.


LII

Oh, noite, seja breve,

E leve consigo este pesar,

Que me consome e me neve,

Num inverno que não




Das frases mais profundas que escutei dita por um pai no dia do funeral de seu filho.




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