"Quando o Amor-Próprio é Espiritual"
Durante muito tempo, ensinaram-me que amor-próprio era egoísmo disfarçado.
Como se cuidar de mim fosse uma forma de esquecer os outros. Como se colocar limites fosse desrespeito. Como se reconhecer a minha dignidade fosse orgulho.
Mas a verdade é outra.
O verdadeiro amor-próprio é profundamente espiritual. É uma resposta ao facto de saber quem sou em Deus.
Não sou qualquer coisa. Sou filha. Sou amada. Sou redimida. Sou templo. Sou morada viva do Espírito Santo.
E não é humildade negar isso — é ingratidão.
Amor-próprio não é exaltar-me — é reconhecer que fui criada por Amor.
Deus não me criou para viver destruída por dentro, a mendigar afecto, a tolerar desrespeito, a normalizar abusos emocionais ou espirituais em nome de uma “piedade” distorcida.
O amor-próprio espiritual nasce quando olho para mim com os olhos do Criador e vejo o que Ele vê — mesmo quando o mundo tenta apagar essa visão.
Amar-me espiritualmente é cuidar do dom que sou para Deus.
É viver de forma íntegra, inteira, limpa. Não para agradar ao mundo — mas para não desonrar o dom da minha vida.
Não me amo como centro. Amo-me porque sou imagem e semelhança d’Aquele que é o centro de tudo.
A mulher que se ama espiritualmente é forte — mas mansa.
Não preciso gritar para afirmar o meu valor. Não preciso competir. Nem viver numa constante performance de sucesso, beleza ou perfeição.
Sei quem sou. Sei de onde vim. Sei para onde vou. Sei em Quem confio.
E por isso, mesmo quando o mundo me rejeita, sei que não estou perdida.
Amar-me não é fechar-me.
É abrir-me — mas com discernimento. É dar-me — mas com sabedoria.
É acolher — mas não tolerar aquilo que fere a dignidade que Deus me confiou.
Quando aprendi a amar-me, deixei de aceitar migalhas.
O amor-próprio espiritual é a cura contra a carência disfarçada de romantismo.
Não me amo para ser amada por outros. Amo-me porque já fui amada primeiro — por Deus.
E esse amor — esse primeiro amor — muda tudo.
Deixei de andar atrás de quem me tolera.
Passei a andar com quem me honra.
Deixei de querer provar valor.
Passei a viver a partir da certeza de que já sou valiosa.
Isso não me tornou arrogante. Tornou-me livre.
Livre do medo de estar só.
Livre da necessidade de agradar a todos.
Livre para amar sem me perder.
Amor-próprio é também perdão.
Perdoo-me por todas as vezes que me traí para agradar.
Perdoo-me por ter aceitado menos do que merecia.
Perdoo-me por ter silenciado a minha alma para caber no molde de quem não me via.
Perdoo-me por ter confundido submissão com anulação.
E hoje, escolho amar-me com reverência.
Porque Deus não habita em ruínas que desprezamos, mas em templos que cuidamos.
E eu sou um desses templos.
Conclusão:
Amar-me é um acto de fé.
O mundo diz: ama-te para seres feliz.
A Palavra diz: ama-te porque foste criada por Deus.
E a diferença é enorme.
No primeiro, o amor-próprio é auto-ajuda.
No segundo, é graça.
O meu amor-próprio não me afasta da cruz — ensina-me a carregá-la com dignidade.
Não me exime da dor — mas impede-me de a romantizar.
Não me faz perfeita — mas guia-me para a santidade.
Por isso, hoje, diante de Deus, eu digo com verdade e firmeza:
Amo-me porque fui criada por Amor.
Amo-me porque Ele me amou primeiro.
Amo-me porque sou d’Ele — e não de quem me quebrou.
Amo-me para poder amar melhor.
Amo-me porque Ele habita em mim.
E isso basta.
Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).
Comentários
Enviar um comentário