"Flor e ferro. Texto final. 🌹🪨"

 

Manifesto — Flor e Ferro

Vivo num mundo apressado, onde todos correm sem saber para onde. Onde o tempo escorre entre os dedos como areia fina, e quase ninguém pára para se perguntar: “qual foi o dia mais feliz da minha vida?”
Eu perguntei.
E a resposta não me trouxe um único dia, mas instantes dispersos, fragmentos de eternidade guardados em silêncio. O riso dos meus filhos. O olhar do meu marido. Um abraço inesperado. Um pôr do sol em que chorei sozinha, mas sentia-me inteira. Não são marcos de calendário. São pulsares de vida.

Às vezes, para suportar a dor, vesti armaduras. De fora, parecia ferro. Aço. Pedra. Um corpo frio que nada fere. Mas não sou. Nunca fui. Atrás dessa couraça existe uma mulher feita de carne e nervo, de lágrima e ternura. Atrás da couraça existe uma flor. Uma flor que ama, que quer ser amada. Que abraça e precisa de ser abraçada. Que cuida e deseja ser cuidada. Que protege, mas implora também ser protegida.

Não sou frágil.
Não sou forte.
Sou resistente.

Resistente como a raiz que rompe o asfalto.
Resistente como a onda que insiste contra o rochedo.
Resistente como o fogo que renasce das cinzas.

E aprendi cedo: o tempo não espera. Ele dá sem aviso e retira sem retorno. Ele é ligeiro, implacável, e não aceita negociações.

Por isso, se hoje fosse o meu último jantar, eu sei com quem estaria: com os meus filhos e o meu marido, no jardim sagrado da minha alma. Sei também quais seriam as minhas últimas palavras. E não seriam novas. Seriam as mesmas que digo sempre, porque nunca é cedo demais para repeti-las:
“Amo-te. Amo-te infinitamente.”

Não guardo silêncios.
Não cultivo laços por conveniência.
Não economizo gestos.

Amo de frente.
Amo sem medo.
Amo sem cálculo.

Já perdi pessoas.
Algumas partiram para junto do Pai.
Outras afastaram-se por decisão própria.
Outras fui eu mesma que deixei ir, porque precisava evoluir.

Mas não falsifico a minha história. Não apago nomes, não renego memórias. Gostei. Disse que gostei. Demonstrei que gostei. Mostrei carinho, sempre. E é isso que me dá paz: não ter deixado por dizer o essencial.

A dor não foi inimiga. Foi mestra.
A sombra não foi castigo. Foi revelação.
O caos não foi destruição. Foi parto.

Aprendi que a vida é feita do bom e do mau, da lágrima e do riso, da queda e do voo.
Que a fragilidade é beleza.
Que a resistência é amor.
Que o tempo é severo, mas também generoso, porque me obriga a viver o hoje com autenticidade.

Hoje abraço sem medo.
Hoje amo sem pressa.
Hoje vivo sem reservas.

Porque no fim não somos feitos do que temos, mas do que damos.
Não somos feitos de posses, mas de gestos.
Não somos feitos de vitórias, mas de abraços.

E manifesto, com a voz firme de quem sabe a brevidade da vida:

Não adies o abraço.
Não cales o amor.
Não poupes o carinho.

O amanhã pode não chegar.
Mas se chegar, que me encontre assim:
com o coração gasto,
mas inteiro,
de tanto amar.

Eu sou mulher de ferro e flor.
Sou muralha e jardim.
Sou ternura e resistência.
Sou sombra e luz.
Sou dor transformada em consciência.
Sou amor feito eternidade.

E se hoje fosse o fim, partiria em paz.
E se amanhã me for dado, vivê-lo-ei como se fosse o último.

Porque esta é a verdade que a vida me ensinou:
a alegria é coragem,
a ternura é revolução,
o amor é eterno.

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Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).

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