"Inocêncio V: o Centésimo Octogésimo Terceiro Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Gregório X, a Igreja de Roma elegeu Inocêncio V, reconhecido como o centésimo octogésimo terceiro Papa da Igreja Católica e sucessor de Gregório X na Sé de Roma.

O seu pontificado decorreu entre 21 de janeiro e 22 de junho de 1276, durando apenas cerca de cinco meses. Apesar da brevidade, Inocêncio V ocupa um lugar especial na história da Igreja: foi o primeiro Papa proveniente da Ordem Dominicana.

Origem e formação

Inocêncio V nasceu por volta de 1225, em Champagne, na França.

O seu nome de nascimento era Pierre de Tarentaise.

Ingressou na:

Ordem dos Pregadores

e dedicou-se profundamente ao estudo da teologia e da filosofia.

Foi professor na Universidade de Paris, uma das grandes instituições intelectuais da Europa medieval.

A sua reputação académica tornou-o uma figura de grande prestígio dentro da Igreja.

Ascensão na hierarquia da Igreja

A carreira eclesiástica de Pierre de Tarentaise foi extraordinariamente rápida.

Foi nomeado arcebispo de Lyon e, posteriormente, elevado a cardeal.

Em 1273, foi criado cardeal-bispo de Ostia.

Participou no:

Segundo Concílio de Lião

onde desempenhou um papel importante nas discussões sobre a união entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente.

Eleição ao papado

Após a morte de:

Gregório X

os cardeais reuniram-se em Arezzo.

Pierre de Tarentaise foi eleito em 21 de janeiro de 1276 e adoptou o nome de Inocêncio V.

Foi o primeiro Papa dominicano da história.

Um pontificado muito breve

Inocêncio V encontrou uma Igreja que ainda enfrentava importantes desafios políticos.

O seu principal objectivo foi preservar as conquistas diplomáticas alcançadas pelo seu predecessor.

Procurou manter a paz entre os soberanos cristãos e fortalecer a união entre as Igrejas latina e grega.

Contudo, teve muito pouco tempo para concretizar os seus projectos.

Relações com Constantinopla

Uma das suas prioridades foi preservar a união acordada no Segundo Concílio de Lião.

O Papa procurou manter o diálogo com o imperador bizantino:

Miguel VIII Paleólogo

e com o Patriarcado de Constantinopla.

A união entre Roma e Constantinopla, porém, encontrava forte oposição dentro do próprio Império Bizantino.

Apesar dos esforços de Inocêncio V, a reconciliação seria frágil e acabaria por fracassar.

Diplomacia e paz

Inocêncio V também tentou mediar conflitos entre os grandes poderes europeus.

O papado pretendia evitar novas guerras entre príncipes cristãos e criar condições para uma eventual cruzada no Oriente.

Continuava, portanto, a política iniciada por Gregório X.

Teólogo e intelectual

Antes de ser Papa, Pierre de Tarentaise já era conhecido como teólogo.

Foi autor de comentários e obras teológicas, incluindo textos sobre:

  • a Santíssima Trindade;
  • a criação;
  • a graça;
  • os sacramentos;
  • a ética cristã.

A sua formação dominicana colocou-o no centro da grande tradição intelectual escolástica do século XIII.

Morte

Inocêncio V faleceu em 22 de junho de 1276, em Roma.

Tinha provavelmente cerca de cinquenta anos.

Foi sepultado na:

Basílica de São João de Latrão

Foi sucedido por Adriano V.

Beatificação

Inocêncio V foi beatificado em 1898 pelo Papa Leão XIII.

A Igreja celebra a sua memória litúrgica em 22 de junho.

Legado

O seu pontificado foi demasiado curto para produzir grandes reformas, mas a sua eleição teve enorme significado.

Pela primeira vez, um membro da Ordem Dominicana ocupava a Sé de Pedro.

A sua vida demonstra também a importância crescente das ordens mendicantes na estrutura intelectual e governativa da Igreja medieval.

Conclusão

Assim, o centésimo octogésimo terceiro Papa da Igreja Católica foi um teólogo dominicano elevado ao mais alto cargo da Igreja. Inocêncio V tentou continuar a obra diplomática de Gregório X, particularmente no relacionamento com Constantinopla e na procura de paz entre os soberanos cristãos. A morte prematura interrompeu os seus projectos, mas deixou uma marca importante na história do papado: foi o primeiro Papa dominicano e um dos grandes intelectuais escolásticos a alcançar a Sé Apostólica.

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