"Gratidão. Até por quem nunca acreditou."

Hoje olhei para os números do blogue.

Confesso que, durante alguns minutos, não vi estatísticas. Vi pessoas.

Cada visualização representa alguém que, por instantes, parou o ritmo da própria vida para ler aquilo que saiu do silêncio da minha.

E isso nunca será um número.

Será sempre um privilégio.

Escrever sempre foi, para mim, muito mais do que juntar palavras. É uma forma de pensar, de compreender o ser humano, de organizar a vida e de transformar as minhas perguntas em pontes para quem, talvez, carregue as mesmas inquietações.

Por isso, hoje só consigo sentir gratidão.

Curiosamente, essa gratidão começa por quem menos imagina.

Quero agradecer a todos aqueles que, ao longo do caminho, me julgaram, criticaram, duvidaram de mim, inventaram histórias, diminuíram o meu trabalho, falaram nas minhas costas ou me ofereceram, tantas vezes, aquilo a que gosto de chamar "banhos de realidade".

Obrigado.

Sim, obrigado.

Porque, sem o saberem, obrigaram-me a estudar mais, a escrever melhor, a fundamentar cada ideia, a rever os meus textos vezes sem conta e, acima de tudo, a perceber que o verdadeiro crescimento nunca depende da aprovação de quem nos observa.

Aprendi uma das maiores lições da minha vida: quando deixamos de viver para responder aos outros, começamos finalmente a viver para sermos fiéis a nós próprios.

Hoje já não procuro convencer ninguém.

Também já não espero reconhecimento de todos.

Cada pessoa é livre de ficar com a versão de mim que escolheu construir.

Eu escolhi continuar a construir-me.

E essa escolha devolveu-me uma paz que nenhuma validação exterior conseguiria oferecer.

Mas há outro agradecimento que me emociona muito mais.

Àqueles que caminham ao meu lado.

E são tantos.

Muito mais do que alguma vez imaginei.

Pessoas que talvez nunca conheça pessoalmente, mas que, através de uma mensagem, de um comentário, de uma leitura silenciosa ou de uma palavra de incentivo, me recordam diariamente que escrever continua a fazer sentido.

A todos os que lêem aquilo que escrevo, o meu profundo obrigada.

A quem partilha os textos.

A quem os guarda.

A quem regressa dias depois.

A quem me escreve para dizer que uma reflexão chegou no momento certo.

A quem discorda com respeito e me faz pensar.

A quem corrige um erro.

A quem desafia uma ideia.

A quem avalia o meu trabalho com honestidade intelectual.

A quem me mostra caminhos para continuar a evoluir.

Obrigada.

Ninguém cresce sozinho.

Também quero agradecer às pessoas que, generosamente, me ajudam a gerir os diferentes espaços onde escrevo. O trabalho invisível raramente recebe reconhecimento, mas sem ele muita coisa simplesmente não aconteceria.

Obrigada pelo tempo, pela dedicação e pela confiança.

Agradeço igualmente a todos aqueles que me inspiram a ser uma pessoa melhor.

Há pessoas que ensinam sem dar aulas.

Ensinam pela coerência.

Pela forma como vivem.

Pela humildade.

Pela capacidade de ouvir.

Pela coragem de admitir um erro.

Pela delicadeza com que tratam os outros.

São essas pessoas que me lembram, todos os dias, que escrever bem vale pouco se não aprendermos, primeiro, a viver bem.

À minha família de coração...

Não encontro palavras suficientes.

Obrigada por permanecerem.

Por celebrarem comigo as alegrias.

Por me ampararem nas quedas.

Por me lembrarem quem sou quando a vida me fazia duvidar.

Há laços que não nascem do sangue.

Nascem da escolha.

Da lealdade.

Da presença.

E esses, muitas vezes, tornam-se indestrutíveis.

Ao meu marido.

Obrigada.

Pela serenidade.

Pela paciência.

Pelo respeito.

Pela amizade que antecede qualquer outra palavra.

Por acreditares em mim, tantas vezes antes de eu própria conseguir fazê-lo.

Aos meus filhos.

Vocês são, sem dúvida, a minha maior obra.

Muito mais importante do que qualquer texto publicado.

Muito mais importante do que qualquer número.

Muito mais importante do que qualquer reconhecimento.

Se um dia deixarem este mundo mais humano do que o encontraram, então saberei que tudo valeu a pena.

E, por fim...

Obrigada a Deus.

Porque houve momentos em que perdi quase tudo, menos a esperança.

E hoje compreendo que aquilo que julgava serem portas fechadas eram apenas caminhos a serem redirecionados.

Continuarei a escrever.

Não para agradar a todos.

Nem para provar seja o que for.

Escreverei porque acredito profundamente que as palavras, quando nascem da verdade, têm a extraordinária capacidade de encontrar exactamente a pessoa que precisava delas.

Se, entre centenas de milhares de leituras, um único texto tiver conseguido aliviar uma dor, despertar uma consciência, devolver esperança ou fazer alguém sentir-se menos sozinho, então tudo isto já fez sentido.

E isso... não há estatística que consiga medir.












______________________________________________© 2014–2026 TeceHistórias (Marisa). Todos os direitos reservados.

Os conteúdos deste blogue, incluindo textos originais, encontram-se protegidos pelo Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos (CDADC) e demais legislação aplicável. É expressamente proibida a reprodução, cópia, transcrição, adaptação, publicação, distribuição, disponibilização pública ou qualquer forma de utilização, total ou parcial, por qualquer meio ou suporte, sem autorização prévia, expressa e escrita da autora. A utilização não autorizada poderá dar origem a responsabilidade civil e criminal nos termos da lei portuguesa da União Europeia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Nem toda a ajuda é um acto de bondade"