"Batalhas..."
Há guerras que não se vencem no campo do ruído, mas no santuário do silêncio. Aprendi que há uma força que só nasce quando a boca se cala e o coração se ajoelha. No instante em que o mundo exige explicações, eu escolho permanecer em quietude, como quem estende as mãos ao invisível e se deixa sustentar por Ele. O meu silêncio não é desistência, é confiança; não é ausência, é plenitude; não é recuo, é avanço secreto no território da fé.
Enquanto outros interpretam o meu calar como fraqueza, eu reconheço nele a audácia de não me deixar arrastar pela corrente da fúria. Existe uma dignidade rara em permanecer serena diante da tempestade, um tipo de coragem que não ergue armas mas conserva a paz. E é nessa serenidade, tantas vezes mal compreendida, que o Espírito me molda e me fortalece.
O silêncio é a minha oração mais profunda. Ele não se mede em palavras, mas em entrega. É no espaço do não dito que o meu coração aprende a repousar no Mistério, a confiar que a Verdade não precisa da minha defesa, porque a Verdade tem em si mesma o poder de se revelar. Eu apenas espero. Eu apenas confio. E confiar, por vezes, é o mais alto ato de resistência.
Há uma música que só se escuta no recolhimento da alma: o cântico suave da certeza de que Deus está presente. Ali, quando escolho não revidar, não provar nada, não me justificar, descubro que a maior resposta não é a minha voz, mas a Sua presença que sustenta o meu ser.
E então, no íntimo, elevo o meu cântico:
Senhor, obrigada porque nunca me abandonaste. Obrigada porque nas minhas noites mais densas, o Teu amor foi chama acesa. Obrigada porque, quando tudo em mim era fraqueza, a Tua mão me ergueu em silêncio. Jesus, Tu és o Amigo que não parte, a Rocha que não se quebra, a Luz que não se apaga.
E assim, guardada no silêncio que reza, eu caminho. Não preciso reagir como o mundo espera. A minha vitória é permanecer em paz. A minha coragem é esperar em Ti. A minha resposta é confiar. Porque sei que, no fim, a Tua voz ecoará onde o meu silêncio foi fidelidade.
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Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).
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