"Não é meu. E é precisamente por isso que sei agradecer"

Eu não sou pessoa de dizer que possuo aquilo que não é meu.

Parece uma coisa demasiado óbvia para precisar de ser explicada, mas, olhando para a forma como tantas vezes se apresenta a vida, talvez já não seja assim tão óbvia.

Não tenho uma vida financeira de abundância. Não vivo numa realidade em que posso comprar tudo aquilo que me apetece, nem tenho qualquer interesse em construir uma aparência de prosperidade que não corresponde à minha vida. Não tenho uma piscina enorme, uma casa de férias, um jardim digno de catálogo ou uma sucessão de luxos particulares que possa apresentar como se fossem património pessoal.

E não tenho qualquer problema em dizê-lo.

Aliás, tenho muito mais dificuldade em compreender a necessidade de fingir.

Se uma coisa não é minha, não é minha.

Ponto.

Mas isso não significa que não possa usufruir dela.

E aqui está talvez uma das diferenças mais interessantes entre ter e viver.

Esta semana, por exemplo, vou estar praticamente todos os dias na piscina.

Não numa piscina.

Em várias.

E nenhuma é minha.

São piscinas às quais tenho acesso porque sou convidada.

Há uma natural.

Há uma de água salgada.

Há uma de água quente.

Há uma normal.

Há pequenas.

Há enormes.

Há com jacuzzi.

Há sem jacuzzi.

Há com sauna.

Há sem sauna.

Há sítios onde posso simplesmente estar.

E há outros em que, além da piscina, posso montar, andar de kart, saltar, experimentar coisas diferentes, aproveitar um dia inteiro.

Mas não vou chegar a casa e dizer:

"Tenho uma piscina."

Porque não tenho.

Tenho convites.

E, sinceramente, há qualquer coisa de muito bonito nessa diferença.


O meu luxo é o convite

Talvez tenha chegado a uma idade em que percebo melhor determinadas coisas.

Uma pessoa pode ter muito e não partilhar nada.

Pode ter uma casa enorme e viver emocionalmente numa divisão minúscula.

Pode ter uma piscina espectacular e não ter ninguém a quem dizer:

"Venham."

E pode ter muito pouco materialmente e possuir uma coisa extraordinária: a capacidade de abrir a porta aos outros.

É isso que valorizo.

Quando alguém me convida para sua casa, não estou a receber uma piscina.

Estou a receber confiança.

Estou a receber hospitalidade.

Estou a receber uma parte da vida daquela pessoa.

E quando levo o meu filho, existe ainda outra dimensão: alguém está a permitir que uma criança tenha acesso a experiências que talvez não tivesse de outra forma.

Isso tem valor.

Muito valor.

Mas não é propriedade.

É partilha.

E eu sei distinguir perfeitamente as duas coisas.


Não preciso de fingir que é meu para aproveitar

Talvez seja aqui que algumas pessoas se enganem.

Parece existir uma certa necessidade de transformar tudo aquilo a que temos acesso em algo que "temos".

Se vamos a um sítio muitas vezes, parece que precisamos de o apresentar como nosso.

Se alguém nos empresta alguma coisa, quase queremos apagar o "emprestado".

Se somos convidados, há quem prefira contar a história como se tivesse sido uma conquista pessoal.

Eu não.

Se fui convidada, fui convidada.

E digo-o com enorme naturalidade.

Não me diminui.

Pelo contrário.

Eu sei reconhecer a generosidade dos outros.

Não preciso de apropriar-me dela para me sentir importante.

Se hoje estou numa piscina que pertence a alguém, digo que fui convidada.

Se amanhã estou noutra, digo exactamente o mesmo.

Se posso montar porque alguém me proporcionou essa possibilidade, não passo subitamente a ser cavaleira proprietária de cavalos.

Se ando de kart, o kart continua a ser de quem é.

Se entro num jacuzzi, o jacuzzi não muda de proprietário só porque eu me sentei lá dentro.

É quase revolucionário, eu sei.

Mas aparentemente ainda há quem precise desta informação.


E não há qualquer vergonha em não ter dinheiro para tudo

Eu não tenho uma vida financeira abundante.

Não tenho.

E não sinto necessidade de dourar esta realidade.

Há coisas que não posso comprar.

Há experiências que, se dependessem exclusivamente do meu dinheiro, provavelmente não faria.

E depois?

A vida não termina aí.

Eu não acredito que uma pessoa tenha de possuir tudo aquilo que deseja para poder ter uma vida rica.

Aliás, a palavra "riqueza" tornou-se demasiado pequena quando a reduzimos ao dinheiro.

Porque há uma riqueza que não aparece nas contas bancárias.

É ter quem nos convide.

É ter quem diga "vem".

É ter amigos que abrem as portas.

É ter família de coração.

É ter pessoas que não fazem contas ao que oferecem.

É poder levar o meu filho.

É vê-lo feliz.

É experimentar.

É descobrir.

É rir.

É passar uma tarde inteira num lugar que não me pertence e regressar a casa com uma memória que, essa sim, é minha.

Essa riqueza não exige que eu finja.

Exige apenas que eu saiba agradecer.


Esta semana, piscina. Todos os dias, se puder

E, portanto, esta semana a minha agenda está muito sofisticada.

Piscina.

Outra piscina.

Talvez outra.

E provavelmente outra.

Não vou dizer qual.

Não por secretismo, nem porque esteja a construir uma personagem misteriosa.

Simplesmente porque nem tudo na minha vida precisa de ser comunicado em tempo real.

Mas uma coisa posso dizer:

esta semana vou estar todos os dias na piscina.

Ou quase.

Porque, naturalmente, existe sempre aquela pequena possibilidade de a vida decidir que o plano era uma sugestão e não uma ordem.

Para a semana?

Decido para a semana.

É uma metodologia de gestão extremamente avançada.

Chama-se:

"Primeiro vivo esta semana, depois vejo o que faço com a próxima."

E funciona surpreendentemente bem.


Há piscinas para todos os gostos

O curioso é que nem sequer existe uma piscina "ideal".

Há dias em que quero uma piscina enorme.

Outros em que uma pequena chega perfeitamente.

Há água quente.

Há água salgada.

Há água natural.

Há a piscina normal.

Há jacuzzi.

Há sauna.

Há sítios mais tranquilos.

Outros mais animados.

E é precisamente essa variedade que torna tudo isto divertido.

Não estou a tentar encontrar "a minha piscina".

Não existe uma.

Tenho acesso a várias experiências diferentes.

E isso é muito mais interessante do que possuir uma coisa e passar o resto da vida a olhar para ela.

Há uma certa ironia nisto.

Uma pessoa compra uma piscina e passa a ter de cuidar dela.

Eu apareço, aproveito e vou embora.

É uma espécie de modelo económico altamente sofisticado baseado na amizade.

Não recomendo para todas as famílias, mas comigo tem funcionado.


E depois há o meu filho

Para mim, esta história ganha ainda mais importância porque não é apenas sobre aquilo que eu faço.

É sobre aquilo que o meu filho pode viver.

Ele tem dez anos.

E eu quero que tenha memórias.

Não necessariamente memórias caras.

Memórias boas.

Quero que se lembre de dias de piscina.

De água quente.

De água salgada.

De mergulhos.

De risos.

De amigos.

De pessoas que o receberam.

De lugares diferentes.

De experiências que lhe permitiram descobrir coisas.

Quero que compreenda que a vida não precisa de ser uma competição para ser bonita.

E quero, sobretudo, que aprenda a receber com gratidão.

Porque existe uma enorme diferença entre alguém achar que tem direito a tudo e alguém perceber que teve a sorte de receber alguma coisa.

Eu quero a segunda pessoa.


O que mais me orgulha nele não cabe numa piscina

E talvez seja aqui que eu faça uma distinção que para mim é fundamental.

Eu tenho muito orgulho no meu filho.

Sim, ele tem excelentes notas.

E sim, fico orgulhosa disso.

Seria absurdo fingir que não.

Mas não é essa a razão principal pela qual me orgulho dele.

O que verdadeiramente me importa é a pessoa que está a crescer por detrás dessas notas.

A empatia.

O respeito.

A simpatia.

A honestidade.

A sinceridade.

O altruísmo.

A compreensão.

A capacidade de olhar para os outros.

Porque uma criança pode ser brilhante e, ainda assim, não saber ser boa.

Pode saber matemática, ciência, línguas ou qualquer outra coisa e não saber tratar alguém com dignidade.

E eu não quero apenas um filho inteligente.

Quero um homem bom.

Quero que um dia, quando já não estiver ao meu lado para lhe recordar determinadas coisas, ele continue a saber que ninguém vale menos porque tem menos dinheiro, uma casa mais pequena ou menos oportunidades.

Quero que saiba agradecer aquilo que recebe.

Quero que saiba partilhar aquilo que tiver.

Quero que nunca sinta vergonha de dizer:

"Não é meu."

E, ao mesmo tempo, que seja capaz de dizer:

"Mas deixaram-me usufruir e eu agradeço."

Isso, para mim, é educação.


Há uma grandeza especial em saber dizer: "Não é meu"

Talvez esta seja uma das coisas que mais gosto nesta história.

Dizer "não é meu" não me tira nada.

Pelo contrário.

Dá-me a possibilidade de reconhecer o outro.

Se eu digo que é meu, apago quem me abriu a porta.

Se digo que não é meu, reconheço quem teve a generosidade de me deixar entrar.

E isso é muito mais bonito.

Não quero transformar o convite de alguém numa propriedade minha.

Quero honrá-lo como aquilo que realmente é:

um gesto de confiança.

É também por isso que tenho orgulho no meu passado e nas pessoas que fazem parte dele.

Porque sei reconhecer aquilo que recebi.

Sei reconhecer quem esteve.

Sei reconhecer quem abriu portas.

E sei que muitas das coisas boas que tenho na minha vida não nasceram apenas do que eu consegui construir sozinha.

Ninguém constrói uma vida completamente sozinho.

Há sempre mãos.

Há sempre encontros.

Há sempre oportunidades.

Há sempre alguém que, num determinado momento, diz:

"Vem."

E nós temos de ter humildade suficiente para responder:

"Obrigada."


Não preciso de ter uma piscina para ter verão

Talvez esta seja a parte mais divertida.

Eu não tenho piscina.

Mas tenho verão.

Tenho acesso a piscinas.

Tenho convites.

Tenho pessoas.

Tenho oportunidades.

Tenho dias para aproveitar.

E, esta semana, tenho piscina praticamente todos os dias.

Para a semana, logo se vê.

Talvez outra.

Talvez outra experiência.

Talvez simplesmente nada.

E está tudo bem.

Porque não estou a construir um catálogo de luxo.

Estou a viver.

E viver não é possuir.

Viver é experimentar.

É participar.

É receber.

É agradecer.

É saber distinguir aquilo que nos pertence daquilo que nos foi confiado por algumas horas.

E, sobretudo, é não sentir necessidade de mentir para tornar a nossa vida mais bonita.

A minha vida não precisa dessa maquilhagem.

Eu sei perfeitamente o que tenho.

E também sei perfeitamente o que não tenho.

Não tenho abundância financeira.

Não tenho uma piscina minha.

Não tenho necessidade de dizer que tenho.

Mas tenho pessoas que me convidam.

Tenho lugares onde sou bem recebida.

Tenho uma família de coração.

Tenho um filho com quem posso partilhar estas experiências.

Tenho orgulho na pessoa que ele está a tornar-se.

E tenho a tranquilidade de poder dizer, sem vergonha e sem falsas aparências:

isto não é meu.

Foi-me oferecido por convite.

Eu usufruo.

Eu agradeço.

Eu cuido enquanto estou.

E depois vou embora.

A piscina continua lá.

A casa continua a ser de quem é.

O jacuzzi continua no lugar.

A sauna também.

O cavalo continua a ser de quem é.

O kart também.

Mas eu levo comigo aquilo que realmente me interessa:

a experiência, a memória e a gratidão por ter havido alguém suficientemente generoso para dizer: "Vem, podes aproveitar."

E, convenhamos, para uma mulher que não tem dinheiro para esbanjar, não é nada mau ter um verão inteiro de convites.




Quem conhece-nos reconhece!

E, afinal, ainda há mais mundo para viver

E como se tudo isto não bastasse, há uma parte da história que também merece ser dita, porque ajuda a perceber precisamente aquilo que estou a tentar explicar.

Além de usufruir de todas estas possibilidades que me chegam através de convites, também viajo.

E aqui a ironia volta a aparecer.

Porque, olhando apenas para a lista, até parece que vivo numa espécie de permanente licença internacional.

Roma.

Países Baixos.

Espanha.

Inglaterra.

Portugal de norte a sul.

E não, não estou a fazer uma confusão geográfica: quando digo Países Baixos, incluo o país; quando digo Amesterdão, estou a falar especificamente da cidade. Gosto de saber onde estive, não apenas de dizer que "fui lá".

E já está organizado voltar a Espanha.

E há também a Suíça.

A Suíça, essa, ainda está a olhar para mim e eu para ela, numa espécie de negociação diplomática entre o desejo e a carteira.

Porque a questão é sempre a mesma:

"Eu pago?"

Se pago, talvez não vá.

Se não pago, incrivelmente, vou.

É quase uma filosofia económica.

Não é exactamente planeamento financeiro, mas tem funcionado.

E antes que alguém imagine que descobri petróleo no quintal, não.

Não descobri.

Não tenho uma fortuna escondida.

Não ganhei o Euromilhões.

Não apareceu nenhuma tia-avó desconhecida a deixar-me uma herança na Suíça — o que seria particularmente conveniente, tendo em conta que já lá quero ir.

A realidade é muito mais simples.

Há oportunidades.

Há convites.

Há pessoas.

Há viagens que se conseguem fazer.

Há outras que se organizam com esforço.

Há algumas que aparecem de uma forma que eu própria, às vezes, ainda não percebi muito bem como.

E eu vou.

Porque aprendi que nem tudo aquilo que vivemos precisa de ter sido comprado integralmente por nós para ter valor.

Viajar também é uma questão de perspectiva

Posso olhar para a minha vida e pensar naquilo que não consigo fazer.

Ou posso olhar para ela e reparar na quantidade de coisas que, apesar das limitações, consegui viver.

Eu prefiro a segunda opção.

Estive em Roma.

E há qualquer coisa em Roma que nos faz perceber que existem cidades que não se visitam apenas com os olhos.

Caminha-se pela história.

Entra-se numa igreja e estamos perante séculos de pessoas que acreditaram, duvidaram, rezaram, lutaram, construíram e morreram.

É impossível andar por Roma e não sentir que o presente é apenas uma camada muito fina sobre uma quantidade quase absurda de passado.

Depois vieram os Países Baixos.

A Holanda.

Amesterdão.

Outro cenário, outra cultura, outra forma de organizar o espaço, a cidade, a vida.

E depois Espanha.

E Inglaterra.

E Portugal.

Portugal de norte a sul.

Porque também não aceito aquela ideia de que viajar só começa quando atravessamos uma fronteira.

Há pessoas que conhecem mais aeroportos internacionais do que conhecem o próprio país.

Eu quero conhecer ambos.

Quero sair.

Mas também quero voltar.

Quero descobrir o que existe longe.

E quero continuar a descobrir o que existe perto.

Porque há lugares em Portugal que nos obrigam a perguntar como é possível termos passado tantas vezes ao lado deles sem os conhecer verdadeiramente.

Do norte ao sul, há um país inteiro para percorrer.

E eu percorro-o com a curiosidade de quem ainda não decidiu que já viu tudo.

Não é uma competição de destinos

Também não faço desta lista uma competição.

Não estou a contar países para ganhar uma medalha imaginária.

Não me interessa dizer:

"Estive em tantos sítios."

Interessa-me poder dizer:

"Vivi aquilo."

Porque viajar apenas para acumular destinos parece-me uma maneira particularmente cansativa de não estar verdadeiramente em lugar nenhum.

Quero ver.

Quero sentir.

Quero observar.

Quero perceber.

Quero provar.

Quero andar.

Quero perder-me um bocadinho.

Quero encontrar.

Quero trazer histórias.

E, algumas vezes, quero simplesmente sentar-me e olhar.

Porque há viagens que ficam precisamente pelos pequenos momentos que não estavam no programa.

E talvez seja essa a contradição bonita

Não tenho dinheiro para esbanjar.

Mas a minha vida não é pequena.

Esta é talvez a contradição que mais gosto.

A carteira pode ter limites.

A vida não precisa de os ter exactamente na mesma proporção.

Há coisas que posso fazer.

Outras que não posso.

Há coisas que consigo pagar.

Outras que só consigo viver porque alguém me convidou, me proporcionou, me incluiu ou porque apareceu uma oportunidade que agarrei.

E eu agarro.

Não por ganância.

Por gratidão.

Porque se a vida me oferece uma possibilidade, não quero recusá-la apenas porque não corresponde à imagem convencional de como uma pessoa deveria ter acesso a determinadas experiências.

Se posso ir, vou.

Se me convidam, agradeço.

Se tenho de pagar e posso, pago.

Se não posso, não vou.

É simples.

Não há vergonha nenhuma nisso.

Aliás, acho muito mais saudável saber exactamente onde estão os nossos limites do que viver permanentemente a fingir que eles não existem.

E há outra coisa que não quero fazer: diminuir o que vivi

Também não vou cair no extremo oposto.

Não tenho uma vida financeira abundante, mas também não vou fingir que as coisas que vivi não são importantes.

Foram.

Roma foi importante.

Os Países Baixos foram importantes.

Espanha foi importante.

Inglaterra foi importante.

Portugal, de norte a sul, é importante.

E voltar a Espanha será importante.

A Suíça, se acontecer como está planeado, será mais uma página.

Não preciso de ter pago tudo do meu bolso para fingir que não aconteceu.

E também não preciso de fingir que paguei aquilo que não paguei.

Posso simplesmente dizer a verdade.

Fui.

Vi.

Vivi.

Aconteceu.

E sou grata.

Parece-me uma forma bastante mais digna de contar a própria vida.

Afinal, talvez a riqueza esteja mesmo aqui

Quanto mais penso nisto, mais percebo que a questão nunca foi a piscina.

Nem a viagem.

Nem o país.

Nem o hotel.

Nem o dinheiro.

A questão é a possibilidade.

A possibilidade de viver.

De aceitar um convite.

De aproveitar uma oportunidade.

De conhecer um lugar.

De atravessar uma fronteira.

De voltar a Espanha.

De olhar para a Suíça e pensar:

"Vamos ver se conseguimos."

E depois, se conseguirmos, ir.

Porque não quero medir a minha vida apenas pelo que consegui comprar.

Quero medi-la também pelo que consegui viver.

E, neste aspecto, tenho muito para agradecer.

Não tenho uma conta bancária capaz de financiar todos os meus desejos.

Mas, felizmente, descobri que o mundo é muito maior do que uma conta bancária.

E isso talvez seja uma das melhores descobertas que podemos fazer.

Porque, no fim, eu continuo a não ter a piscina.

Nem o jacuzzi.

Nem a sauna.

Nem o cavalo.

Nem o kart.

E, aparentemente, também não tenho a Suíça.

Ainda.

Mas tenho convites.

Tenho oportunidades.

Tenho pessoas.

Tenho histórias.

Tenho lugares vividos.

Tenho Portugal de norte a sul.

Tenho Roma.

Tenho os Países Baixos.

Tenho Espanha.

Tenho Inglaterra.

Tenho viagens que já aconteceram e outras que ainda estão por acontecer.

E, se me perguntarem:

— "Mas tu pagas tudo isso?"

A resposta continuará a ser uma das minhas favoritas:

— Se pago, não vou. Se não pago, incrivelmente, vou.

E depois sorrio.

Porque, às vezes, a vida não nos dá aquilo que tínhamos planeado.

Dá-nos outra coisa.

E é preciso ter inteligência suficiente para reconhecer a oportunidade, humildade suficiente para aceitar a ajuda e honestidade suficiente para nunca chamar nosso àquilo que simplesmente nos foi oferecido.

Não tenho tudo. Mas tenho a sorte de viver muito.

E isso, para mim, já é uma forma extraordinária de riqueza.

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