"💫 Amor Infinito"
Hoje a manhã trouxe-me um daqueles instantes raros, quase secretos, que se guardam no cofre da alma. Acordei sem pressa, entregue ao silêncio repousado de quem acredita que o tempo, por uma vez, se dignou a abrandar. Foi então que o meu filho entrou no quarto, com a naturalidade desarmante das crianças que ainda não aprenderam os disfarces do mundo, e disse-me: “Mãe, sabias que eu te amo infinito?”
Sorri. Respondi-lhe com a mesma medida sem medida: “Sei, meu amor. E tu sabes que a mãe também te ama infinito.”
Deitei-me ao lado dele, e nesse gesto simples coube todo o universo. Abraçou-me e, no abrigo do meu corpo, adormeceu. Fiquei a contemplá-lo, na serenidade de quem testemunha o mistério de um milagre. Perguntei-me em silêncio: quanto tempo mais terei isto? Não sei, ninguém sabe. Mas sei que cada vez que este ritual se repete, o mundo ganha uma espessura de eternidade.
Ele está prestes a entrar no território incerto da adolescência, esse limiar onde tantas vezes a inocência se perde entre sombras de dúvida e tempestades de afirmação. Rezo para que conserve esta luz, esta capacidade de escutar e partilhar, esta abertura ao diálogo que é a ponte mais sagrada entre dois corações. Que a paciência, a compaixão, a generosidade e o altruísmo não lhe sejam valores passageiros, mas raízes profundas. Que a honestidade e a sinceridade sejam as bússolas que o orientem, e que o respeito e o carinho jamais se desfaçam em pó perante as durezas do mundo.
Daqui a pouco, a vida quotidiana reclamará o seu lugar. Haverá reunião na lojinha, que em breve reabrirá, e mais tarde a missa dará início ao Tríduo. Mas estas manhãs têm sido dádivas fenomenais, pequenos altares erguidos no coração dos dias. E compreendo, cada vez mais, que a verdadeira espiritualidade não se esgota no templo ou no rito: ela acontece também aqui, no quarto, no abraço que se prolonga, na respiração tranquila de um filho que adormece confiante nos braços da mãe.
É nesses instantes que pressinto a grande lição: tudo passa, mas o amor – esse, quando é infinito, não conhece fim.
"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."
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