"Entre Amor, Paixões e Liberdade no Espírito"

A questão das paixões, tão rigorosamente analisada por Spinoza, permanece actual: os homens crêem-se livres, mas raramente o são. Movem-se como folhas ao vento, levados por desejos que inflamam, medos que paralisam, esperanças que iludem. A servidão é subtil: disfarça-se de liberdade, mas mantém o ser humano acorrentado ao que não domina. A filosofia mostra-nos que, pela razão, é possível compreender as causas que nos arrastam, e nessa compreensão reside o princípio da libertação.

Mas não sou apenas filha da razão. Sou católica, e isso significa que a minha vida não se resume ao cálculo lógico ou à lucidez crítica. Sou conduzida pelo Espírito Santo, e não por comandos humanos que tantas vezes tentam reduzir a fé a um sistema de regras ou a uma hierarquia de poder. A liberdade que me habita não é desordem, é graça. Não abdico da racionalidade, mas também não me deixo aprisionar por ela. Vivo no equilíbrio frágil e fecundo entre a lógica e o mistério.

Não caminho para dissolver a minha essência, porque sei que Deus me sonhou assim: autêntica, única, marcada por uma interioridade que não deve ser domesticada até à anulação. A fé não me pede que dilua a minha personalidade, mas que a eleve, que a purifique, que a coloque em sintonia com o Amor maior. Essa autenticidade é também selvagem, porque não se conforma com as expectativas humanas nem se submete ao “senhor dinheiro”, que escraviza e confunde. O Santo é o oposto: é liberdade, é despojamento, é plenitude que não precisa de máscaras.

Ser sensata não significa ser dócil ou submissa a vozes humanas que tentam impor dogmas cegos. Sensatez é discernimento: separar o que é de Deus do que é construção humana. Questiono, aprendo, e ao fazê-lo mantenho-me fiel à verdade, não à conveniência. O fanatismo é sempre uma prisão: reduz o mistério divino à estreiteza das certezas humanas. Eu escolho outro caminho, onde a racionalidade e a fé dançam em dualidade harmoniosa — uma tensão permanente, mas fecunda.

Assim, compreendo as paixões como servidão, mas não as nego: reconheço-as, ilumino-as pela razão e pela fé. O Amor, para mim, não é apenas uma paixão ou um afecto passivo; é escolha consciente, entrega activa, comunhão com Deus que me pensou e me quis. E é nesse Amor que encontro a liberdade selvagem e serena de ser quem sou: ponderada e sensata, mas também livre e indomável, filha do Espírito e da razão, chamada a viver em autenticidade, sem nunca abdicar da essência que me foi dada.


Amor, Paixões e Liberdade no Espírito

Eu sei que nem todos compreenderão estas palavras. Não são para quem segue secamente líderes espirituais, nem para quem busca apenas desculpabilização ou pertença fácil. São para aqueles que foram verdadeiramente tocados pelo Espírito Santo e sabem que a fé não é servidão cega, mas vida em plenitude, feita de discernimento, crescimento e liberdade.

Spinoza dizia que os homens acreditam ser livres, mas na verdade são arrastados pelas paixões: desejos, medos, esperanças. Reconheço essa verdade. Muitas vezes somos escravos de afectos e impulsos que não compreendemos. A filosofia mostra que a libertação começa quando entendemos as causas que nos movem, quando transformamos as paixões em algo mais elevado através da razão.

Mas não vivo apenas da razão. Sou católica e creio que a verdadeira liberdade não é apenas fruto do intelecto, mas sobretudo da graça. Não caminho para diluir a minha essência, porque sei que Deus me sonhou tal como sou: autêntica, ponderada e sensata, mas também livre e selvagem, indomável como o sopro do Espírito. Questiono, aprendo e procuro equilíbrio entre fé e razão, porque foi o próprio Cristo que me pediu para O amar com todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento (Mateus 22:37).

Não vivo para a Igreja como instituição, mas para Deus. A Igreja é a comunidade onde aprendo, celebro e sirvo, mas não é o meu fim último. Sirvo-a por amor, não por obrigação. Faço voluntariado porque me enche o coração e porque em cada pobre encontro a face de Cristo: “Em verdade vos digo, todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).

Vou à missa porque quero honrar Jesus e fazer o que Ele instituiu: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19). Não vou para agradar homens, mas para me unir ao Senhor que se oferece em corpo e sangue. Não confundo a fé com estruturas de poder ou com o “senhor dinheiro”, porque está escrito: “Ninguém pode servir a dois senhores... Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6:24).

Obedecer cegamente a líderes humanos não é fidelidade a Deus. O Evangelho é claro: “É melhor obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). Creio que a verdadeira maturidade espiritual é discernir, questionar e crescer, não viver na servidão de doutrinas humanas. “Examinai tudo e guardai o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:21).

Não busco uma fé feita de fanatismos nem de comodismos. Busco a verdade que liberta: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Sei que seguir Cristo é caminhar por um trilho estreito, incompreendido por muitos, mas é esse caminho que me conduz à plenitude do Amor.

Assim vivo: como mulher católica, fiel a Deus, não a homens; conduzida pelo Espírito Santo, não por interesses humanos. Sou filha de uma fé viva, que pensa, que aprende, que ama. Sou sensata e ponderada, mas também livre e selvagem, porque acredito que a verdadeira obediência é ser conduzida pela Verdade, e a Verdade é Cristo.




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"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."

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