🌟 “Uma manhã inteira no infinito: o primeiro dia do segundo ciclo”
Hoje o meu filho deu o primeiro passo no segundo ciclo. Não foi apenas mais uma manhã, foi uma manhã inaugural, cheia daquele peso invisível que só os começos carregam. O calendário dizia que seria um simples primeiro dia, apenas algumas horas para conhecer a nova escola, os colegas, os professores. Mas no meu coração soube que era mais do que isso: era um rito de passagem subtil, um degrau erguido na construção da sua autonomia.
Antes de entrar, olhou-me com aquela clareza desarmante que só os olhos das crianças sabem ter. Disse-me: “Sabias que amo-te infinito?”. E nesse instante compreendi que, apesar da novidade, ele já tinha dentro de si a segurança necessária para enfrentar o desconhecido. Anuí, devolvi-lhe o infinito, e naquele reflexo de amor mútuo reconheci o elo invisível que nos sustentava a ambos.
Segurou a minha mão com firmeza e, surpreendendo-me, assegurou-me que não precisava de me preocupar, que tudo iria correr bem. E correu. Mesmo sendo apenas uma manhã, foi o suficiente para se mostrar responsável, atento, curioso. Quando não sabia algo, não hesitou em perguntar, o que me encheu de orgulho. Há uma sabedoria discreta nesse gesto: a de compreender que aprender é também reconhecer os próprios limites e ter a coragem de os ultrapassar pela via da interrogação.
Regressei a casa com a sensação de que tinha assistido a uma pequena epifania: o meu filho crescia diante de mim, não em saltos abruptos, mas em gestos serenos e seguros. O segundo ciclo, afinal, não começa apenas nos manuais novos ou nas salas diferentes; começa no modo como ele olha para o mundo com confiança, no modo como enfrenta o desconhecido sem medo de se perder.
Foi só uma manhã. Mas foi uma manhã inteira, plena, cheia de significados. E, hoje, ao deitar-me, irei sentir-me atravessada por uma gratidão profunda: a de saber que o amor infinito que trocámos à porta da escola não é apenas uma ternura momentânea, mas a raiz sólida que lhe permitirá continuar a florescer, mesmo quando um dia já não precisar da minha mão.
Amo-te infinito meu filho! Sempre para sempre!
"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."
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