"IV Escola da Fé"

 

Cristologia: quem é Jesus Cristo?

Depois de percorrermos o caminho da religião, da Revelação e da fé, chegamos ao centro em torno do qual toda a teologia cristã gravita:

Jesus Cristo.

Não existe cristianismo sem Cristo.

Esta afirmação parece óbvia, mas as suas consequências são imensas. O cristianismo não é, em primeiro lugar, um sistema moral, uma filosofia, uma instituição, um conjunto de tradições ou uma colecção de práticas religiosas. Tudo isso existe, mas tudo deriva de uma realidade anterior:

a fé cristã nasce do acontecimento de Jesus Cristo.

Por isso, a pergunta fundamental não é apenas:

“O que ensinou Jesus?”

É uma pergunta ainda mais radical:

“Quem é Jesus?”

E esta pergunta não é meramente histórica. É teológica, cristológica, antropológica, soteriológica e existencial.

Porque a resposta que dermos a “quem é Jesus?” determinará a forma como compreendemos Deus, a humanidade, o pecado, a graça, a Igreja, os sacramentos, a liturgia, a salvação e a própria esperança cristã.


O que significa Cristologia?

A palavra Cristologia resulta da união de dois termos gregos:

Christós — Cristo, o Ungido;

lógos — palavra, razão, discurso, estudo.

Cristologia é, portanto, o estudo teológico da pessoa e da missão de Jesus Cristo.

Mas dizer isto ainda é insuficiente.

A Cristologia procura responder a questões fundamentais:

Quem é Jesus?

É Deus?

É homem?

Como se relacionam a divindade e a humanidade em Jesus?

O que significa dizer que é o Filho de Deus?

O que significa a Encarnação?

Porque morreu?

Porque ressuscitou?

Qual é a relação entre a sua morte e a salvação?

Porque a Igreja O chama Senhor?

Que relação existe entre o Jesus histórico e o Cristo confessado pela fé?

Estas perguntas foram decisivas desde os primeiros tempos do cristianismo.

E algumas delas custaram séculos de reflexão teológica.


Jesus não é apenas um fundador religioso

Há uma tentação compreensível de colocar Jesus na mesma categoria que outras grandes figuras religiosas da História.

Compará-lo com filósofos, profetas, mestres espirituais ou fundadores de tradições religiosas pode ser intelectualmente interessante.

Mas, do ponto de vista cristão, a comparação encontra rapidamente um limite.

Buda pode ser considerado mestre.

Confúcio, filósofo.

Sócrates, pensador.

Maomé, profeta e fundador de uma tradição religiosa.

Moisés, legislador e mediador da Aliança.

Jesus, porém, é confessado pela Igreja como o Filho eterno de Deus feito homem.

Esta afirmação é qualitativamente diferente.

O cristianismo não diz simplesmente que Jesus conhecia Deus.

Afirma que, n'Ele, Deus Se revelou de maneira plena e definitiva.

Não é apenas aquele que aponta para Deus.

É aquele em quem Deus Se torna presente na história humana.


Jesus histórico e Cristo da fé

Uma das questões mais importantes da investigação moderna consiste em distinguir, sem separar, o chamado Jesus histórico do Cristo da fé.

O Jesus histórico refere-se ao homem judeu que viveu na Palestina do século I, que pregou, reuniu discípulos, realizou gestos considerados extraordinários, entrou em conflito com determinadas autoridades religiosas e políticas e morreu crucificado.

O Cristo da fé é aquele que a comunidade cristã confessa como:

Messias, Senhor, Filho de Deus, Salvador e Ressuscitado.

O problema surge quando se pretende separar completamente estas duas realidades.

O cristianismo não acredita num Cristo abstracto inventado depois da morte de Jesus.

A fé cristã afirma que o Ressuscitado é o mesmo Jesus que foi crucificado.

Aquele que aparece glorioso depois da Ressurreição é aquele que nasceu, viveu, pregou, sofreu e morreu.

Existe continuidade.

Mas existe também transformação.

O Ressuscitado não regressa simplesmente à vida terrena anterior.

Entra numa condição nova.

É precisamente aqui que a Ressurreição ultrapassa a simples reanimação de um cadáver.


O nome Jesus

O nome Jesus provém do hebraico Yeshua, relacionado com Yehoshua, tradicionalmente entendido como “o Senhor salva”.

Já o próprio nome aponta para a missão.

Jesus não é apenas um nome próprio.

Na fé cristã, o nome torna-se inseparável da missão salvadora.

O Evangelho segundo Mateus associa explicitamente o nome à salvação:

Ele será chamado Jesus porque salvará o seu povo.

A identidade e a missão encontram-se profundamente ligadas.


O título Cristo

“Cristo” não é o apelido de Jesus.

É um título.

Provém do grego Christós, tradução de Mashiach, isto é, Messias, “Ungido”.

No Antigo Testamento, a unção possuía significado religioso e político.

Reis eram ungidos.

Sacerdotes eram ungidos.

Em determinados contextos, a linguagem da unção relacionava-se também com uma missão profética.

Quando os primeiros cristãos dizem:

“Jesus Cristo”,

estão a afirmar que Jesus é o Messias esperado, aquele em quem se cumprem as promessas de Deus.

Mas Jesus transforma profundamente a compreensão do messianismo.

Não é um messias político que estabelece simplesmente um reino terrestre.

É o Messias que passa pela cruz.

E esta é uma das grandes revoluções cristológicas.


“Senhor”: Kyrios

Outro título fundamental é Senhor.

Em grego, Kyrios.

Este termo pode significar simplesmente “senhor” ou “mestre”, mas no contexto cristão adquire uma profundidade extraordinária.

Na tradução grega do Antigo Testamento, Kyrios é utilizado para traduzir o nome divino.

Por isso, quando a Igreja primitiva proclama:

“Jesus é o Senhor”,

não está simplesmente a dizer:

“Jesus é uma pessoa importante.”

Está a fazer uma afirmação de enorme alcance teológico.

O Jesus crucificado é o Senhor.

Aquele que foi humilhado é exaltado.

Aquele que morreu é proclamado vivo.

Aquele que foi condenado é confessado como Salvador.

Aquele que parecia derrotado é reconhecido como vencedor da morte.


Filho de Deus

Outro título essencial é:

Filho de Deus.

Aqui é preciso evitar uma interpretação meramente biológica ou mitológica.

Jesus não é “filho de Deus” no mesmo sentido em que todos os seres humanos podem ser chamados filhos de Deus.

A afirmação cristã é muito mais profunda.

Jesus é o Filho eterno do Pai.

Não começou a existir no momento do nascimento em Belém.

O Filho existe eternamente na comunhão trinitária com o Pai e o Espírito Santo.

É precisamente por isso que o prólogo do Evangelho segundo São João começa antes da própria história humana:

“No princípio era o Verbo.”

Antes da Encarnação existe o Verbo.

Antes de nascer de Maria, o Filho é eternamente Filho.

O nascimento de Jesus não é o começo da existência do Filho.

É o começo da sua existência humana.

Esta distinção será absolutamente fundamental quando estudarmos a Trindade e a Encarnação.


A Encarnação

Chegamos ao coração da Cristologia:

a Encarnação.

O termo significa literalmente tornar-se carne.

A fé cristã afirma que o Filho eterno de Deus assumiu verdadeira natureza humana.

Não fingiu ser humano.

Não apareceu simplesmente com uma aparência humana.

Tornou-Se verdadeiramente homem.

É aqui que o cristianismo afirma algo de extraordinário:

o eterno entra no tempo;

o invisível assume visibilidade;

o infinito entra na condição finita;

o Criador assume uma natureza criada;

Deus torna-Se homem.

Mas é necessário ter cuidado com a linguagem.

Deus não deixa de ser Deus para tornar-Se homem.

O Filho não abandona a divindade.

A natureza divina permanece plenamente presente.

Aquilo que acontece é que o Filho assume uma natureza humana.


Verdadeiro Deus e verdadeiro homem

A fórmula cristã é absolutamente decisiva:

Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Não é 50% Deus e 50% homem.

Não é uma mistura.

Não é uma terceira natureza.

Não são duas pessoas.

É uma única Pessoa divina, o Filho, subsistindo em duas naturezas: divina e humana.

Esta formulação será definida dogmaticamente no Concílio de Calcedónia, em 451.

A linguagem teológica fala de união hipostática.

“Hipóstase” refere-se, neste contexto, à pessoa.

A natureza responde à pergunta:

“O que é?”

A pessoa responde:

“Quem é?”

Jesus é:

Quem? O Filho.

O quê? Verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Esta distinção é uma das chaves fundamentais para compreender a Cristologia.


Por que foi necessário definir isto?

Porque os primeiros séculos cristãos foram marcados por intensas discussões acerca da identidade de Jesus.

Algumas interpretações diminuíam a sua divindade.

Outras diminuíam a sua humanidade.

Outras confundiam as duas naturezas.

Outras separavam Cristo de tal forma que quase pareciam falar de duas pessoas.

A Igreja não estava a discutir meros detalhes académicos.

Estava a proteger aquilo que considerava essencial para a fé e para a salvação.

Se Cristo não é verdadeiramente Deus, então a Revelação de Deus em Cristo fica comprometida.

Se não é verdadeiramente homem, então a humanidade não foi verdadeiramente assumida.

E aquilo que não é assumido não pode ser verdadeiramente redimido.

É por isso que a Cristologia está directamente ligada à Soteriologia, isto é, à teologia da salvação.


O Concílio de Niceia

Em 325, o Concílio de Niceia enfrentou uma questão decisiva relacionada com a divindade do Filho.

A controvérsia ariana colocava em causa a plena divindade do Filho, considerando-o, em termos simplificados, uma realidade criada e subordinada ao Pai.

A resposta conciliar foi fundamental:

o Filho é “da mesma substância” do Pai — homoousios.

Não é uma criatura.

Não é um semideus.

Não é inferior em divindade.

É verdadeiro Deus.

Esta definição foi essencial para a compreensão cristã da Trindade.


O Concílio de Constantinopla

Em 381, o Concílio de Constantinopla aprofundou a formulação da fé trinitária e reafirmou a divindade do Espírito Santo.

Assim, a Igreja foi progressivamente explicitando aquilo que já estava presente na fé apostólica:

um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

A Cristologia não pode, portanto, ser separada da Trindade.

Para compreender quem é Jesus, precisamos de compreender a sua relação eterna com o Pai e com o Espírito.


O Concílio de Éfeso

Em 431, o Concílio de Éfeso enfrentou uma questão relacionada com a unidade da pessoa de Cristo.

A discussão estava particularmente ligada ao título atribuído a Maria:

Theotokos — “Mãe de Deus” ou, mais literalmente, “Aquela que dá à luz Deus”.

Este título não pretende dizer que Maria seja origem da divindade.

Deus não começa a existir em Maria.

O sentido cristológico é outro:

aquele que nasceu de Maria é verdadeiramente o Filho de Deus feito homem.

Maria é mãe da Pessoa que é Jesus Cristo.

O título Theotokos protege, portanto, a verdade sobre Cristo.

É uma afirmação mariana com fundamento profundamente cristológico.


O Concílio de Calcedónia

Em 451, Calcedónia formulará uma das declarações mais importantes da Cristologia:

Cristo é reconhecido em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.

Esta fórmula é extraordinariamente precisa.

Sem confusão:

a divindade não se transforma em humanidade.

Sem mudança:

Deus não deixa de ser Deus.

Sem divisão:

não existem dois Cristos.

Sem separação:

a humanidade e a divindade pertencem à mesma Pessoa.

É uma fórmula que nasceu de séculos de reflexão e controvérsia.

E mostra-nos uma característica essencial da teologia:

as palavras importam.

Quando falamos de Deus, uma palavra mal utilizada pode alterar profundamente aquilo que estamos a afirmar.


Jesus possui uma verdadeira humanidade

Porque Jesus é verdadeiro homem, a sua humanidade não é decorativa.

Ele possui verdadeiro corpo humano.

Possui verdadeira alma humana.

Possui inteligência humana.

Possui vontade humana.

Possui emoções humanas.

Conhece a alegria.

Conhece a tristeza.

Conhece a amizade.

Conhece a rejeição.

Conhece a dor.

Chora diante da morte de Lázaro.

Sente angústia no Getsémani.

Experimenta abandono na cruz.

Isto significa que Deus, em Cristo, não observa a condição humana à distância.

Assume-a.

É precisamente aqui que a Cristologia se transforma também em Antropologia Teológica.

Ao olhar para Cristo, o cristão não descobre apenas quem Deus é.

Descobre também até onde Deus quis entrar na condição humana.


Jesus e a liberdade

Jesus possui verdadeira vontade humana.

Isto é importante porque a humanidade não consiste apenas em possuir um corpo.

Ser humano é também querer, escolher, agir e relacionar-se.

No Getsémani encontramos uma das manifestações mais profundas deste mistério.

Jesus enfrenta a morte e exprime a sua vontade humana diante da vontade do Pai.

A obediência de Cristo não é uma submissão mecânica.

É um acto livre de amor.

A salvação cristã não acontece através de uma personagem que simplesmente executa um programa.

Acontece através da entrega livre do Filho.


A cruz

Não podemos estudar Cristo sem chegar à cruz.

A cruz não é um acidente secundário da história de Jesus.

Está no centro do cristianismo.

Mas precisamos de compreender o que significa.

A cruz manifesta simultaneamente:

o pecado humano;

a violência;

a injustiça;

a liberdade de Cristo;

a obediência ao Pai;

o amor;

o perdão;

a entrega;

e a salvação.

A cruz é paradoxal.

Aquele instrumento de execução torna-se, na fé cristã, sinal de vida.

O que parecia derrota torna-se vitória.

O que parecia fracasso torna-se entrega.

O que parecia silêncio de Deus torna-se, para a fé, revelação extrema do amor.


O Mistério Pascal

A morte de Cristo não pode ser separada da Ressurreição.

É por isso que falamos de Mistério Pascal.

Páscoa significa passagem.

O Mistério Pascal compreende fundamentalmente:

Paixão → Morte → Ressurreição → glorificação de Cristo.

É o centro da liturgia cristã.

É o coração da Eucaristia.

É o fundamento da esperança.

É a chave da Soteriologia.

É o acontecimento que transforma a cruz de simples execução romana em acontecimento salvífico.

Sem a Ressurreição, a cruz seria apenas a morte de um homem.

Com a Ressurreição, a Igreja proclama:

Cristo venceu a morte.


Ressurreição não é reanimação

É importante fazer uma distinção.

Ressuscitar não significa simplesmente voltar a viver biologicamente.

Lázaro voltou à vida terrena e, posteriormente, morreu.

A Ressurreição de Cristo é diferente.

Cristo entra numa condição glorificada.

O seu corpo é verdadeiramente o seu corpo, mas já não está submetido às mesmas condições da existência mortal.

A Ressurreição inaugura uma realidade nova.

Por isso, é também o fundamento da esperança cristã na ressurreição dos mortos.

Aquilo que acontece em Cristo é apresentado como início daquilo que Deus promete realizar plenamente.


Cristo e a salvação

Chegamos finalmente a uma pergunta decisiva:

Porque é que Cristo salva?

A resposta exige uma disciplina inteira: a Soteriologia.

Cristo salva porque, na Encarnação, Deus entra verdadeiramente na humanidade.

Na cruz, Cristo entrega-Se.

Na Ressurreição, vence a morte.

Na Ascensão, a humanidade assumida por Cristo entra na glória.

No envio do Espírito Santo, a obra de Cristo continua presente na Igreja.

Por isso, a salvação não é simplesmente “Jesus morreu pelos nossos pecados”.

Essa afirmação é verdadeira, mas demasiado pequena se for tomada isoladamente.

A salvação envolve:

Encarnação.

Vida.

Pregação.

Paixão.

Morte.

Ressurreição.

Ascensão.

Pentecostes.

Igreja.

Sacramentos.

Graça.

Vida eterna.

Tudo está ligado.


Cristo e a Liturgia

Agora podemos compreender por que razão a Liturgia está tão profundamente ligada à Cristologia.

A liturgia cristã não é simplesmente uma homenagem a Jesus.

É celebração do Mistério Pascal de Cristo.

Na Eucaristia, a Igreja celebra sacramentalmente o mistério da morte e Ressurreição.

No Baptismo, a pessoa é configurada sacramentalmente com a morte e Ressurreição de Cristo.

Na Liturgia das Horas, a Igreja une a sua oração à oração de Cristo.

No Ano Litúrgico, a Igreja percorre sacramentalmente os grandes momentos do mistério de Cristo.

Cristo não é apenas o tema da liturgia.

É o seu centro.


Cristo e a Igreja

Também a Igreja nasce inseparavelmente ligada a Cristo.

A Igreja não é uma instituição inventada posteriormente para preservar a memória de Jesus.

Na compreensão católica, Cristo reúne discípulos, escolhe os Doze, institui sinais sacramentais, confia uma missão e, através do Espírito Santo, a comunidade apostólica recebe uma nova dimensão no Pentecostes.

Por isso, a Igreja é chamada:

Corpo de Cristo.

Esta expressão não é meramente poética.

Tem um profundo significado teológico.

Cristo é a Cabeça.

Os baptizados são incorporados n'Ele.

A Igreja vive da vida de Cristo.


Cristo e o ser humano

Existe ainda uma consequência antropológica extraordinária.

Se Deus assumiu a humanidade em Cristo, então a humanidade não pode ser considerada uma realidade desprezível.

O corpo possui dignidade.

A história possui importância.

A matéria pode ser veículo sacramental.

A vida humana possui valor.

O sofrimento não é ignorado.

A morte não possui a última palavra.

O ser humano foi criado para a comunhão com Deus.

Por isso, a Cristologia ilumina a própria pergunta:

“Quem sou eu?”

O cristianismo responde olhando para Cristo.

O ser humano encontra a sua vocação última em participar da vida divina.


Conhecer Cristo

E voltamos, inevitavelmente, à razão pela qual começámos esta série:

para amar, temos de conhecer.

Conhecer Cristo não significa decorar acontecimentos da sua vida.

Significa entrar progressivamente no mistério da sua Pessoa.

É compreender por que razão a Igreja O chama:

Jesus.

Cristo.

Senhor.

Filho de Deus.

Filho do Homem.

Salvador.

Cordeiro de Deus.

Verbo.

Messias.

Cada título abre uma perspectiva.

Cada expressão contém uma história.

Cada definição cristológica nasceu de uma necessidade de proteger a verdade da fé.

E quanto mais estudamos, mais percebemos que a pergunta “Quem é Jesus?” não pode ser respondida apenas com uma biografia.

Porque Jesus não é apenas alguém que viveu.

É Aquele que a Igreja proclama vivo.


Para guardar

A Cristologia conduz-nos a uma afirmação central:

Jesus Cristo é uma única Pessoa, o Filho eterno de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

N'Ele, Deus e humanidade encontram-se sem que uma natureza destrua ou absorva a outra.

N'Ele, a Revelação chega à sua plenitude.

N'Ele, a humanidade é assumida.

N'Ele, a cruz torna-se caminho de salvação.

N'Ele, a morte é vencida pela Ressurreição.

N'Ele, a liturgia encontra o seu centro.

N'Ele, a Igreja encontra a sua identidade.

N'Ele, a esperança cristã encontra o seu fundamento.

E é precisamente por isso que a pergunta cristológica é simultaneamente uma pergunta sobre Deus e sobre nós próprios.

Quem é Jesus?

A resposta da fé não é apenas:

“um grande homem”.

Nem apenas:

“um profeta”.

Nem apenas:

“um mestre”.

A Igreja proclama algo infinitamente mais exigente:

Jesus Cristo é o Filho de Deus feito homem, o Verbo encarnado, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, morto e ressuscitado para a salvação do mundo.

E se isto é verdade, então nada na teologia permanece igual.

Porque depois de perguntar quem é Cristo, a pergunta seguinte torna-se inevitável:

Quem é Deus?

E é aí que entramos no coração do Mistério Trinitário — o mistério de um único Deus que existe eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo.

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