"Não estou em competição pela "senhora ", desejo muita saúde e amor na amizade"

 A minha família resume-se à casa, aos filhos, ao marido, a uns poucos familiares maternos e a uma segunda prima paterna — porque é isso que ela é. Confesso: nunca fui chegada a essa família, nunca houve em mim um vínculo profundo que me ligasse ao seu seio, infelizmente não mudei o meu filho de escola logo quando vi a turma, poupava dissabores a todos. E, no entanto, vejo-me agora a escrever, quase como um acto de declaração pública e íntima ao mesmo tempo, que esse ciclo terminou, para mim terminou em 2023. Está fechado. Não desejo saber de nada, não quero ouvir palavras ditas nem recados sussurrados, não me movem nem intrigas nem competições.

Durante demasiado tempo observei a disputa silenciosa — ou ruidosa, conforme o momento — pela atenção daquela "senhora". Uma atenção tratada como troféu, como se fosse mercadoria rara em prateleira de feira. Competiram tanto, com tanto afinco e vaidade, que eu própria, numa espécie de desprendimento libertador, saí de cena, fugi. Dei a "senhora" de bandeja, sem hesitar, fiquei com a culpa e calei-me, porque compreendi que ela se assemelha mais a vocês do que a mim. Partilham o mesmo modo de pensar, a mesma intimidade de olhar, o mesmo íntimo de ser. E assim, com a lucidez de quem já não precisa de competir, ofereci-vos o lugar. Bom proveito.

Não me move a raiva, mas a clareza. Fechar este ciclo é reconhecer que não tenho de me sentar a mesas onde nunca me senti em casa. É aceitar que a minha identidade não se mede por disputas familiares, mas pela verdade que cultivo dentro de mim. Assim, o que encerrei não é apenas uma relação; é a ilusão de que algum dia haveria de caber num espaço que nunca me pertenceu.

E, curiosamente, nesse fechar, senti-me mais livre do que nunca. Porque, ao soltar o que não se harmoniza comigo, abri em mim o campo vasto do novo que há-de vir. Conseguiram torturar-me meses sem fim abanar a minha integridade, mas terminou, lamento imenso informar. Mas não vou descer o nível nem agir como estão habituados. EU SOU CATÓLICA!!! Prático a misericórdia e o perdão vou sempre guardar o nosso segredo. Vou explicar como devem agir na primeira pessoa.

Há muito que compreendi que a vida não é uma linha recta, mas antes um constante entrelaçar de ciclos: inícios, apogeus e inevitáveis despedidas. Cada fase que se encerra traz consigo o peso e a leveza da aprendizagem — as dores que purificam, as conquistas que elevam, as memórias que moldam a argila íntima da minha identidade. Ainda assim, por mais consciente que esteja da necessidade de avançar, reconheço que dizer adeus nunca é um acto simples. A despedida exige em mim uma coragem serena, uma presença radical e, sobretudo, a aceitação de que aquilo que já se cumpriu não pode nem deve ser perpetuado artificialmente.

Fechar um ciclo assemelha-se a cerrar uma porta — mas não uma porta que se fecha com rancor, antes uma que se sela com gratidão. Agradeço até às experiências que me feriram, pois nelas encontro o fio de ouro da transformação. Tudo o que vivi teve valor, ainda que esse valor me tenha custado lágrimas. Sei, porém, que manter abertas as portas do que já morreu dentro de mim é desperdiçar espaço sagrado que pertence ao que ainda está para nascer. Entendem?

O curioso é que sempre que decido caminhar em direcção ao novo, sinto o passado levantar-se dentro de mim como uma sombra persuasiva. O velho tenta negociar, invoca memórias adocicadas, suaviza feridas, apresenta-se como refúgio familiar. Sussurra: “e se desta vez resultasse?”, ou ainda: “não encontrarás nada melhor”, e até: “se o futuro te trouxer algo pior?”. Reconheço essa voz: não é maldade, é medo. O passado representa a ilusão de segurança, enquanto o futuro é um território desconhecido que, pela sua própria natureza, assusta.

Neste confronto íntimo descubro que a verdadeira firmeza não consiste em anular o medo, mas em lembrar-me do motivo que me levou a desejar partir. Se permaneço prisioneira do que já não tem sentido, condeno-me à estagnação. Só quem suporta o vazio de uma despedida com dignidade pode realmente acolher a plenitude do que chega. Percebo, então, que fechar ciclos é, antes de mais, um acto radical de amor-próprio. É um gesto de fé — fé na vida que se renova, fé num Deus que tudo move em ritmos de morte e ressurreição, fé no embrião de cada novo começo escondido dentro de cada final.

Na minha condição humana, marcada pela fragilidade, descubro que a vida é movimento, é fluxo, é peregrinação. Se é verdade que o passado se tornou desconforto absoluto, então só me resta abrir espaço para o novo. E o novo, para florescer, exige que eu solte sem hesitações aquilo que já não tem vida. Mas faço-o com discernimento, apenas se esse desprendimento me conduz à paz e à inteireza. Estão a acompanhar?

Assim, compreendo que viver não é acumular portas abertas sem uso, mas escolher, com sabedoria, quais devem ser fechadas e quais merecem ser atravessadas. E nesse gesto de fechar, encontro não um fim absoluto, mas o mais profundo acto de confiança: a certeza de que cada adeus contém, em si, a semente invisível de um sagrado recomeço.

Espero que tenham entendido tudo, sinceramente espero que estejam felizes e que a amizade floresça com a "senhora". Sejam felizes com Deus no coração.

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