"Alegria"
Há uma diferença profunda entre felicidade, alegria e bem-aventurança, e compreendê-la é essencial para compreender aquilo que o cristianismo realmente promete ao homem. Dizer simplesmente que «Deus não promete felicidade, mas alegria» contém uma intuição verdadeira, mas, formulado assim, é teologicamente incompleto. A Igreja ensina algo mais profundo: Deus colocou no coração humano o desejo de felicidade e chama o homem à bem-aventurança; contudo, essa felicidade não consiste num estado permanente de bem-estar, nem na ausência de sofrimento, nem na posse dos bens deste mundo. A sua plenitude está no próprio Deus. E é precisamente nesta comunhão com Deus que nasce a verdadeira alegria.
O Catecismo da Igreja Católica é explícito. No n.º 1718, afirma que as Bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade e que esse desejo é de origem divina: Deus colocou-o no coração humano para o atrair a Si, «o único que o pode satisfazer». E, no n.º 1719, acrescenta que Deus chama o homem à sua própria bem-aventurança. Portanto, seria incorrecto dizer que Deus não promete felicidade. Promete-a, mas é necessário compreender de que felicidade estamos a falar.
A questão está, então, em não confundirmos felicidade psicológica com bem-aventurança teológica.
No uso corrente, quando dizemos que alguém é feliz, pensamos frequentemente num estado de bem-estar, satisfação ou realização: uma vida em que as relações são boas, os projectos prosperam, existe segurança, saúde, amor, reconhecimento e alguma harmonia entre aquilo que desejamos e aquilo que efectivamente vivemos. A psicologia pode estudar a felicidade como experiência subjectiva de bem-estar e como avaliação global que uma pessoa faz da sua própria vida. Não se trata, portanto, simplesmente de uma emoção momentânea. Podemos experimentar alegria durante alguns minutos e, apesar disso, considerar a nossa vida infeliz; inversamente, podemos atravessar um dia de tristeza e continuar a considerar a nossa existência profundamente feliz.
A alegria é uma realidade afectiva diferente. Pode surgir como uma emoção diante de um acontecimento bom — um reencontro, uma notícia, uma conquista, uma presença amada —, mas pode também adquirir uma profundidade maior, tornando-se um sentimento, uma disposição interior e uma experiência relacional. Por isso, não é rigoroso estabelecer uma definição rígida segundo a qual «felicidade é emoção» e «alegria é sentimento». A alegria pode ser uma emoção; a felicidade pode ser um estado afectivo e uma avaliação global da existência. A distinção verdadeiramente importante, no horizonte cristão, não é terminológica: é saber onde está fundada a vida feliz e de onde nasce a alegria.
E aqui começa a extraordinária novidade do Evangelho.
O homem procura naturalmente a felicidade. Procura-a porque foi feito para o bem. Procura amor, verdade, beleza, segurança, comunhão, sentido. Há no desejo humano uma espécie de movimento para uma plenitude que nenhum bem finito consegue encerrar completamente. O Catecismo vê nesse desejo não uma fraqueza a ser eliminada, mas uma orientação inscrita pelo próprio Deus no coração humano. «Só Deus sacia», afirma o Catecismo, retomando a tradição de Santo Agostinho.
Isto significa que o problema não está em querer ser feliz.
O problema começa quando pedimos a uma realidade finita que nos dê uma felicidade infinita.
Esperamos que uma relação nos dê segurança absoluta. Que o reconhecimento nos dê valor definitivo. Que o dinheiro nos dê uma segurança que nada possa ameaçar. Que o sucesso nos dê uma identidade que nunca vacile. Que uma pessoa nos dê uma plenitude que, na realidade, nenhuma criatura consegue oferecer.
E é aqui que a existência humana inevitavelmente nos confronta com a fragilidade.
Aquilo que nos faz felizes pode desaparecer.
Uma pessoa pode morrer.
Uma relação pode terminar.
A saúde pode falhar.
Um projecto pode fracassar.
Uma profissão pode perder-se.
A beleza envelhece.
A riqueza pode desaparecer.
O reconhecimento pode ser esquecido.
E, se tivermos confundido esses bens com a própria fonte da nossa felicidade, cada perda parecerá significar que a própria vida perdeu o seu fundamento.
A fé cristã não nega esses bens. Não ensina que o amor humano, a amizade, a saúde, a família, o trabalho ou a beleza sejam maus. Pelo contrário, são bens criados e podem ser recebidos com gratidão. O que a fé faz é ordená-los: nenhum bem criado pode ocupar o lugar de Deus.
É precisamente isto que o Catecismo afirma no n.º 1723: a verdadeira felicidade não se encontra «na riqueza ou no bem-estar, na glória humana ou no poder», nem em qualquer criatura, mas em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor.
Portanto, a fé não diz:
«Não procures a felicidade.»
Diz:
«Não procures nas criaturas aquilo que somente Deus pode dar.»
Esta diferença é decisiva.
Porque Deus não veio destruir o desejo humano de felicidade; veio purificá-lo, elevá-lo e conduzi-lo à sua verdadeira finalidade.
É precisamente por isso que Cristo começa o Sermão da Montanha com as Bem-aventuranças.
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.» (Mt 5,3-10)
À primeira vista, parece existir uma contradição.
Como pode ser feliz aquele que chora?
Como pode ser feliz aquele que é perseguido?
Como pode ser feliz aquele que tem fome e sede?
Porque Cristo não está a definir felicidade como sentir-se bem neste instante.
Está a revelar a condição daquele cuja existência está orientada para Deus e para o Reino.
O Catecismo chama às Bem-aventuranças «paradoxais promessas» que sustentam a esperança no meio das tribulações. Elas não dizem que a pobreza, o sofrimento ou a perseguição são, em si mesmos, experiências agradáveis. Dizem que aqueles que atravessam essas realidades permanecendo voltados para Deus não estão fora da promessa: o Reino pertence-lhes, serão consolados, serão saciados, verão a Deus.
A bem-aventurança, portanto, não é simplesmente um sentimento.
É uma condição da existência diante de Deus.
Posso estar a chorar e ser bem-aventurado.
Posso estar angustiado e ser bem-aventurado.
Posso não compreender aquilo que me acontece e ser bem-aventurado.
Posso não me sentir feliz e, contudo, estar profundamente fundado na esperança.
Isto explica por que razão a alegria cristã não pode ser confundida com euforia, optimismo ou ausência de sofrimento.
Cristo nunca prometeu aos seus discípulos uma existência sem tribulação. Pelo contrário, disse-lhes:
> «No mundo tereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo.» (Jo 16,33)
E pouco antes tinha dito:
> «Também vós estais agora na tristeza, mas Eu hei-de ver-vos de novo e o vosso coração alegrar-se-á, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.» (Jo 16,22)
É extraordinário reparar no movimento da frase.
Cristo não diz: «Não tereis tristeza.»
Diz:
«A vossa tristeza há-de converter-se em alegria.»
Esta talvez seja uma das chaves mais profundas da alegria cristã.
A fé não é a eliminação artificial da dor.
É a promessa de que a dor não será necessariamente o significado definitivo da história.
Cristo não veio ensinar-nos a fingir que a Sexta-Feira Santa é alegre.
Ele atravessou a Sexta-Feira Santa.
Não anulou a morte através de uma ilusão psicológica.
Entrou nela.
E ressuscitou.
Por isso, a alegria cristã tem uma origem pascal. É uma alegria que passou pela realidade da morte e que, precisamente por isso, já não depende da ingenuidade de pensar que nada de mau acontecerá.
A Ressurreição não significa que a cruz não tenha sido verdadeira.
Significa que a cruz não foi a última palavra.
É por isso que a alegria cristã possui uma profundidade que o simples optimismo não consegue alcançar.
O optimismo diz:
«As coisas vão correr bem.»
A esperança cristã pode dizer algo mais radical:
«Mesmo que as coisas não aconteçam como espero, Deus permanece fiel.»
O optimismo depende da previsão acerca do futuro.
A esperança depende da fidelidade de Deus.
O Catecismo coloca precisamente a esperança no centro desta dinâmica. A esperança cristã deseja o Reino dos Céus e a vida eterna como felicidade, apoiando-se não nas próprias forças, mas nas promessas de Cristo e na graça do Espírito Santo. E acrescenta que a esperança sustenta o homem no abatimento e lhe proporciona alegria mesmo no meio da provação: «alegres na esperança, pacientes na tribulação» (Rm 12,12).
Assim se percebe que alegria e sofrimento não são necessariamente realidades incompatíveis.
Podemos sofrer e ter esperança.
Podemos chorar e amar.
Podemos sentir medo e confiar.
Podemos experimentar tristeza e conservar uma alegria profunda.
Não porque o sofrimento deixou de ser sofrimento, mas porque a pessoa humana não é reduzível a uma única emoção em cada momento. O coração humano é suficientemente complexo para albergar simultaneamente dor e gratidão, saudade e amor, medo e esperança.
E é aqui que a linguagem cristã da alegria se torna extraordinariamente humana.
Cristo não nos pede que deixemos de ser humanos para sermos santos.
No Getsémani, vemos precisamente o contrário.
«A minha alma está triste até à morte» (Mt 26,38).
Cristo conhece a angústia.
Conhece o abandono.
Conhece o sofrimento.
Chora diante da morte de Lázaro.
A santidade cristã não consiste, portanto, em deixar de sentir.
Consiste em não deixar que aquilo que sentimos determine sozinho aquilo que acreditamos sobre Deus.
Posso sentir que estou abandonado e, contudo, permanecer na fé.
Posso sentir tristeza e continuar a esperar.
Posso não perceber o sentido e continuar a confiar.
É esta a diferença entre uma fé fundada no estado emocional e uma fé fundada numa relação.
E a alegria que Cristo promete nasce precisamente dessa relação:
> «Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós.» (Jo 15,4)
E depois:
> «Disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.» (Jo 15,11)
A ordem é profundamente significativa.
Primeiro:
«Permanecei em Mim.»
Depois:
«A minha alegria estará em vós.»
A alegria não aparece como uma técnica para melhorar o humor. Não é uma emoção fabricada pelo esforço de pensar positivamente. É fruto de uma permanência.
Cristo não diz simplesmente:
«Sede alegres.»
Ele diz, em substância:
«Permanecei em Mim, e a minha alegria estará em vós.»
É uma alegria recebida.
Uma alegria relacional.
Uma alegria cristológica.
E, em última análise, trinitária.
O Catecismo ensina que a bem-aventurança cristã consiste em participar da natureza divina, entrar na glória de Cristo e participar da alegria da vida trinitária (n.º 1721). E afirma ainda que essa bem-aventurança é um dom gratuito e sobrenatural de Deus.
Aqui encontramos o ponto onde felicidade e alegria deixam de ser apenas conceitos psicológicos e entram no centro da antropologia cristã.
O homem foi criado para a felicidade porque foi criado para Deus.
A felicidade não é, portanto, um acidente dispensável da existência humana. É o horizonte para o qual o homem tende.
Mas aquilo que o homem procura através de milhares de objectos, relações e realizações só encontra a sua plenitude quando encontra o próprio Deus.
O desejo de felicidade é, no fundo, maior do que todos os objectos através dos quais tentamos satisfazê-lo.
E talvez por isso o coração humano permaneça inquieto mesmo depois de conquistar aquilo que julgava desejar.
A criatura pode oferecer prazer.
Pode oferecer alegria.
Pode oferecer amor.
Pode oferecer beleza.
Pode oferecer repouso.
Mas nenhuma criatura pode oferecer a plenitude definitiva do desejo humano.
«Só Deus sacia.»
É por isso que a Igreja não considera a felicidade terrena um erro. Considera-a insuficiente quando absolutizada.
Podemos ser felizes com uma pessoa que amamos.
Mas essa pessoa não é Deus.
Podemos ser felizes com os filhos.
Mas os filhos não são Deus.
Podemos ser felizes com o trabalho.
Mas o trabalho não é Deus.
Podemos ser felizes com a saúde.
Mas a saúde não é Deus.
Podemos ser felizes com a beleza do mundo.
Mas o mundo não é Deus.
Todos esses bens podem ser verdadeiramente bons precisamente porque vêm do Bem.
Mas não podem ocupar o lugar do Bem absoluto.
É por isso que o Catecismo afirma que a esperança cristã purifica os desejos humanos e os ordena para o Reino dos Céus. Não destrói os desejos; ordena-os.
E esta palavra — ordenar— é fundamental.
A questão cristã não é deixar de desejar a felicidade.
É aprender onde colocá-la.
Não esperar de uma criatura aquilo que só o Criador pode cumprir.
Não transformar um bem relativo em bem absoluto.
Não exigir que uma circunstância transitória ofereça a segurança eterna que o coração procura.
Não fazer da ausência de sofrimento a prova de que Deus nos ama.
Porque, se assim fosse, a cruz de Cristo seria incompreensível.
A cruz mostra-nos precisamente que o amor de Deus não se mede pela quantidade de sofrimento que conseguimos evitar.
Deus não deixou de amar o Filho porque o Filho passou pela Paixão.
E a Ressurreição revela que a fidelidade do Pai era maior do que aquilo que os olhos humanos podiam ver na Sexta-Feira Santa.
Por isso, a alegria cristã é uma alegria pascal.
Tem cicatrizes.
Não é uma alegria ingénua.
É a alegria daquele que descobriu que a morte não possui a última palavra.
O Papa Francisco chamou-lhe a «alegria pascal» que traz as marcas da Paixão, mas está viva, porque passou pela morte e experimentou o poder de Deus. E sublinhou que as Bem-aventuranças conduzem à alegria.
Isto ilumina também a liturgia cristã.
A Igreja não celebra uma alegria desligada do mistério pascal. A alegria litúrgica nasce do acontecimento de Cristo morto e ressuscitado. O Aleluia cristão não é um simples estado de ânimo; é uma proclamação: Cristo ressuscitou. A morte foi vencida.
Por isso, a liturgia consegue conter simultaneamente o silêncio, o arrependimento, o lamento, a súplica e o louvor. A existência cristã não precisa de eliminar a Sexta-Feira Santa para chegar à Páscoa.
Passa pela Páscoa porque passa por Cristo.
E é precisamente por isso que a alegria cristã pode coexistir com as lágrimas.
Não porque as lágrimas sejam alegres.
Mas porque as lágrimas não conseguem cancelar a promessa.
A felicidade humana pode diminuir quando as circunstâncias se alteram.
A alegria cristã pode permanecer porque a sua raiz não está apenas nas circunstâncias: está na esperança.
E a esperança não é uma fantasia sobre o futuro.
É confiança na fidelidade de Deus.
Por isso, no fundo, talvez a diferença possa ser expressa desta maneira:
A felicidade é uma experiência de bem-estar e uma avaliação positiva da vida; a alegria é uma experiência afectiva de um bem percebido e vivido. Mas, no cristianismo, tanto a felicidade como a alegria encontram a sua verdade última na bem-aventurança que Deus oferece ao homem.
A felicidade terrena é boa, mas é frágil.
A alegria humana é preciosa, mas pode oscilar.
A bem-aventurança cristã é uma promessa.
E a sua plenitude não está numa vida em que tudo corre bem.
Está em Deus.
É por isso que não devemos dizer simplesmente:
«Deus não promete felicidade; promete alegria.»
Devemos dizer algo muito mais preciso:
Deus não promete uma felicidade reduzida ao bem-estar psicológico, ao prazer ou à estabilidade das circunstâncias. Deus chama o homem à bem-aventurança, isto é, à felicidade verdadeira que só encontra a sua plenitude n'Ele. E, já no caminho, comunica em Cristo uma alegria que nasce da comunhão com Ele, é sustentada pela esperança e encontra na Páscoa a sua forma definitiva.
Então compreendemos por que razão alguém pode não estar feliz e, contudo, ser bem-aventurado.
Pode chorar e esperar.
Pode sofrer e amar.
Pode perder e continuar a confiar.
Pode atravessar a noite sem negar que é noite.
Porque a fé cristã não promete que nunca haverá Sexta-Feira Santa.
Promete que a Sexta-Feira Santa não é o fim.
Não promete que nunca choraremos.
Promete que «Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos» (Ap 21,4).
Não promete uma existência sem morte.
Promete:
> «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá.» (Jo 11,25)
Não promete que tudo aquilo que amamos permanecerá exactamente como desejamos.
Promete algo maior:
> «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos.» (Mt 28,20)
E, finalmente, não nos oferece simplesmente uma emoção agradável.
Oferece-nos a própria vida de Cristo.
Por isso, a alegria cristã não é o contrário da tristeza.
É maior do que ela.
Não é a ausência da cruz.
É a esperança que nasce da Ressurreição.
Não é a certeza de que amanhã será fácil.
É a certeza de que Deus será Deus também amanhã.
E talvez seja aqui que felicidade, alegria e fé finalmente se encontram:
o homem procura a felicidade; Deus conduz essa procura para Si; Cristo revela que a verdadeira bem-aventurança consiste na comunhão com Deus; e o Espírito Santo faz nascer, no interior dessa comunhão, uma alegria que já começa nesta vida e só encontra a sua plenitude na vida eterna.
A felicidade que o homem procura não é, no fim, simplesmente uma vida sem dor.
É uma vida que encontrou o seu sentido.
E o cristianismo afirma algo ainda mais profundo:
o sentido não é uma ideia.
É uma Pessoa.
Por isso, a última palavra não é «felicidade».
Não é sequer «alegria».
A última palavra é Cristo.
Porque é n'Ele que a felicidade se torna bem-aventurança, que a esperança se torna certeza, que a tristeza pode ser transfigurada e que a alegria deixa de depender daquilo que passa para começar a participar d'Aquele que permanece.
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