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"É também isto que é fazer amor"

Eu tenho um marido que me apoia diariamente. E talvez seja precisamente por viver isto que consigo perceber, com tanta clareza, o valor extraordinário que existe em ser verdadeiramente acompanhado por alguém. Não falo de uma relação perfeita. Não acredito em relações perfeitas porque não acredito em pessoas perfeitas. Falo de uma coisa muito mais concreta: duas pessoas que escolheram construir uma vida juntas e que, no meio da rotina, do cansaço, das diferenças, das preocupações e dos dias absolutamente banais, continuam a encontrar uma na outra um lugar onde podem repousar. E pensei nas mulheres. Nas esposas. Nos homens. Nos casais. Será que sabemos realmente a importância que tem o apoio diário de quem amamos? Porque, numa relação, tudo faz falta. O desejo faz falta. A atracção faz falta. O beijo faz falta. O toque faz falta. A sexualidade faz falta. A intimidade física é importante e não há nenhuma razão para fingirmos que não é. Mas uma relação não se sustenta apenas naquilo que ac...

"IV Escola da Fé"

  Cristologia: quem é Jesus Cristo? Depois de percorrermos o caminho da religião, da Revelação e da fé, chegamos ao centro em torno do qual toda a teologia cristã gravita: Jesus Cristo. Não existe cristianismo sem Cristo. Esta afirmação parece óbvia, mas as suas consequências são imensas. O cristianismo não é, em primeiro lugar, um sistema moral, uma filosofia, uma instituição, um conjunto de tradições ou uma colecção de práticas religiosas. Tudo isso existe, mas tudo deriva de uma realidade anterior: a fé cristã nasce do acontecimento de Jesus Cristo. Por isso, a pergunta fundamental não é apenas: “O que ensinou Jesus?” É uma pergunta ainda mais radical: “Quem é Jesus?” E esta pergunta não é meramente histórica. É teológica, cristológica, antropológica, soteriológica e existencial. Porque a resposta que dermos a “quem é Jesus?” determinará a forma como compreendemos Deus, a humanidade, o pecado, a graça, a Igreja, os sacramentos, a liturgia, a salvação e a própria esperança cristã...

"III Escola da Fé"

A Fé: a resposta humana à Revelação de Deus Depois de compreender o que é a religião e de perceber que, no cristianismo, Deus não é apenas procurado pelo ser humano, mas Se revela e Se dá a conhecer , surge naturalmente a pergunta seguinte: O que acontece quando o ser humano se encontra diante dessa Revelação? A resposta é uma das palavras mais importantes de toda a existência cristã: fé. Mas fé não significa simplesmente acreditar que Deus existe. Não significa fechar os olhos perante a realidade. Não significa aceitar sem pensar. Não significa repetir aquilo que outros disseram. E muito menos significa possuir uma certeza psicológica permanente, incapaz de ser atravessada por perguntas, sofrimento ou dúvida. A fé cristã é uma realidade muito mais profunda. É resposta livre, racional e existencial do ser humano a Deus que Se revela . E, precisamente por isso, compreender a fé exige compreender simultaneamente Deus, a Revelação, a liberdade, a razão, a confiança, a graça, a Igreja e Cr...

"Alegria"

 Há uma diferença profunda entre felicidade, alegria e bem-aventurança , e compreendê-la é essencial para compreender aquilo que o cristianismo realmente promete ao homem. Dizer simplesmente que « Deus não promete felicidade, mas alegria » contém uma intuição verdadeira, mas, formulado assim, é teologicamente incompleto. A Igreja ensina algo mais profundo: Deus colocou no coração humano o desejo de felicidade e chama o homem à bem-aventurança; contudo, essa felicidade não consiste num estado permanente de bem-estar, nem na ausência de sofrimento, nem na posse dos bens deste mundo. A sua plenitude está no próprio Deus. E é precisamente nesta comunhão com Deus que nasce a verdadeira alegria. O Catecismo da Igreja Católica é explícito. No n.º 1718, afirma que as Bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade e que esse desejo é de origem divina: Deus colocou-o no coração humano para o atrair a Si, «o único que o pode satisfazer ». E, no n.º 1719, acrescenta que Deus chama...

"II Escola da fé"

Revelação: quando Deus Se dá a conhecer Se o primeiro passo foi compreender o que significa religião, o passo seguinte é inevitável: o que distingue a fé cristã de uma simples procura humana pelo transcendente? A resposta encontra-se numa palavra fundamental de toda a teologia cristã: Revelação. Sem Revelação, teríamos religião no sentido mais amplo do termo: o ser humano procurando Deus, interrogando o sentido da existência, elevando os olhos para aquilo que o ultrapassa. Com a Revelação, porém, acontece uma inversão extraordinária. Já não somos apenas nós a procurar Deus. É Deus quem Se dá a conhecer. E esta pequena diferença contém praticamente toda a arquitectura da fé cristã. Revelação não significa simplesmente “Deus contar coisas” Quando ouvimos a palavra “revelação”, podemos imaginar alguém que possui uma informação secreta e decide transmiti-la. Não é esse o sentido cristão. A Revelação não consiste primariamente na transmissão de informações acerca de Deus. Consiste na autoco...