"Céu Azul"
Olho o céu azul e ouço o chilrear dos pássaros. E, por instantes, tudo parece voltar ao lugar certo. Há manhãs em que a vida deixa de exigir grandes respostas. Manhãs em que o mundo não precisa de impressionar para ser suficiente. O céu está azul. Os pássaros cantam sem saber que estão a fazer música. O vento passa devagar. E alguma coisa dentro de mim abranda também. Vivemos tão ocupadas a perseguir aquilo que falta que raramente percebemos o milagre silencioso daquilo que já está. A paz chega quase sempre assim: discreta. Sem espectáculo. Sem anúncio. Não entra pela porta como uma conquista grandiosa. Aproxima-se devagar, em momentos pequenos que facilmente passaríamos por cima se não aprendêssemos a prestar atenção. Um pedaço de céu. Um som ao longe. A luz da manhã numa parede. O corpo finalmente sem pressa. E nessa simplicidade existe uma riqueza que durante muito tempo subestimei. Porque ensinaram-nos a imaginar felicidade como excesso. Mais conquistas. ...