"Sou Tudo o Que Quiserem: Confissões de Camelo, Mula, Vaca, Porca e Puta"
É incrível como, às vezes, as pessoas encontram sempre uma forma de fazer chegar ofensas. Nunca imaginei que algumas pessoas me amassem tanto — é uma admiração incrível, quase enternecedora. Não têm coragem de o admitir, claro. Quando é preciso falar diretamente, olhos nos olhos, a quem realmente sabem quem é, aí a coisa complica-se. Fica difícil. A única coisa que conseguem produzir é conversa de corredor, recados de café, invenções baratas. E, no máximo, conseguem arrancar-me um texto de comédia, um pouco depreciativo, uma caricatura hilariante do que dizem ser os meus defeitos (boatos, difamação e mentira), porque até nisso sou capaz de rir de mim própria.
Sou católica, não segui a vossa religião da desculpabilização permanente. Pertenço, com orgulho, devoção e fé, a uma religião onde posso escolher o meu caminho, o que visto, o que digo e o que faço. Sei que sou amada pelo Pai, que me dá criatividade, inteligência e liberdade para escrever este texto — não para vos odiar, não para me defender, mas para rir. Para vos dizer que sim, sou tudo o que quiserem. Mas digo-o com um orgulho bom, daquele que não faz mal a ninguém, aquele que não corrói, não inveja, não destrói. Não me sinto mal, nem atacada. Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem. Apenas me dão mais força, mais matéria-prima, mais ferramentas para continuar a melhorar e, sobretudo, para escrever.
Sim, assumo tudo. Absolutamente tudo. Sou "camelo", "mula", "cavalo", "égua", "vaca", "porca" e "puta". Bebo água como um camelo, aguento sede como um camelo, carrego problemas como uma mula, corro como cavalo, urino como vaca e mastigo a vida como uma porca feliz. Sou puta, mas só para o meu marido, porque exclusividade também é luxo. E sim, sou "parasita da sociedade", "narcisista", "psicopata", "sociopata" e "bordeline". Sou "burra", "homossexual", "assexual", "pansexual", "bissexual", "levo em todo o lado", e é uma delícia. Adoro. Adoro ser tudo aquilo que querem que eu seja, mesmo sem o ser, porque a imaginação alheia não conhece limites, e eu transformo cada palavra vossa em riso, cada maledicência em prazer.
A primária já terminou, meus queridos. Sim, acabou. E vocês? Ainda estão com azia, ainda passam o tempo a inventar histórias nos cafés, a mandar recados, porque e-mails exigem esforço. E eu passo. Eu dispenso. Vou arrumar a minha vida com energia, sorriso, liberdade e orgasmos múltiplos, enquanto vocês continuam a coçar a inveja, a digerir o veneno que vocês próprios fabricaram.
Nunca estive sexualmente com uma mulher. Nunca. Mas, se estivesse, coitada "dessa senhora": antes sequer de eu lhe tocar, já estaria a gemer como se tivesse descoberto simultaneamente a cura do mundo, o jackpot do Euromilhões e a fórmula secreta para a felicidade universal. Só com a minha presença, apenas com a minha atenção e o meu toque inicial, o corpo dela esticar-se-ia e arquear-se-ia como gelatina sobre uma coluna de som em pleno concerto de ópera e heavy metal misturados. Seria apenas o aquecimento, e já ela imploraria, tremeria, vibraria, desconhecendo a própria força e fragilidade.
Quando a língua entrasse em cena, não haveria paredes que não ressoassem, nem ossos que não se rendessem ao prazer absoluto. Gemidos tão intensos que seriam capazes de abalar vizinhos, cães, pássaros e eventualmente a estrutura inteira do prédio. Mas isto não seria violência, seria intensidade, seria ternura selvagem, seria amor absoluto e feroz — uma fusão de opostos que transformaria tudo em beleza. A "tal senhora" sairia dali completamente outra, mais solta, mais feliz, mais autêntica, com sorriso rasgado, cabelo desgrenhado, mas uma alma limpa e vibrante, uma energia contagiante que até os que a rodeavam sentiriam.
E vocês, os moralistas, os fiscais da minha vida, os poetas das más-línguas, continuam a inventar, a difamar, a tentar reduzir-me ao que nunca fui e nunca serei. Vocês falam porque desejam, falam porque invejam, falam porque o ódio não dura, mas o desejo escondido é eterno. Falam de mim porque me queriam, mesmo sem coragem de admitir, e cada recado, cada boato, cada invenção que espalham só confirma isso.
Vocês falam, inventam, julgam, fazem das minhas escolhas um espetáculo de entretenimento para cafés e conversas de corredor, e eu passo. Eu passo porque a minha vida é minha, o meu prazer é meu, a minha liberdade é minha. Continuo a ser camelo que aguenta, mula que carrega, vaca que dá leite, porca que mastiga, puta que encanta, parasita que se diverte e mulher que se diverte com a própria existência. Não preciso da aprovação de ninguém, não necessito de recados e muito menos de inveja travestida de moralidade.
O meu marido? Não troca de sexo, não troca de mulher, não troca de orgasmos. Está servido. Eu? Adoro ser mulher, adoro criar vida, adoro orgasmos múltiplos que se sucedem como temporadas de séries intermináveis, sempre com entusiasmo, sempre com prazer, sempre com inteligência e humor. E, se um dia me apetecer experimentar a " tal senhora", ela gemeria até as unhas dos pés se encaracolarem, e nada disso vos toca, nada disso vos pertence. Mas, certamente, ficaria gravado na memória coletiva do prazer.
Portanto, continuem com a azia, continuem a inventar nos cafés, continuem a mandar recados, continuem a viver com o veneno que produzem. Porque eu vou continuar a ser tudo aquilo que quiser, sem pedir licença, sem baixar o nível, sem me importar com julgamentos, com prazer, com liberdade e com inteligência. Sou tudo o que quiserem, mesmo sem o ser, e a vida é demasiado curta para perder tempo com quem nunca teve coragem de viver a sua.
É isso: têm razão, vocês têm razão. "É pó menino e para as meninas". Eu não sou como vocês, podem estar descansados. Continuem,eu dou o desprezo — não quero nada convosco nem, já agora, com a "tal senhora" de quem tanto falam. Verdade seja dita, devem ser fãs ou também é amor !?Depois dou mais um texto para sentirem que têm alguma da minha atenção; pode ser que se sintam menos frustrados.
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"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."
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