"Sou portuguesa. Sou mãe. E sei onde encontro a minha força."
Sou portuguesa.
E talvez isso explique uma parte da mulher que me tornei: aprendi cedo que há caminhos que se fazem com as mãos ocupadas, o coração apertado e a certeza de que desistir nem sempre é uma opção.
Sou mulher.
Sou mãe.
Sou guerreira.
E tenho Fé.
Não digo isto como quem apresenta títulos.
Digo-o como quem apresenta as marcas de uma vida.
Porque ser guerreira não é viver sem medo.
É conhecer o medo e não lhe entregar o comando.
Não é nunca cair.
É aprender a levantar-se.
Não é ter sempre respostas.
É continuar a procurar quando as respostas não chegam.
Não é ser feita de pedra.
É continuar humana depois de a vida nos ter ensinado que também sabemos partir.
E eu sei o que é estar cansada.
Sei o que é ter o coração cheio e, ainda assim, continuar a fazer o que precisa de ser feito.
Sei o que é olhar para os meus filhos e desejar poder construir à volta deles uma muralha contra tudo aquilo que os pode magoar.
Mas também sei que não posso.
Nenhuma mãe pode.
Podemos educar.
Podemos ensinar.
Podemos acompanhar.
Podemos proteger.
Podemos estar.
Mas não podemos viver por eles.
Não podemos impedir todas as quedas, todas as desilusões, todas as perdas, todas as injustiças.
E foi precisamente aí que compreendi que a minha maternidade precisava de uma força que não fosse apenas minha.
É aí que entra a minha Fé.
Eu não acredito num Deus que nos promete uma vida sem tempestades.
Acredito num Deus que permanece connosco dentro delas.
E isso muda tudo.
Porque rezar não é cruzar os braços à espera que o Céu resolva aquilo que nos compete fazer.
Eu rezo e ajo.
Peço discernimento e tomo decisões.
Peço força e continuo.
Peço protecção e faço tudo aquilo que está ao meu alcance para proteger.
Peço sabedoria porque sei que amar também é aprender.
A minha Fé não me retira da realidade.
Manda-me para dentro dela com mais coragem.
E há uma coisa que aprendi como mãe: há momentos em que não conseguimos resolver.
Podemos apenas permanecer.
Há dores que não conseguimos retirar.
Podemos apenas acompanhar.
Há caminhos que não podemos percorrer pelos nossos filhos.
Podemos apenas ensiná-los a caminhar.
E há noites em que o único gesto que me resta é fechar os olhos e dizer:
“Senhor, eu já fiz tudo o que consigo. Agora cuida Tu.”
Isso não é desistência.
É confiança.
Porque existe uma diferença enorme entre entregar uma preocupação a Deus e abandonar uma responsabilidade.
Eu não abandono.
Eu entrego.
E depois levanto-me.
Porque os meus filhos precisam de uma mãe que saiba ajoelhar-se sem se quebrar.
Precisam de alguém que lhes mostre que pedir ajuda não diminui ninguém.
Que chorar não é fraqueza.
Que ter medo não é cobardia.
Que a humildade não é inferioridade.
Que a bondade não exige ingenuidade.
Que perdoar não significa permitir tudo.
Que ter Fé não significa deixar de pensar.
E que a verdadeira força não está em nunca precisar de ninguém.
Está em saber onde procurar força quando a nossa já não chega.
Quero que os meus filhos saibam que podem ser livres.
Que podem escolher.
Que podem errar.
Que podem recomeçar.
Que podem ser diferentes.
Mas quero também que saibam que existe uma casa onde nunca terão de provar que merecem ser amados.
A minha.
Enquanto eu puder.
Porque ser mãe não é possuir uma vida.
É receber a extraordinária responsabilidade de acompanhar outra pessoa enquanto ela aprende a viver a sua.
E talvez seja uma das tarefas mais humildes e mais grandiosas que existem.
Dar raízes sem impedir as asas.
Dar segurança sem criar dependência.
Dar valores sem impor uma vida.
Ensinar sem deixar de aprender.
Amar sem possuir.
E confiar sem deixar de cuidar.
Eu não sei o que a vida ainda lhes reserva.
Não sei quais serão as batalhas deles.
Não sei que perdas conhecerão, que pessoas encontrarão, que sonhos alcançarão ou quantas vezes terão de começar de novo.
Mas sei uma coisa:
enquanto estiver aqui, não estarão sozinhos.
E quando eu não puder chegar onde eles estiverem, a minha oração chegará.
Porque há distâncias que uma mãe não consegue atravessar com os pés.
Mas atravessa com a fé.
É por isso que, quando a vida aperta, eu não procuro parecer invencível.
Procuro permanecer inteira.
E, quando já não consigo permanecer de pé, ajoelho-me.
Não para fugir da batalha.
Para encontrar forças para voltar a ela.
Sou portuguesa.
Sou mulher.
Sou mãe.
Sou guerreira.
Tenho Fé.
E não preciso que a vida seja fácil para continuar a acreditar.
Preciso apenas de continuar a caminhar.
Às vezes com os meus filhos pela mão.
Às vezes carregando-os no coração.
Às vezes sozinha diante de Deus.
Mas nunca verdadeiramente sozinha.
Porque aprendi que há uma força que não nasce dos músculos, nem da coragem humana, nem da certeza de que tudo correrá bem.
Nasce da confiança.
Daquela confiança silenciosa de quem sabe que pode não controlar o amanhã, mas pode entregar-lhe o coração.
E é assim que sigo.
Com os pés na terra.
Com os olhos postos na vida.
Com os filhos no coração.
E Deus no centro.
Porque eu posso até cair de joelhos diante de Deus, mas é precisamente de joelhos que encontro força para manter os meus filhos de pé; e quando corro para a batalha, não corro sozinha — corro com Jesus Cristo ao meu lado.
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