"Teresa"

Há pessoas cuja presença entra numa sala antes mesmo de dizerem uma palavra. Não por fazerem questão de serem vistas, mas porque transportam uma luz discreta que naturalmente atrai o olhar. A Teresa é uma dessas pessoas.

É curioso observá-la. Há nela a serenidade de uma senhora e, simultaneamente, a inquietação luminosa de uma adolescente que ainda conserva a capacidade de se maravilhar com a vida. Essa combinação é rara. Talvez seja precisamente isso que a torna tão difícil de descrever.

Tem exatamente a minha altura, cerca de um metro e setenta, mas há dias em que parece mais alta. Talvez sejam os saltos altos de que tanto gosta. Talvez seja a postura. Talvez seja apenas a segurança com que ocupa o espaço.

O cabelo loiro, comprido e ondulado acompanha-lhe os movimentos com uma elegância quase cinematográfica. A pele, muito clara, parece porcelana iluminada pela luz da manhã. Os olhos, cor de mel e desenhados em amêndoa, conseguem ser simultaneamente doces e intensos. Quando sorri, acontece um fenómeno curioso: não sorri apenas a boca; sorri-lhe o rosto inteiro. Os dentes, de uma brancura quase irreal, parecem cuidadosamente esculpidos, e as maçãs do rosto acentuam uma harmonia facial onde tudo parece encontrar a medida certa. O nariz pequeno e delicado, a testa proporcional, os lábios carnudos e perfeitamente delineados compõem uma simetria que dificilmente passa despercebida.

E, no entanto, seria profundamente injusto reduzir a Teresa àquilo que os olhos alcançam.

A beleza física impressiona.

A inteligência permanece.

É na conversa que verdadeiramente se distingue.

Possui uma cultura sólida, um pensamento estruturado e uma rara capacidade para sustentar uma ideia com argumentos, sem nunca confundir firmeza com arrogância. Professora apaixonada pela Literatura, encontra nos livros muito mais do que histórias: encontra formas de compreender o ser humano. Sempre que tenho dúvidas sobre um texto, uma construção frásica, uma escolha lexical ou simplesmente procuro elevar a qualidade da minha escrita, é a ela que recorro. Sei que encontrará uma observação pertinente, uma sugestão rigorosa ou um detalhe que me escapou.

E fá-lo com a exigência de quem acredita que escrever bem é também uma forma de respeitar quem lê.

Tem um sentido de humor subtil, inteligente e, por vezes, deliciosamente irónico. É daquelas pessoas que conseguem fazer rir sem humilhar ninguém e pensar sem precisar de levantar a voz.

Mas seria desonesto pintá-la como alguém sem arestas.

A Teresa é assertiva.

Muito assertiva.

Quando acredita numa ideia, defende-a até ao fim. É frontal, direta, exigente consigo própria e igualmente exigente com aqueles que ama. Há quem interprete isso como dureza. Eu vejo apenas uma mulher que leva demasiado a sério aquilo que considera importante.

É também teimosa.

Muito teimosa.

(E suspeito que, ao ler esta frase, vá franzir ligeiramente o sobrolho e preparar uma argumentação de vinte minutos para provar que não tenho razão.)

Quando se zanga, os olhos semicerram-se de uma forma quase teatral. Quem não a conhece talvez imagine que dali a instantes vai incendiar a sala apenas com o olhar. Felizmente, o fogo fica quase sempre limitado à expressão.

Existe, porém, um lado seu que poucos conhecem.

Tem dificuldade em admitir aquilo que sente.

Fala muitas vezes da independência como se fosse uma armadura. Repete que não precisa de ninguém. Convence quase toda a gente.

Quase.

Porque quem a conhece verdadeiramente sabe que há momentos em que essa mulher aparentemente inabalável regressa ao silêncio para enfrentar, sozinha, as batalhas que nunca partilha. Não porque seja incapaz de amar ou de confiar, mas porque aprendeu demasiado cedo que a vulnerabilidade exige uma coragem muito diferente daquela que o mundo costuma elogiar.

Talvez seja essa a sua maior contradição.

Dá muito.

Mas, às vezes, esquece-se de mostrar o quanto também precisa de receber.

Ou talvez espere mais atenção daquela que consegue pedir.

E sabes uma coisa?

Não faz mal.

As amizades verdadeiras nunca são uma contabilidade rigorosa entre aquilo que se dá e aquilo que se recebe. São encontros onde cada um oferece o melhor que consegue, mesmo quando esse melhor varia de um dia para o outro.

Escrever sobre ti, Teresa, foi um desafio.

Não porque me faltassem palavras.

Mas porque as pessoas que realmente importam nunca cabem inteiramente dentro de um texto.

Ficam sempre maiores.

Mais complexas.

Mais bonitas.

Obrigada por cada conversa, por cada correção, por cada gargalhada, por cada desacordo inteligente e por cada demonstração silenciosa de amizade.

Obrigada por seres professora, mulher, mãe e, acima de tudo, essa amiga que a vida transformou numa verdadeira irmã de coração.

Continua exatamente como és.

Com toda essa inteligência.

Com toda essa autenticidade.

Com toda essa força.

E, de vez em quando...

Permite-te também baixar a guarda.

Até as guerreiras merecem descansar.

E quem tem o privilégio de caminhar ao teu lado sabe que, por detrás da mulher forte que todos veem, existe um coração extraordinariamente bonito.

Tenho muita sorte por te chamar amiga.

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