"Carta Aberta à Vida e a Quem Amo"
Com o passar dos anos, aprendi que o maior luxo não é ter muito, mas viver em paz. É um silêncio que não pesa, um respirar que não custa, um abraço que chega e acalma. Já não procuro tempestades para sentir que estou viva, nem me deixo seduzir por relações que se alimentam de jogos e dramas. Hoje, sei que o verdadeiro encanto está na simplicidade: no café partilhado sem pressa, na gargalhada que surge sem motivo, no olhar que entende antes mesmo de ouvir.
A minha vida está numa fase bonita, dessas que se saboreiam devagar, como um vinho bom. No meu casamento encontro a casa mais segura — feita de ternura, respeito e gestos que dizem “estou aqui” sem necessidade de palavras. Ao lado dos meus filhos, reencontro todos os dias a pureza do amor, essa forma desarmada e infinita de sentir.
O trabalho, o voluntariado, as responsabilidades… tudo isso preenche-me, mas também me rouba horas que gostaria de oferecer às minhas amigas e aos meus amigos. Sei que às vezes falho nas presenças, mas nunca no afeto. Eles sabem — e agradeço-lhes — que estão guardados no meu coração como quem guarda uma fotografia antiga: não pelo papel, mas pela memória que nunca se apaga. Amizades verdadeiras não cobram calendário; compreendem, perdoam e permanecem.
Com o tempo, percebi que viver bem não significa estar sempre rodeada de gente ou de acontecimentos. Significa escolher quem e o que deixamos entrar na nossa vida. Significa filtrar o que nos desgasta e abraçar o que nos acrescenta. O tempo é um tesouro silencioso, e desperdiçá-lo com guerras inúteis é negar-me a possibilidade de ser feliz.
Quero rir mais. Quero amar com verdade. Quero investir em relações que fluem por serem leves, não por serem fáceis. Quero viver o presente sem acorrentar-me ao passado nem criar expectativas de um futuro perfeito. Porque a perfeição não é meta; é estado de espírito.
E, no fim, descubro que a paz é o maior bem que posso oferecer a mim mesma e a quem amo. Paz é saber que, independentemente das correntes, a nossa âncora está firme. Paz é chegar a casa e sentir que, ali, tudo é como deve ser. Paz é viver sabendo que o essencial está protegido, e que o resto… o resto encontra sempre o seu caminho.
A quem lê estas palavras, desejo que encontre essa serenidade que não precisa de aplausos para existir. Que se permita escolher a leveza, valorizar o silêncio bom e guardar apenas o que aquece a alma. Porque é aí, nesse lugar simples e imenso, que a vida verdadeiramente acontece.
Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).
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