"Hoje domingo em família: Fé, Família e Amor em Equilíbrio"
Hoje, domingo, permaneço em casa, no seio da família, como quem reencontra o centro do mundo. Ontem participei na eucaristia, a missa vespertina de sábado, e ainda sinto a vibração serena desse momento. Foi mais do que um rito: foi uma respiração partilhada, uma pausa do tempo que me recorda que a fé, quando vivida com liberdade e verdade, não aprisiona, mas liberta. Não regresso da igreja como quem cumpre uma obrigação, mas como quem reencontra uma fonte — discreta, constante, misteriosamente generosa. Durante o mês de julho, agosto e o início de setembro tem sido assim. Vou ao sábado e o domingo passo com a família e amigos. Pois é. O equilíbrio o saber distinguir fé de fanatismo.
Hoje descansei, sem peso nem culpa, porque o descanso também é sagrado. Observei a minha filha e o seu amigo, ambos lançados nessa aventura da política autárquica, e vi ali uma energia que não partilho inteiramente, mas que respeito. Não concordo com todas as escolhas, é certo, mas acompanho. A maternidade ensinou-me que amar não é impor, mas caminhar ao lado; não é substituir a voz do outro, mas garantir que essa voz encontre espaço para se afirmar. O mesmo digo do meu filho: cada um dos meus, à sua maneira, constrói o próprio caminho, e a minha missão é estar presente sem ser cárcere, guiar sem algemar, amar sem devorar.
Sou católica, e para mim ser católica não é render-me ao fanatismo, mas mergulhar na essência de Deus como amor e como equilíbrio. O Evangelho não me pede a alienação da razão, nem o esmagamento da diferença, mas convida-me ao diálogo, à escuta, à compreensão. O fanatismo, sei-o bem, não é fé — é caricatura. Amar a Deus implica reconhecer que o amor à família é igualmente um sacramento da vida quotidiana. É por isso que organizei a minha semana de modo a reservar o sábado para a missa: porque a prioridade é o meu lar, e só nesse eixo consigo ser inteira. E Deus não castiga por isso dá graça e ama
Acredito que a vida se cumpre nessa tensão fecunda entre a verticalidade da fé e a horizontalidade da convivência, como a cruz. Uma não anula a outra; pelo contrário, completam-se. Deus, para mim, é o ponto onde a transcendência toca o concreto: Ele habita tanto o silêncio da oração como o riso dos meus filhos; tanto a liturgia da igreja como a conversa caseira ao redor da mesa. É esse equilíbrio que me impede de resvalar para extremismos estéreis.
Hoje, enquanto as horas correm, sinto que tudo se harmoniza: a política que não partilho mas respeito, a fé que pratico sem fanatismos,sem arrastar meus filhos ou familiares, o amor que me estrutura e me corrige. No fundo, a minha vida é esta coreografia de presenças: Deus, família, comunidade, eu própria. Nada perfeito, tudo humano — mas sempre iluminado pela certeza de que amar, compreender e permanecer são, afinal, os maiores actos de fé.
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"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."
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